Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Rio

Caso Santiago: réus não falam e defesa quer anular julgamento 

Portal Terra

Retomada nesta sexta-feira, a audiência de instrução e julgamento do caso Santiago de Andrade, que apura a responsabilidade dos ativistas Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza na morte do cinegrafista da Band, durou menos de 10 minutos. Os réus, que seriam interrogados hoje, preferiram ficar em silêncio, e a defesa de Caio dispensou as testemunhas. Em seguida, o juiz Murilo Kieling encerrou a sessão.

Santiago foi atingido por um artefato explosivo enquanto cobria uma manifestação no centro da capital em fevereiro deste ano. Fábio Raposo Barbosa e Caio Silva de Souza são acusados dos crimes de explosão e homicídio doloso triplamente qualificado (por motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e uso de explosivo). 

Os advogados decidiram fazer as alegações por escrito depois que o juiz Kieling negou o pedido de troca de testemunhas - Antônio Pedro Melchior, advogado de Caio, assumiu o caso no começo do mês. 

Para Melchior, que pretende pedir a nulidade do julgamento, Caio não teve, desde o princípio, direito a ampla defesa uma vez que o primeiro advogado do caso, Jonas Tadeus, o defendia e defendia Raposo ao mesmo tempo.  Além disso, o julgamento estaria sendo realizado sem que provas solicitadas pelo Ministério Público tivessem sido anexadas aos autos. 

“O Caio não estava sendo defendido, a defesa era colidente. Não foi requerida nenhuma diligência, reconstituição, ofícios pedindo imagens. Vou lutar no tribunal pela nulidade deste processo”, afirmou. Melchior explica que o advogado anterior tinha arrolado duas testemunhas de caráter, a fim de atestar que Caio era uma boa pessoa, mas que não tinham nenhuma relação com o fato, em vez das 16 a que tinha direito.  “Como o juiz indeferiu o pedido de mudança de testemunhas, não havia porque o Caio falar.”

Para o advogado, há também excesso na acusação, que pede condenação pro crime doloso, quando há intenção de matar, e a pressa em terminar o julgamento antes da Copa do Mundo. “Processo penal está sendo usado com fim de constranger as manifestações durante o Mundial”.

Ele pede ainda a retirada do depoimento que Caio prestou a polícia confessando que lançou o rojão. O advogado considera que o seu cliente foi constrangido a falar. “Ele prestou essa declaração dentro do cárcere, sem advogado, de madrugada, no mesmo dia em que pediu para exercer o seu direito de só falar perante o juiz”.

Tags: band, cinegrafista, julgamento, mortem, Rio

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