Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Rio

Testemunhas de acusação depõem no caso de PMs acusados de forjar flagrante

Jornal do Brasil

A Auditoria da Justiça Militar do Rio de Janeiro ouviu na tarde desta quarta- feira, dia 11, quatro testemunhas de acusação no processo que apura denúncia do Ministério Público contra os policiais militares Fabio Pinto Gonçalves  e Bruno Cesar Andrade Ferreira, acusados de forjarem flagrante contra um manifestante durante o protesto pela greve dos professores, em setembro do ano passado, no Centro do Rio. Os dois réus respondem pelo crime de constrangimento ilegal.

A vítima, menor de idade, foi o primeiro a ser ouvido. Acompanhado de seu representante legal, disse que caminhava pela Avenida Rio Branco quando o major Fábio o interceptou ordenando a um grupo de policiais para que desse “uma dura na bolsa” do jovem. Assustado e nervoso, ele abriu a mochila e viu que o tenente Bruno levava um morteiro numa das mãos. O policial teria  revistado os pertences do rapaz, jogado o artefato no chão e olhado em direção ao major Fábio, que se aproximou e deu voz de prisão ao manifestante. “Você está preso porque  com três morteiros”, teria dito o militar.

O menor disse que não esboçou reação. No entanto, foi algemado e conduzido de forma violenta até a viatura. No caminho, segundo o rapaz, um grupo de manifestantes que presenciou o fato teria alertado os policiais que se tratava de um menor de idade e que o mesmo não portava artefato algum. Levado para a 5ª DP, o menor aguardou por quase duas horas até a chegada do major Fábio com os três morteiros. A mochila só foi encontrada dois dias depois, durante um movimento de ocupação política na Câmara dos Vereadores do Rio.

 

Sininho depõe

A ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, foi a segunda testemunha a ser ouvida. Ela afirmou conhecer a vítima de outras manifestações e que viu quando um outro rapaz que estava com um rojão foi abordado por um grupo de policiais militares. Na confusão, ele teria se desvencilhado e um dos PMs ficou com o artefato na mão.

Logo em seguida, na tentativa de alertar um grupo sobre o ocorrido, Elisa disse ter percebido que os mesmos policiais da ação anterior chegaram ordenando a revista das mochilas de cada um. A dinâmica, segundo a depoente, foi a mesma da situação anterior. O major Fábio teria se aproximado e dado voz de prisão ao menor, que, segundo ela, parecia assustado e sem entender o que acontecia. Elisa lembrou, ainda, que os policiais foram excessivamente agressivos durante a abordagem, machucando o rapaz com as algemas.

O terceiro depoimento da tarde foi o do sargento Alexandre Rocha. Apesar de ter algemado e conduzido a vítima até a viatura policial, ele não participou da abordagem. Disse não ter visto o morteiro e que não ouviu ninguém dizer que o rapaz era menor de idade. O sargento confirmou que a ordem de prisão partiu do major Fábio.

 O professor de História da rede estadual Eduardo Papargoeiros foi o último a depor. Afirmou que estava acompanhando o movimento grevista, quando observou movimentação em torno de um manifestante que escapou da abordagem policial. O depoente aproximou-se do major Fábio e perguntou o que aconteceu. Minutos depois, viu os mesmos PMs indo em direção a outro jovem, que foi acusado de estar com morteiros na mochila. O professor disse que tentou interceder a favor do rapaz, que aparentava ser menor de idade e que, pela lógica, nem poderia ser o mesmo da ação que ocorrera poucos minutos antes.

 Os acusados já foram ouvidos em audiência realizada no dia 30 de abril. As testemunhas de defesa vão prestar depoimento em outra sessão, ainda sem data marcada.

 

Tags: ativistas, depoimentos, justiça, MILITAR, sininho

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