Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Rio

Envelhecimento de fotos poderá ajudar a encontrar meninas desaparecidas

CPI da Exploração Sexual fez diligência no RJ. Estado vai ganhar Delegacia de Pessoas Desaparecidas

Jornal do BrasilCláudia Freitas

A CPI da Exploração Sexual da Câmara dos Deputados fez diligência nesta quinta (22/5) no Rio de Janeiro, reunindo delegados e mães de crianças desaparecidas, na Chefia da Polícia Civil, no Centro. As mães pediram à delegada Elen Souto, do setor de descoberta de paradeiro da Delegacia de Homicídios (DH), para ser feita a progressão de imagem - processo digital de envelhecimento - das meninas, considerando o tempo decorrente dos sumiços. A delegada acatou o pedido e ainda anunciou a inauguração da Delegacia de Pessoas Desaparecidas, que deve acontecer logo após a Copa do Mundo, na Cidade da Polícia, em Manguinhos, Zona Portuária do Rio.

Um dos casos citados na audiência foi o da menina Larissa Gonçalves, que sumiu aos 11 anos, em São Cristóvão, no ano de 2008, além das ossadas que foram encontradas num terreno da Aeronáutica na Avenida Brasil. A delegada Elen Souto contou que 213 ossadas foram encontradas de 2000 a 2009. O material está em análise para verificar se algumas ossadas são das meninas desaparecidas. Segundo ela, em uma semana os laudos devem ficar prontos. O passo seguinte será a realização do exame de DNA nas mães das crianças para verificar a compatibilidade com as ossadas. 

O delegado titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima, Marcelo Maia, disse que existe uma rede de tráfico internacional que inclui hotéis, boates e taxistas e pediu apoio à CPI para a instalação de uma Vara Especializada em crimes contra a criança vítima. O delegado anunciou que, até o final do ano, será inaugurado, no Hospital Souza Aguiar, o Centro de Atendimento ao Adolescente e à Criança que atenderá vítimas de crimes sexuais. O centro terá três salas: uma para registro de ocorrências, outra para entrevista investigativa e outra para o Instituto Médico Legal (IML).

Uma segunda audiência aconteceu no Quarto Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude do Ministério Público (CAO), para tratar do caso das "Meninas de Guarus", em Campos, onde adolescentes que saíram da rede de exploração estão desaparecidas. A relatora da CPI, deputada federal Liliam Sá (PROS-RJ), disse que o processo do caso foi negado duas vezes para a comissão "uma vez pela juíza Anna Carolinne da Costa, da Segunda Vara Criminal de Campos e, depois, pela juíza Maria Paula Gouvêa Galhardo, do Tribunal de Justiça.", afirmou a deputada. A deputada ainda disse que o processo, "estranhamente", foi parar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Sá encaminhou para o coordenador do quarto CAO, promotor Marcos Moraes Fagundes, o pedido do delegado Marcelo Maia de uma Vara especializada em crimes contra a Criança. O promotor disse que a Vara está em discussão no Rio e que ela já existe no Rio Grande do Sul e em Pernambuco. Ele falou da importância da qualificação da escuta de crianças vítimas de violência sexual para evitar a "revitimização", ou seja, de profissionais qualificados para ouvirem os relatos. A deputada federal informou que vai questionar o Ministério Público Federal e o Conselho Nacional de Justiça sobre os motivos de tanta morosidade em relação ao processo das Meninas de Guarus.

Tags: audiência, comissão, delegacia, meninas, sexual, violência

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