Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Rio

Policiais civis do Rio cobram incorporação de gratificação aos salários

Agência Brasil

Policiais civis do estado do Rio de Janeiro fizeram um ato em frente ao Teatro João Caetano na manhã de hoje (27) para cobrar a incorporação da gratificação de R$ 850 do projeto Delegacia Legal ao salário-base de ativos, aposentados e pensionistas. Dentro do prédio, o governo fez uma cerimônia para premiar as unidades das polícias Civil e Militar que atingiram as metas de combate à criminalidade no segundo semestre do ano passado.

O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Francisco Chao, afirmou que não se tratou de um protesto, mas de uma lembrança ao governador Luiz Fernando Pezão, que prometeu aos policiais enviar à Assembleia Legislativa até o dia 12 de junho um projeto de lei que contemple o pedido.

"Estamos aqui com o intuito de pacífica e ordeiramente lembrarmos que o compromisso está ai. Esperamos sinceramente que não seja mais um dos muitos compromissos em vão que nós temos ouvido ao longo desses doze anos", disse Chao, que comparou a situação dos policiais civis a dos policiais militares (PMs): "um PM, quando se reforma, se reforma em um posto acima, aumentando seu soldo [salário]. Quando nós, policiais civis, nos aposentamos, perdemos um terço dos nossos salários. Essa é a grande questão."

Em seu discurso na premiação, Pezão disse que deixará como legado um ganho permanente para os policiais civis e militares. "Eu tenho consciência de que a remuneração de vocês tem que melhorar mais ainda. E vou melhorar. Vou deixar como legado conquistas permanentes para todos vocês. Mais conquistas".

O comandante da Polícia Militar, coronel José Luís Castro, reconheceu que a premiação de hoje foi a que teve o menor número de policiais contemplados, mas destacou que a Polícia Militar prendeu e apreendeu 37 mil pessoas no ano passado, um recorde, com crescimento de 25% em relação ao ano anterior. Neste ano, os números já são 10% maiores e a previsão é que se chegue a 39 mil detidos. "E isso foi conseguido com uma redução dos autos de resistência. Isso não é enaltecido", criticou o comandante, que pediu que sejam discutidos a redução da maioridade penal, os critérios para benefícios a presos, e punições aos reincidentes.

O secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, também admitiu o fato de o teatro "não estar tão cheio" de policiais premiados, e argumentou que o combate à criminalidade não depende somente de avanços nas polícias, mas das mesmas discussões levantadas por Castro: "A atividade operacional da polícia nunca foi tão boa, e a criminalidade não baixa. É óbvio que isso não é problema só das forças de segurança", disse Beltrame, que também pediu mudanças legislativas. "Chegamos a um divisor de águas: ou o Estado Brasileiro analisa essas questões de outras formas, ou precisaremos de verdadeiros exércitos chineses de policiais", avaliou.

A premiação do Sistema Integrado de Metas da Secretaria Estadual de Segurança Pública vai pagar R$ 27 milhões de reais a quase 3 mil policiais das duas forças. As áreas integradas de segurança pública de Campo Grande e Petrópolis empataram em primeiro lugar e, por isso, todos os servidores lotados no 40º Batalhão da Polícia Militar (BPM), de Campo Grande, na 35ª Delegacia de Polícia (DP),  de Campo Grande, no 26º BPM, de Petrópolis, na 105 ª DP, de Petrópolis,  e na 106 ª DP, de Itaipava, receberão um bônus de R$ 13,5 mil. A área integrada de segurança pública de Barra do Piaí foi a terceira, e seus servidores receberão prêmio de R$ 6,75 mil.

O bônus também foi pago a três unidades especializadas da Polícia Civil e mais três da Polícia Militar. Na civil, a primeira colocada foi a Delegacia do Consumidor, seguida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Belford Roxo e pela Divisão de Homicídios da Capital, com bônus de R$ 13,5 mil, R$ 9 mil e R$ 6,75 mil, respectivamente. As mesmas premiações foram pagas aos servidores do Regimento de Polícia Montada, do  Grupamento Aeromóvel e do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope),  três primeiros colocados na corporação militar.  

Tags: civis, negociação, paralisação, RJ, Salário

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