Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Rio

Campanha mundial contra discriminação faz ato no Cristo Redentor

Agência Brasil

Aos pés do Cristo Redentor, um grande ato celebrou hoje (23) o respeito aos direitos humanos e o combate à discriminação. A cerimônia foi parte da iniciativa mundial Zero Discriminação, do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), e da campanha "Somos todos iguais", da Reitoria do Cristo Redentor e da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

A imagem da campanha é uma borboleta, símbolo de um processo de transformação, que representa o compromisso de cada um em assumir um comportamento aberto à diversidade e à tolerância. De acordo com a diretora do Unaids no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, a iniciativa foca no combate à discriminação e a todos os fatores sociais que deixam as pessoas mais vulneráveis à epidemia de HIV/Aids.

“A discriminação tem um impacto bem negativo, a gente vê que em algumas cidades 20% dos casos de Aids só são detectados no óbito. Quer dizer que a pessoa passou por todo o sistema e não se testou, e acabou falecendo devido à Aids, sendo que o tratamento está aí, é gratuito, é distribuído pela rede de saúde, o teste é gratuito. Então, as pessoas não estão acessando. Isso é pelo medo da discriminação”, disse ela.Georgiana lembra que o problema da Aids continua muito grave, e tem afetado a juventude: “Hoje, o jovem que não viu a epidemia de 30 anos atrás, que não viu ídolos como Cazuza morrerem, estão se infectando, não estão se cuidando, não estão usando o preservativo, não estão se testando. Estamos vendo essa volta do jovem se infectando, é bem preocupante, e não só HIV, mas também com outras doenças sexualmente transmissíveis, como a sífilis”.

Os netos do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela, Kweku e Ndaba, participaram do ato, representando a nova geração na luta contra a discriminação, iniciada pelo avô. Kweku lembra que Mandela foi um símbolo mundial pela busca da igualdade: “Ele mostrou que mesmo quando você se sente oprimido, pode superar. Nós temos muitos problemas ao redor do mundo, violência doméstica contra as mulheres, abusos contra as crianças, ou estigma contra o HIV/Aids, mas o importante é que nós, como comunidade, começamos a lutar contra isso”.

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta, lembra que, independentemente da religião de cada um, a mensagem deixada por Jesus era de respeito e amor ao próximo: "Nós vemos que a doença, a religião, muitas vezes a raça, as etnias, acabam perseguidas por divulgar suas ideias. Nós queremos fazer aqui, aos pés do Redentor, esse evento para dizer que Cristo nos ensinou a amar uns aos outros. Se nós realmente nos amarmos, não vamos fazer mal aos outros. Jesus ensinou que o que você quer que façam por você, faça para os outros. Se você quer ser respeitado e amado, comece a fazer para os outros, seja lá qual religião for, qual ideia for”.

 

Tags: celebração, cristo, homofobia, orani, Rio

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