Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Rio

Justiça do Rio ouve réus do caso Santiago nesta sexta

Portal Terra

A Justiça do Rio retoma nesta sexta-feira a audiência de instrução e julgamento sobre a morte  do cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade. Ele foi atingido por um artefato explosivo quando cobria uma manifestação no Centro da capital, no início de fevereiro deste ano. 

Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza são acusados dos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado (por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo). Nesta sexta serão ouvidas três testemunhas arroladas pela defesa. Em seguida, o juízo irá interrogar os réus. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, o cinegrafista chegou em coma ao hospital municipal Souza Aguiar. Ele sofreu afundamento do crânio, perdeu parte da orelha esquerda e passou por cirurgia no setor de neurologia. A morte encefálica foi informada em 10 de fevereiro, depois do diagnóstico da equipe de neurocirurgia do hospital.

Caio Silva de Souza e Fábio Raposo são acusados de acender e soltar o rojão que provocou a morte de Santiago. De acordo com a denúncia do Ministério Público, “Fábio e Caio foram caminhando, lado a lado, com camisas enroladas na cabeça, estando Fábio ainda se utilizando de uma máscara à prova de gás, até próximo ao local onde o rojão foi acionado. Fábio, então, entregou o artefato para Caio e se posicionou de forma a poder observar o resultado de sua ação criminosa. Caio colocou o rojão em um canteiro e o acionou, afastando-se correndo do local”.

O MP afirma também que os dois jovens dividiram previamente suas tarefas em meio ao protesto e que, ao acender o rojão, os dois queriam “causar um grande tumulto no local, não se importando se, em decorrência dessa ação”. ”Com Fábio entregando para Caio o rojão com a finalidade, previamente por ambos acordada, de direcioná-lo ao local onde estava a multidão e os policiais militares e, assim, causar um grande tumulto no local, não se importando se, em decorrência dessa ação, pessoas pudessem vir a se ferir gravemente, ou mesmo morrer, como efetivamente ocorreu”, afirma a denúncia.

Nesta quinta-feira foi realizado um "júri simulado" para o caso com Raposo e Souza em protesto pela acusação de crime doloso, com intenção de matar, contra os ativistas. A defesa chegou a solicitar que réus respondam em liberdade, alegando que eles não ameaçam a ordem pública, mas o juiz da 3ª Vara Criminal, Murilo Kieling, negou a solicitação de soltura, por achar que não houve mudança nas condições dos réus. 

Tags: band, cinegrafista, julgamento, morte, Tribunal

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