Jornal do Brasil

Sábado, 22 de Novembro de 2014

Rio

Professores mantêm greve e fazem passeata no Centro

Outro protesto contra a Copa tumultuou ainda mais o trânsito

Jornal do Brasil

Em assembleia conjunta no Clube Municipal, na Tijuca, os professores das redes estadual e municipal do Rio decidiram manter a greve. Na próxima quinta-feira (5), quando a paralisação completa 25 dias, haverá nova reunião da categoria para discutir os rumos do movimento. Antes disso, na terça-feira (3), eles terão uma audiência no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), para discutir a greve e a decisão do próprio TJ, que considerou, na última terça-feira (27) a paralisação ilegal. 

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Segundo informações de representantes do Sindicato dos Profissionais da Educação do Estado do RJ (Sepe), cerca de 3 mil professores saíram do Clube Municipal, na Tijuca, em passeata até a sede da prefeitura, na Cidade Nova. A Avenida Presidente Vargas foi interditada ao trânsito, o que provocou grandes congestionamentos na região.

Um outro protesto, desta vez contra a Copa do Mundo, também ocorreu no Centro. Os manifestantes saíram por volta das 18h da Candelária em direção à Central do Brasil. O ato, convocado pelo Comitê Não Vai Ter Copa, reuniu jovens mascarados e vestidos de preto. Um deles segura um cartaz com os dizeres: “Queremos escolas, metrôs, trens, ônibus e hospitais padrão FIFA”. 

Policiais do Batalhão de Policiamento de Choque (BPCHq) e do 5º BPM (Praça da Harmonia) estavam espalhados em pontos estratégicos do Centro. 

Um homem fantasiado de Batman atraiu a atenção de todos, pois carregava um cartaz com a mensagem “Ronaldo traidor. Você é que vai levar cacete”, escrita em português e inglês.

Logo em seguida, os manifestantes saíram da Avenida Presidente Vargas e tomaram parte da Avenida Rio Branco em direção à Cinelândia.

Professores consideram injusta decisão da Justiça sobre a greve

Sobre a decisão da justiça de decretar a greve ilegal, o tom é de injustiça. “Somos totalmente contrários ao governo querer judicializar o nosso direito de reivindicação. Não tem como questionar que nós temos razão nas propostas”, comenta Adriano Santos, um dos coordenadores do Sepe. Segundo ele, o departamento jurídico do sindicato está ciente da greve ter sido considerada ilegal e da multa diária de R$ 300 mil e está tentando contornar a situação. “Na audiência de conciliação, espero que haja um entendimento do governo para estarmos em greve. O governo precisa negociar”, completa Adriano.

Sobre a reunião que aconteceu ontem, o Ministério da Educação informou que os “servidores saíram bastante satisfeitos, como repercutiu na imprensa”. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, eles não têm informações sobre as decisões da reunião, possíveis negociações nem o que será feito caso os grevistas continuem paralisados durante a Copa do Mundo.

Para Suzana Gutierrez, outra coordenadora do Sepe, a greve ilegal é um retrocesso. “Lamentamos muito essa posição da justiça, porque ela deveria estar investigando onde está  o dinheiro da educação, como temos pedido, através de transparência que não nos é dada”, critica.

Sobre a reunião que aconteceu na última quarta-feira (28), entre o Sepe e a secretária municipal de Educação do Rio, Elena Bomery,  e que acabou em confusão, com uma professora presa e outros cinco feridos, Suzana diz que não representou nenhum progresso. A Secretaria Municipal de Educação (SMS) solicitou, durante o encontro, que fossem entregues estudos técnicos e jurídicos que justifiquem cada item da pauta de reivindicações da categoria. “Para nós, essa decisão configura um descaso do governo com a educação e um atraso nas negociações, uma vez que já encaminhamos ofícios desde o começo da greve. Algumas questões, como redução da carga horária, a discussão de 1/3 das atividades extra-classe poderiam estar sendo negociadas, mas eles nos pedem para encaminhar novamente os ofícios, para aí marcar uma nova reunião”, completa.  

A Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) informou que além da primeira reunião no dia 29 de abri, foram marcadas mais duas reuniões que o Sepe não compareceu. Eles afirmam que eles não querem reuniões. O Sepe rebate que não compareceu pela presença obrigatório da União dos Professores Públicos no Estado (Uppes). Para Marta Moraes, a decisão de fazer uma reunião com um sindicato que não está em greve e não abrir negociação com o Sepe foi autoritária.

“Fundamentalmente continuamos numa discussão que a prefeitura precisa ter transparência, para provar o que diz: que não tem como nos pagar. Queremos saber onde está esse dinheiro porque temos uma verba carimbada. Nós queremos que o governo apresente planilhas detalhadas também”, completa. 

Além de 20% de aumento, os professores querem a implementação da lei que garante 1/3 do tempo destinado ao planejamento de aulas e atividades extra-classe, assim como realização de concursos para a categoria e redução da carga horária para 30 horas para os funcionários.

Tags: assembléia, greve, prefeitura, professores, Rio, tropa de choque

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