Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Rio

Empresa de segurança Facility volta a atrasar salários de funcionários

Vigilantes estão há quase quinze dias sem receber e sem previsão

Jornal do BrasilGisele Motta *

Os funcionários da empresa de segurança Facility estão enfrentando novamente um problema que já se tornou rotina: salário atrasado. Segundo o vigilante João** que trabalha em uma escola da Zona Oeste, ele está esperando seu salário desde o dia 6 (quinto dia útil) quando deveria ter saído. “Amanhã é feriado, com certeza não sairá o pagamento. Sexta é um dia morto e sábado e domingo a empresa não paga. Fico imaginando se segunda feira teremos o salário. Estamos com os aluguéis, telefone, água, luz, colégio tudo atrasado, por causa dessa situação do pagamento”, denuncia o vigilante.

>>Depois de 48 dias em greve, vigilantes voltam ao trabalho

Além do salário atrasado, João reclama que não consegue falar com os supervisores. “Eles desligam seus rádios para não precisar dar explicações. Quando a gente consegue falar com os supervisores, eles falam que até o final do dia vai sair o pagamento. Falam isso desde a semana passada. Hoje seria um novo prazo, mas até agora nada. Eles estão brincando de enrolar os seus funcionários e enquanto isso estamos trabalhando. Trabalhamos o mês de maio de graça. E se faltamos, a chefia dos locais que trabalhamos entra em contato com a supervisão dizendo que o funcionário faltou e a empresa leva outro vigilante para trabalhar enquanto nós levamos falta”, completa.

João acha um desrespeito e tem medo de retaliação. “Até quando essa empresa vai fazer isso com a gente? Fica difícil porque prestamos um serviço para o Estado, e eles ficam empurrando, dizem que pagou a fatura, e a empresa diz que o governo não pagou a fatura e ninguém assume suas responsabilidades. Eu tenho medo porque eles são covardes, demitem por justa causa seus funcionários” completa.

Facility: problemas recorrentes com atrasos de salário
Facility: problemas recorrentes com atrasos de salário

Para ele, o jogo de empurra é absurdo “Isso não deveria existir. Se eu trabalho para a Facility, a empresa que tem que arcar com meu salário. Na hora de punir o vigilante, é a empresa que age, somos funcionários da empresa privada. Independente do repasse de dinheiro a empresa tem que arcar com os compromissos”, afirma.

João ainda denuncia que, desde que a empresa trocou de dono – no começo do ano ela foi comprada por um grupo investidor, e agora se chama Prol- a situação ainda não foi regularizada. “Ela foi vendida para outra empresa e mudou o nome mas seus funcionários ainda continuam usando o uniforme da Facility e com o nome da empresa na carteira. Além disso, eles demitem os funcionários e não comparecem na homologação para regularizar a situação".

O Sindicato dos Vigilantes do Rio de Janeiro (Sindvig) confirma a situação que a empresa coloca seus funcionários. “Desde que ela mudou de dono, a situação piorou. Todo mês eles estão atrasando e ninguém sabe direito quem são os donos, fazemos tudo sem saber muito bem quem realmente responde pela empresa”, comenta o vice-presidente do Sindicato dos Vigilantes do Rio (Sindvig), Antônio Carlos de Oliveira.

Ainda segundo ele, o sindicato já entrou em contato com a empresa sobre essa situação especificamente. Ele disse que a resposta foi que eles não tinham previsão e completou dizendo que o contato é difícil "Geralmente colocam advogados para falar conosco”, comenta. Oliveira informou que, visto a situação, essa semana o sindicato foi até o Ministério do Trabalho e pediu uma reunião em que a empresa esteja presente.

 Há oito dias, os vigilantes declararam o fim da greve que passava de um mês e terminou sem suas reivindicações atendidas. Os vigilantes aceitaram a proposta do Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Rio (Sindesp), de reajuste de 8%, passando o piso para R$ 1.066,00, tíquete refeição para R$ 13,00. A categoria queria reajuste de 10%, além de R$ 20 de tíquete refeição. Os grevistas conseguiram a garantia de não serem descontados pelos dias parados, tanto o salário quanto os benefícios. Eles também acordaram para a não punição aos grevistas, tendo a garantia de emprego por 90 (noventa) dias. 

Para João, as vezes o sindicato "tenta ajudar e atrapalha": "Eles fizeram uma greve para não aceitar o acordo de março. Mas acabaram aceitando meses depois e não recebemos ainda a incorporação de março", lamenta. 

O JB tentou contato com a Facility, mas não conseguiu falar com nenhum representante até o fechamento desta matéria. 

* Do programa de estágio do JB.

** O nome foI trocados por medo do vigilante de sofrer represálias. 

Tags: empresa segurança, facility, Rio, sindivig, vigilantes

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