Jornal do Brasil

Terça-feira, 22 de Julho de 2014

Rio

Violência na Rocinha: a falida política de pacificação e o terror na comunidade

Jornal do BrasilDavison Coutinho

A noite desta sexta-feira (20) foi mais uma de intenso tiroteio na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio. Favela que recebeu a instalação da UPP em 2012 pelo governo atual. O tiroteio continuou na manhã deste sábado (21) e o clima é de medo e desespero na comunidade. Os moradores correram pelas ruas para se proteger e o medo faz com que evitem sair de suas casas. Moradores desabafam nas redes sociais a insatisfação com o projeto de segurança da UPP, classificando o como  "falido" e "eleitoreiro".

A política de pacificação, como bem diz o nome, trata as comunidades como se fossem lugares habitados por animais selvagens que precisam ser adestrados, ou seja, pacificados. A Rocinha não precisa de pacificação, aqui quem mora são famílias de trabalhadores que construíram suas vidas e lares com muita dificuldades sobre as encostas desse morro.

>> UPP diz que policiais foram surpreendidos por criminosos

A Rocinha precisa é de moradia digna, ensino técnico profissionalizante de  qualidade e acesso à cultura e saúde. Não adianta gastar milhões com centenas de policiais apontando fuzil na frente das crianças. Não é assim que vamos chegar à paz. Não tem como ter paz onde pessoas moram em lugares precários, onde os casos de tuberculose são os maiores do estado e onde o pobre é tratado como marginal. Estão morrendo moradores, bandidos e policiais, e quem é o culpado por toda essa guerra?

A transformação de fato só acontecerá quando a favela for tratada como asfalto e ter acesso aos mesmos serviços e direitos de todo cidadão. O crime e a violência que hoje acontecem são resultados do descaso de décadas vivido por essa comunidade, e por isso muitos se desviaram para os caminhos do tráfico. Nossas crianças e jovens precisam é de oportunidades e não de conviverem em meio a essa guerra todos os dias.

Hoje, os moradores usam em suas postagem nas redes sociais a #rocinhapedeapaz como forma de protesto contra a violência.

* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel emdesenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio

Tags: Rio, rocinha, tiro, upp, violência

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