Jornal do Brasil

Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Rio

Sepe terá audiência de conciliação no TJ-RJ na próxima terça

Professora presa durante manifestação foi liberada. Cinco pessoas ficaram feridas

Jornal do Brasil

O Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (Sepe-RJ) foi notificado nesta quinta-feira (29) pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ) para uma audiência de conciliação na próxima terça-feira (3). A professora da rede pública, identificada como Luana, detida na tarde de ontem durante manifestação da categoria no Centro, foi liberada depois de prestar depoimento na 17ª D.P. (São Cristóvão). Ela foi acusada de agressão pelos PMs. Nas duas confusões que marcaram o protesto, cinco professores ficaram feridos e foram levados para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Um deles, identificado como Gustavo, deve passar por cirurgia, segundo as informações do Sepe.

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Gesa Linhares, uma das coordenadoras do Sepe, confirmou nesta quinta-feira que o sindicato recebeu o comunicado  do TJ-RJ, convocando para uma audiência de conciliação na próxima terça-feira. Com isto, a categoria deve ter uma nova assembleia na quarta-feira (4), para definir os rumos da greve. "A comissão do Sepe, para essa audiência, deve ser formada por cinco profissionais da direção e cinco da base. Não vamos definir nada sem a presença da categoria, ou seja, vamos dialogar com a Justiça e levar as propostas para uma assembleia que naturalmente deve acontecer no dia seguinte", explicou. Na terça-feira passada (27), a desembargadora Leila Mariano, presidente do TJ-RJ, considerou ilegal a paralisação dos profissionais de educação. 

Na assembleia marcada para esta sexta-feira (30), serão apresentados todos os resultados dos encontros com o governo durante a semana e mais as propostas que serão levadas à Justiça. As reivindicações incluem aumento de 20% dos salários, equiparação da hora aula, o uso de um terço da carga horária fora da sala de aula, a valorização do tempo de formação e serviço no plano de cargos e salários do município. Em nota, a SME disse que no encontro com representantes do Sepe foi solicitado um estudos técnicos e jurídicos que justifique cada item da pauta de reivindicações da categoria, que deve ser apresentado pelo sindicato já no próximo encontro das partes. 

Na manhã desta quinta, Gesa disse que a categoria repudiou a forma "truculenta" que a Polícia Militar agiu na manifestação pacífica realizada no dia anterior. "É lastimável, porque eles [PMs] estão obedecendo ordens das autoridades, dos governos municipal e estadual. É lastimável ainda que também não conseguimos abrir um canal de comunicação com os governantes. Mas estamos aqui dispostos a começar a dialogar a qualquer momento", afirmou. Em greve desde o dia 12 de maio, a categoria alega que a prefeitura e o Estado não atenderam às reivindicações acertadas na greve do ano passado, que durou 70 dias. 

Gesa contou que quando os confrontos começaram entre policiais e os poucos grevistas que estavam em frente a prefeitura, na Cidade Nova, um grupo de representantes do Sepe era recebido pela secretária municipal de Educação (SME), Helena Bomeny. "Na verdade, a nossa intenção era chegar ao prefeito Eduardo Paes, para abrir um canal de diálogo. Porque até agora, nada. E sabemos que o poder executivo tem poder de decisão nessas questões, envolve novos planejamentos, convocação de concurso público e outras medidas importantes." Gesa ressaltou que os professores querem conhecer e avaliar a planilha com o cálculo de impacto que comprova a inviabilidade do reajuste da categoria: "Se não há condições do governo pagar a categoria, então nos apresente essa matemática."

A segunda confusão aconteceu na porta da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), no Santo Cristo, Zona Portuária, para onde os manifestantes caminharam. "Enquanto a gente tentava chegar ao prefeito e até o Pezão [governador do Rio, Luiz Fernando Pezão], chegou a notícia que havia professores feridos e um forte confronto com a PM. A gente foi para a Seduc e vimos a professora ser algemada e presa. É uma atitude arbitrária e desnecessária da PM. Não somos bandidos, apenas estamos na nossa campanha salarial de 2014", disse. 

Gesa comentou ainda que recebeu a informação de que quatro professores estavam feridos e tinham sido encaminhados ao Hospital Souza Aguiar. Segundo ela, uma professora idosa que trabalha em uma escola na Ilha do Governador passou mal com o gás lacrimogênio arremessado pelos policiais e um outro professor, que ela identificou apenas como Gustavo, foi agredido com golpes de cassetete na cabeça e precisou de sutura. Um terceiro, também chamado Gustavo, sofreu deslocamento no ombro e corre risco de passar por cirurgia. 

Em nota, a Polícia Militar esclareceu que policiais do 4° BPM (São Cristóvão), 5º BPM (Centro) e do Batalhão de Policiamento em Grandes Eventos (BPGE) foram acionados para acompanhar manifestação de cerca de 300 pessoas na Avenida Presidente Vargas, próximo à sede da Prefeitura. Porém, os manifestantes tentaram obstruir o trânsito na avenida e os PMs desobstruíram o bloqueio utilizando artefatos de efeito moral. Um manifestante se feriu e uma professora foi conduzida à 17ªDP (São Cristóvão) sob acusação de agredir um dos policiais. Um policial militar também ficou ferido sem gravidade.

Tags: ensino, MILITAR, Paes, pezão, polícia, profissionais, Rio

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