Jornal do Brasil

Segunda-feira, 22 de Setembro de 2014

Rio

CPI sobre exploração sexual avança em investigação de ossadas

Agência Brasil

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes esteve hoje (22) no Rio de Janeiro. Pela manhã, a comissão se reuniu com o delegado da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), Marcelo Maia, a presidente do Portal Kids, Waltéa Ferrão Ribeiro, e com quatro mães de crianças e adolescentes desaparecidos ou vítimas de exploração sexual. A CPI pretende fazer um levantamento de 213 ossadas encontradas no estado, entre 2000 e 2009, para fazer DNA e identificar possíveis desaparecidos.

O trabalho da CPI no Rio vem sendo feito desde o ano passado. Hoje, a delegada do setor de Paradeiros da Divisão de Homicídios do Rio, Elen Souto, apresentou pesquisa sobre as ossadas e possíveis relações com meninas desaparecidas. 

"Nós temos uma pesquisa genérica que não diferencia ainda de criança e adulto e eu estou fazendo um trabalho manual, lendo laudo por laudo para ver quais podem ser de crianças. Tão logo seja concluída, nós encaminharemos as mães para o Laboratório de Pesquisa Genética Forense para exame de DNA”, explicou.

Para a deputada federal, Liliam Sá (Pros-RJ), a reunião avançou na busca de respostas sobre os casos de crianças desaparecidas. "Em 2002 quando a menina Amanda foi encontrada morta, foram encontradas mais cinco ossadas e até hoje não se fez DNA. Então, nós queremos que [a partir de] todas essas ossadas, dessas meninas que desapareceram. principalmente em 2010, sejam feitos exames de DNA com essas mães. Acho que elas merecem. Isso para gente foi uma grande vitória dessa CPI para essas mães", disse a integrante da CPI.

De acordo com Raquel Gonçalves Cordeiro da Silva, tia de uma menina desaparecida, a reunião foi importante para dar andamento ao processo de identificação de ossadas e de progressão de imagem, técnica que projeta mudanças faciais.

"Eu sou tia da Larissa. A mãe dela já morreu e eu cuidei dela desde bebê. O que foi passado nessa reunião é que vamos ter mais acesso aos casos de desaparecimentos. Será feita uma progressão da imagem que é muito importante no caso das meninas que foram levadas crianças e hoje já estão adultas, então não tem como saber como elas estão hoje. Também vai ser feito o DNA, que é muito importante, de umas ossadas que foram encontradas. Nós precisamos dessas respostas", afirmou.

Além dessa reunião, a CPI também esteve na sede da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro para fechar um trabalho de investigação de várias denúncias de que meninos são aliciados por olheiros em escolinhas de futebol.

"Tem um projeto de lei que nós vamos apresentar à CPI responsabilizando os clubes e essas escolinhas que usam o nome dos clubes. Eles saem do seu estado para outro estado com a promessa que eles serão um Ronaldinho, um Neymar, e o que acontece é que eles vão para lugares insalubres, sem uma alimentação propícia. Ficam encarcerados com esses caras, que ali sofrem abuso sexual, sofrem todo tipo de violação dos seus direitos e acabam não sendo esses jogadores de futebol que eles queriam ser", explicou Liliam Sá.

Na próxima terça-feira (27), a comissão terá uma audiência pública em Brasília e irá à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para uma reunião com o presidente da CBF, a fim de discutir uma campanha de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes na Copa do Mundo.

O relatório final da CPI deve ser apresentado pela deputada Liliam Sá nos dias 28 de maio e 3 de junho. A CPI vai encerrar os trabalhos no dia 6 de junho. Então, deve ser criada uma subcomissão dentro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias para continuar as investigações. 

Entre os resultados da comissão, está a prisão do oficial de Marinha Mercante, Fernando Marinho de Melo, 57, em janeiro deste ano. Ele é apontado como o responsável pelo desaparecimento de crianças nos últimos anos para exploração sexual. O caso está sendo investigado a Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (DPCA).

Segundo a delegada Elen Souto, "Ele está preso em razão de uma investigação que virou processo e saiu uma prisão decorrente de sentença condenatória que ele está respondendo. Ele é investigado em outros inquéritos que tramitam na DPCA", disse a Souto, que destacou a importância da força tarefa interinstitucional para a realização da prisão.

Tags: abuso, cpi, crianças, ossada, Rio de Janeiro

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