Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Rio

A arte levando cor e vida na Rocinha

Jornal do BrasilDavison Coutinho *

O último domingo na Rocinha foi uma grande festa. Depois de um fim de semana de medo e terror vivido pelos moradores em mais um intenso tiroteio, diversos artistas levaram alegria para comunidade, na localidade da Rua 02, um dos pontos de maior violência nos últimos meses. O mutirão de arte nomeado de "Rocinha ConVida" apresentou como objetivo trazer artistas de varias localidades para oferecer cor e vida para comunidade.

A intervenção artística foi idealizada pelo morador Jorge Luiz, ou Kadinho, como é mais conhecido, junto com o artista Wark da Rocinha. Os moradores organizaram um grande mutirão de arte que contou com artistas de diversos locais da cidade e, inclusive, do exterior. A simples ideia se tornou um mutirão de arte que emocionou e alegrou os moradores da localidade. Além de oferecer uma boa oportunidade de interação entre os moradores e artistas.

Kadinho revela de onde surgiu a ideia: "O movimento surgiu porque a Rua 2 está passando um momento complicado e a gente queria trazer cor aqui pra rua, trazer alegria. Falei com o Wark, que tem uma escolinha de grafite na Rocinha e conhece vários artistas de fora. Ele abraçou a ideia e foi uma união que deu certo. São várias pinturas muito bacanas".

"O desejo surgiu pelo que está acontecendo, hoje, na comunidade. Após a pacificação, a rua 2 foi um dos locais que sofreu com a violência. Então, fui convidado para pintar na rua 2. Convidei alguns amigos para trazer cor e vida para essa área que está muito apagada. Assim, vários artistas quiseram participar e  a brincadeira se tornou um mutirão. Tem artista de Petrópolis, Argentina, entre artistas com trabalhos valorosos em galerias, mas que vieram investir o dia de domingo aqui na Rocinha. É muito interessante a interação dos moradores com pessoas de outros estados e de outros países, classe média com favelado. É algo cultural que tem que acontecer nas comunidades. Esse foi o primeiro RocinhaConvida, e tem o sentido da Rocinha convidar e trazer vida através das cores", diz Wark, que é artista da Rocinha e idealizador do Instituto Wark, onde ensina grafite as crianças e jovens.

A riqueza do evento foi de poder ter as tintas doadas pelos próprios moradores da Rocinha que abraçaram a causa e acreditaram na mudança através da arte. E agora, os becos e vielas apagados e sem vida revelam a esperança de um futuro melhor.

A verdadeira transformação acontece por meio da arte e educação. Eventos organizados, como esse mostram a capacidade e desejo de de nossos moradores em transformar e melhorar o cotidiano e a história da favela.

Parabéns aos idealizadores, artistas e moradores!

* Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.

Tags: Arte, artista, muros, rocinha, violência

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