Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Rio

Reunião na Alerj resulta em promessa de nova proposta do governo para Uenf

Jornal do BrasilGisele Motta *

Na última quarta-feira (18) um  projeto de lei que propõe reajuste salarial aos funcionários da Universidade Federal do Norte Fluminense (Uenf) foi enviado à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) pelo governador do Rio, Luis Fernando Pezão. A proposta não foi bem recebida pelos servidores. Semana passada, a categoria propôs emendas, que foram discutidas na tarde desta terça-feira (23) pela Comissão de Educação da Alerj. Porém, não houve acordo sobre quais emendas seriam ou não aprovadas, o que resultou numa nova promessa por parte do governo do estado sobre melhorar a proposta, segundo presidente da Associação dos Docentes da Uenf (Aduenf).

>>Projeto de lei de Pezão não agrada servidores da Uenf

>>Professores, funcionários e alunos da UENF pedem melhorias

"Hoje de manhã houve o Colégio de Líderes [grupo que negocia a agenda da assembleia] e nós da Aduenf pudemos participar e defender as nossas reivindicações. Porém, como não houve um acordo sobre as emenda - foram 39-, a Comissão de Educação junto com o secretário de Planejamento e Gestão do estado [Sérgio Ruy Barbosa] entraram em uma reunião para discutir o assunto", explica o presidente da Aduenf, Luis Passoni. Segundo ele, não foi permitido que o sindicato participasse dessa segunda reunião. 

Ele ainda afirma que a negociação, em nenhum momento foi feita com o governo, sendo sempre através da Assembleia Legislativa. "Não houve de fato negociação. Fizemos pressão, reivindicamos e o governo ofereceu esse reajuste do 19-39%". A categoria pede reposição salarial de 86,7%, prevendo o regime de dedicação exclusiva da UERJ, que corresponde a 65% do salário dos docentes da Universidade e reajustes relativos à inflação. Uma das principais pautas dos docentes é a equiparação dos investimentos entre Uerj e Uenf, as duas universidades do estado. A proposta  do governo dá o reajuste parcelado, até julho de 2015, e cada tipo de professor recebe uma porcentagem diferenciada, que varia entre 19 e 39%. 

Luis espera que, dessas reuniões, saia uma proposta que realmente contemple o que os professores pedem. "Eu tenho esperança que pelo menos o reajuste seja dado em uma única parcela, ainda esse ano, e que ele seja igualitário e também que ele chegue mais próximo do que pedimos", comenta ele referindo-se ao problema gerado por um aumento diferenciado para professores e funcionários.

Além dos problemas que um reajuste diferenciado pode gerar entre os servidores, a universidade enfrenta um problema de manter e contratar funcionários. "Esse reajuste [baixo] deixa a carreira desinteressante. A progressão da carreira da Uenf exige esforço de orientação de doutorado e mestrado, é realmente uma carreira muito exigente e se não tiver estimulo tememos que haja acomodação",pondera.  "Os salários da Uenf são defasados em questão aos da UERJ. Precisamos de um índice que nos permita contratar professores. Hoje em dia a universidade tem o pior salário do Brasil. Nós abrimos concursos e simplesmente não tem candidatos", completa. 

O presidente da Comissão de Educação, Comte Bittencourt, também foi procurado para comentar o caso, mas não respondeu. A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) esclarece que está analisando as emendas propostas ao projeto de lei da UENF, que está em tramitação na Alerj.

* Do programa de Estágio do JB

Tags: alerj, comissão de educação, pezão, proposta, reunião, uenf

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