Jornal do Brasil

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Rio

Dilma inaugura BRT e assina contrato bilionário de investimento no Rio

Evento contou com a presença de sambistas da Portela

Jornal do BrasilClaudia Freitas

A presidente Dilma Rousseff inaugurou, na manhã deste domingo (1/6), as obras de ampliação do Terminal 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, Zona Norte da cidade, além do BRT Transcarioca, que liga o aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca. Durante o evento, foi assinado um contrato entre o prefeito Eduardo Paes (PMDB-RJ), Dilma e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Wagner Bittencourt, destinando R$ 3 bilhões até as Olimpíadas de 2016 para a construção de mais dois BRTs e na revitalização da Zona Portuária. 

Do montante desse contrato, R$ 2,7 bilhões serão investidos pelo BNDES e o restante pelo governo estadual. As obras vão incluir a construção de um BRT Transolímpica, a ligação entre o BRT Transolímpica e Transbrasil e a duplicação do Elevado do Joá, que liga a Zona Sul à Barra da Tijuca. A presidente Dilma Rousseff fez questão de frisar que os investimentos feitos no Rio não são "nenhum legado" da Copa, mas para o "povo brasileiro". 

Além de Dilma e Paes, o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o presidente da Alerj, Paulo Melo (PMDB), o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (PMDB), o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) também compareceram ao evento. O prefeito agradeceu a presença de Dilma e relembrou que, em 2009, quando aconteceu a primeira reunião para debater o projeto da Transcarioca, a presidente compareceu no Palácio da Cidade na condição de ministra e deu a sugestão de aplicar os R$ 2 bilhões em obras no período da Copa.

Dizendo que tomaria cuidado para não ser “eleitoral”, Paes disse que “a cidade andou para trás durante as administrações anteriores” e exaltou a parceria entre os três governos para a melhoria da qualidade de vida do carioca. Admitiu que as obras estão sendo entregues com três meses de atraso, justificando o fato pela complexidade da tecnologia aplicada no novo sistema de mobilidade da cidade. Se referindo a Sergio Cabral como “Cabralzinho”, o prefeito disse que, “graças ao governo do estado, quatro comunidades foram pacificadas no trajeto entre o Galeão e Madureira”. Em clima de campanha, o prefeito destacou diversas vezes durante o seu discurso que o palanque estava formado por governos parceiros e a importância das parcerias para melhora a vida do carioca. 

O governador Pezão retribuiu os elogios de Eduardo Paes, chamando-o de "melhor prefeito do planeta" e ainda afirmou que a administração municipal está funcionando como uma "máquina azeitada" nas parcerias com os governos estadual e federal. Pezão ainda chamou Paulo Melo de "meu vice" e destacou projetos de moradia e mobilidade que estão em desenvolvimento em parceria com o governo federal, como o "Minha Casa Minha Vida". 

Apesar de não ser mais governador do Estado e de ter oficializado a sua candidatura ao Senado Federal na última quinta-feira (29), Sérgio Cabral discursou antes de Pezão, por quem foi chamado de governador. “É uma alegria muito grande ver essa parceria se concretizando”, disse Cabral, se referindo à relação entre os governos municipal, estadual e federal. O ex-governador também disse que, “graças ao BRT, o sistema de metrô e trens melhorou muito” e afirmou que o “BRT trouxe mais conforto para a cidade, especialmente para o subúrbio”. Cabral também disse que as obras “geraram muitos empregos”.

O samba marcou a cerimônia com a presença da bateria da Portela. Sambistas como Monarco da Portela, Nelson Sargente e Dona Ivone Lara foram cumprimentados pela presidente, que estava vestida de azul e usou um chapéu durante todo o evento para combinar com a bateria da Portela. No seu discurso, Dilma disse que os BRTs vão melhorar a vida dos moradores do subúrbio, se referindo ao bairro de Madureira como "o coração do Rio". Ela também afirmou que as obras não foram realizadas para a Copa do Mundo, mas para a população. "Todos nós, a partir da Transcarioca, vamos começar a melhorar todos esses bairros. Estamos dando visibilidade ao subúrbio. O Rio de Janeiro está aqui. Durante muitos anos essa região não foi visível. Mas agora será visível. Diziam que a Copa não tinha legado nenhum. Eu acho que nenhum legado é da Copa. Todos os legados são do povo brasileiro", afirmou a presidente.

Dilma comentou também sobre a inauguração do Terminal 2 do Galeão, que dobrou a capacidade de passageiros, que era de 33 milhões de usuários por ano e passou para 113 milhões. A presidente disse que o governo federal recebeu críticas por ter 'transformado os aeroportos em rodoviárias'. Ela elogiou a tecnologia do BRT, destacando que o principal benefício para a população é a economia de tempo que o transporte oferece. Após fazer o percusso Galeão-Madureira no ônibus do BRT, Dilma disse que "os ônibus parecem trens. São trens sob rodas. Percorrem uma via especial. Uma espécie de canal feito pelas ruas, com uma rapidez fundamental".

No palanque, o clima era de celebração, mas, enquanto a cerimônia acontecia, professores protestavam do lado de fora da Estação do BRT Viaduto Silas de Oliveira, em Madureira. A greve em nível municipal e federal acontece desde o dia 12 de maio. Os professores reivindicam que as promessas feitas pelos governos durante a última greve, em 2013, sejam cumpridas. A última paralisação durou 70 dias.

Dilma chegou ao Rio na noite de sábado. Pela manhã, a presidente participou da inauguração das obras de ampliação do Terminal 2 do Aeroporto no Galeão, na Ilha do Governador. Luis Fernando Pezão, Eduardo Paes e o ministro da Aviação, Moreira Franco, também compareceram. Apesar de não discursar durante o evento, Dilma andou pelo Terminal 2 e descerrou a placa de inauguração. Após o primeiro compromisso da agenda, a presidente seguiu para a cerimônia de inauguração da Transcarioca.

Obras e sistema de mobilidade inaugurados ainda precisam de finalização 

A primeira linha das sete que vão compor o BRT da Transcarioca começa a operar nesta segunda-feira (2/6). Ela vai ligar o trecho da Barra da Tijuca, no Terminal Alvorada ao Tanque, em Jacarepaguá. Esse percusso tem 19 estações. Inicialmente, o horário de funcionamento será apenas entre 10h e 15h, ou seja, intervalo entre os horários de pico. Já a segunda linha, ligando o aeroporto do Galeão à Barra, só entrará em funcionamento na quarta-feira (4), das 5h às 23h, com parada em Vicente de Carvalho, fazendo a integração com o metrô. 

Segundo a prefeitura, as linhas do BRT serão colocadas em operação de forma gradativa, visando uma melhor adaptação dos usuários aos sistema. O governo municipal afirmou também que não há prazo final para que todas as linhas do BRT Transcarioca estejam circulando.

E no Aeroporto do Galeão, apesar da inauguração do Terminal 2, a área pública ainda apresenta problemas na infraestrutura. A esteira que auxilia os passageiros com as bagagens, por exemplo, estavam paradas neste domingo (1). Os muitos tapumes na área interna do embarque do Terminal 2 chamam a atenção dos passageiros. 

O ministro da Aviação, Moreira Franco, que acompanhou a visita da presidente Dilma Rousseff, garantiu que o país está preparado para receber a Copa e as obras inacabadas serão concluídas, parte delas até o dia 12 de junho. Pelas estatísticas oficiais, cerca de 19 milhões de passageiros devem passar pelo Galeão esse ano. 

Dilma volta exaltar parceria entre governos na inauguração de unidades habitacionais

A presidente Dilma Roussef também participou neste domingo (1) a entrega de 564 unidades habitacionais do programa "Minha Casa, Minha Vida", no Conjunto de Favelas de Manguinhos, na Zona Norte do Rio. Na cerimônia, a presidente ressaltou a importância do programa habitacional, afirmando que ele deu “dignidade” para famílias que viviam em locais muito precários. Dilma citou o exemplo da presidente da Associação de Moradores da Comunidade CCPL, Cândida Maria Privado. 

>> Cerca de 560 famílias recebem chaves de apartamentos em Manguinhos, no Rio

Dilma voltou a exaltar a parceria entre os governos federal, municipal e estadual nas obras do programa habitacional no Rio, ressaltando que o atual governador Pezão sempre esteve presente nessas negociações. A parceria, segunda a presidente, começou no governo Lula e se intensificou na sua administração. Ela explicou que o Minha Casa Minha Vida deu origem a outros programas desenvolvidos no estado, nas obras do Pac. Considerou que a inauguração na Comunidade CCPL é uma "prova" de que a parceria entre governos e comunidade muda a realidade.

Protestos contra os governos municipal e estadual marcaram as inaugurações

Manifestações contra os governos municipal e estadual marcaram as inaugurações que a presidente Dilma Rousseff participou neste domingo (1). Durante o evento do BRT na estação Madureira, Zona Norte, um grupo de professores da rede pública do Rio protestavam do lado de fora da estação, no Viaduto Silas de Oliveira. Os profissionais estão em greve desde o dia 12 de maio e alegam que a prefeitura e o Estado não cumpriram o acordo firmado durante a greve de 2013, que durou 70 dias.

Um grupo de moradores de Madureira também protestaram na subida do Viaduto Silas de Oliveira. Com cartazes e palavras de ordem eles podiam obras de infraestrutura para a região. "Vamos comemorar a Copa? Sim, vamos. Mas também queremos uma vida digna e respeito. A nossa rua está largada às moscas", disse o analista de sistema Rafael Barbosa, de 25 anos.

Rafael é morador da Rua Padre Manso, que fica próxima à estação Madureira do BRT. Segundo ele, no local há esgoto à céu aberto e as autoridades já foram comunicadas da precariedade, mas não tomam providências há anos.

Tags: brt, cabral, Copa, dilma, olimpíadas, Paes, pezão, Rio

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