Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Rio

Morre aos 83 anos a escritora e feminista Rose Marie Muraro

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A escritora e feminista Rose Marie Muraro, de 83 anos, morreu neste sábado (21), no Rio de Janeiro. Ela lutava contra um câncer na medula óssea há 10 anos e, desde o dia 15 de junho, estava internada no CTI do Hospital São Lucas, em Copacabana. Murado teve complicações após um tratamento de quimioterapia e teve uma infecção urinária que se generalizou.

Nas décadas de 70 e 80, Rose Marie Muraro foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Ela é autora de mais de 40 livros e também atuou como editora em 1600 títulos, quando foi diretora da Editora Vozes, ao lado do teólogo e escritor Leonardo Boff. 

A presidente Dilma Rousseff lamentou a morte da escritora. "Foi com tristeza que soube da morte de Rose Marie Muraro, ícone da luta pelos direitos das mulheres. Intelectual notável, Rose Mariue foi uma mulher determinada em tudo, na luta contra a barreira da cegueira, na luta pelas suas ideias. Somos todas gratas à dedicação incansável de Rose Marie", escreveu nas redes sociais

Rose Marie Muraro lutava pela igualdadede direitos para as mulheres
Rose Marie Muraro lutava pela igualdadede direitos para as mulheres

Rose Marie Muraro foi reconhecida em 2005 pelo governo federal como Patrona do Feminismo Brasileiro. Nascida no dia 11 de novembro de 1930, com um problema na visão que a deixou praticamente cega durante parte da sua vida, a escritora deixou cinco filhos, doze netos e publicou 35 livros.

Além de escrever livros que retratavam de forma quase que inédita no Brasil a condição da mulher na sociedade da época, como A Sexualidade da Mulher Brasileira, Rose foi importante para a disseminação de conteúdos estrangeiros sobre o tema, traduzindo e editando inúmeras publicações. Trabalhou durante 17 anos na Editora Vozes e depois fundou, junto com outras feministas, a  Editora Rosa dos Tempos (hoje pertencente à Editora Record), criada para difundir um instrumento que desse voz às mulheres.

De acordo com a professora da Universidade Federal Fluminense Hildete Pereira de Melo, a vida de Rose Marie Muraro foi influenciada pelo seu trabalho na Teologia da Libertação, segmento da Igreja Católica que transformou a vida da intelectual. Após publicar Por Uma Erótica Cristã, no entanto, as suas ideias não foram mais aceitas pela Igreja.

Hildete contou à Agência Brasil que outro papel fundamental da intelectual foi na promoção de um seminário, há 40 anos, que culminou com a criação do Centro da Mulher Brasileira. O “papel vital” de Rose se deu não apenas na fundação da organização feminista, mas também no financiamento para que tal empreendimento se viabilizasse.

“Ela é um patrimônio das mulheres brasileiras, pela sua inteligência, vivacidade, pelo desprendimento na luta para vencer o patriarcado da sociedade e o machismo, na luta pela liberdade política democrática e pela igualdade das mulheres. Hoje, as mulheres estão órfãs”, declarou Hildete, que prepara uma homenagem neste domingo com muitas flores, o que, segundo ela, era desejo de Rose Marie Muraro antes de falecer.

A ministra da Secretaria de Políticas para Mulheres, Eleonora Menicucci, participa do velório no Rio de Janeiro.

Com Agência Brasil

Tags: CÂNCER, feminista, morte, muraro, rose marie

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