Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Rio

Pais de alunos criam grupo para apoiar professores em greve

Jornal do BrasilGisele Motta*

A maioria dos pais quer seus filhos na escola, mas um grupo de pais e mães que apoiam a greve dos professores prefere que eles fiquem sem aula. Por quê? Eles acreditam que vale a pena se os professores conseguirem o investimento que precisam para fazer um trabalho melhor. O grupo de pais participa de um site, o Panela de Pressão, que ajuda em mobilizações populares. Eles querem pressionar o prefeito e outras entidades públicas para cumprir o acordo com os professores da última greve e fazer mais investimentos na educação. 

Mira Caetano é mãe de Arthur, que estuda na Escola Municipal Friedenreich, no Maracanã, ameaçada de demolição ano passado. O grupo de pais busca mostrar como o apoio de toda população é importante. "Pretendemos apoiar o movimento porque acreditamos que a educação pública carioca está abandonada e apenas com a mobilização de toda a sociedade podemos mudar esse quadro", comenta Mira. 

Ela diz que os pais estão presentes junto com os professores e têm ido aos atos da educação e assistido às assembleias. "Temos também organizado reuniões nas escolas para conscientizar as comunidades da necessidade de lutar em defesa da qualidade do ensino e em defesa do futuro dos nossos filhos", completa. 

Pais criaram um blog e uma hashtag #eduardocumprajá para apoiar os professores
Pais criaram um blog e uma hashtag #eduardocumprajá para apoiar os professores

Mira diz que a escola que seu filho estuda é excelente, diferente de muitas outras da rede municipal. Porém, por causa do salário baixo, os professores são obrigados a dar aulas em várias turmas, o que acaba diminuindo a qualidade do ensino. "Diferente de outras escolas municipais, a escola do meu filho tem uma boa estrutura com quadra coberta e biblioteca com profissional competente e dedicado para orientar as crianças. No entanto, o laboratório de informática não funciona e fruto do salário defasado muitos professores são obrigados a fazer "dobras". Acredito que o trabalho dos profissionais seria ainda melhor caso  tivessem melhores salários e mais tempo de preparação de aulas, dedicando-se assim mais para cada turma", comenta. 

Outra questão que preocupa a mãe na escola de seu filho é o transporte: "Não temos passarela, nem faixa de pedestres na frente do prédio, o que dificulta o acesso na entrada e saída, para quem vem de transporte coletivo. Os pais que vem de carro tem sido constantemente multados por estacionar no espaço ao lado da escola", completa. 

O grupo de pais tem reivindicações específicas que acreditam melhorar a educação das crianças e vão ao encontro do desejo dos professores. Eles querem o cumprimento do acordo da greve 2013; a redução do número de alunos em sala de aula com ampliação do número de turmas através de concurso público para professores e pessoal de apoio; melhoria na infraestrutura das escolas ( mais laboratórios, brinquedotecas, quadras cobertas, climatização etc); melhoria no sistema de alimentação com concurso para cozinheiras e aumento do tempo de almoço das crianças; autonomia pedagógica do professor para escolha do material didático e democracia nas escolas com maior participação de responsáveis, educadores e alunos nas decisões pedagógicas e orçamentárias das escolas.

O Panela de Pressão faz um contato direto com políticos e autoridades responsáveis pela educação. O contato é via Facebook, Twitter, email e telefone. No site, você pode enviar um email para autoridades e participar pelas redes sociais com a hastag #eduardocumprajá. Segundo Mira, além de tentar fazer pressão online,os pais costumam estar presentes nas manifestações dos professores e pretendem fazer atividades de mobilização em breve. 

*Do Programa de Estágio do JB

Tags: alunos, greve, grupo, país, panela de pressão, professores, Rio

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