Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Rio

Servidores estaduais da Saúde entram em greve no Rio de Janeiro

Agência Brasil

Os servidores estaduais da saúde do Rio de Janeiro entraram em greve hoje (21) por tempo indeterminado. A assembleia geral ocorreu ontem (21), no Largo do Machado, e deflagrou a greve. Os profissionais apontam que houve “recusa do governo em responder à pauta de reivindicações entregue pelos trabalhadores em setembro de 2013”, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sidsprev-RJ).

A pauta de reivindicações inclui: condições dignas de atendimento e trabalho; 100% de reajuste emergencial, devido aos 14 anos sem reposição salarial; incorporação de gratificações; fim do sucateamento dos hospitais e das privatizações feitas por meio "da entrega das unidades a grupos privados travestidos de organizações sociais, fundações e cooperativas", conforme o sindicato.

A diretora do Sindsprev, Denise Nascimento, explica que as mobilizações começaram no dia 28 de abril, com assembleias, atos e paralisações nos locais de trabalho. Ela aponta que a remuneração dos profissionais está muito defasa.

“O vencimento base, hoje, do nível superior da saúde estadual, é de R$208. O vencimento do nível médio e elementar é R$157,04. A gente tem uma gratificação muito irrisória, então a gente acaba tendo aí a remuneração total de um médico em torno de R$1.000, R$1.200. E nível médio e elementar na faixa do salário mínimo. E aí a gente tem um plano de carreiras e salários aprovado e o governo insiste em não pagar”, afirma.

Cada local de trabalho está fazendo a assembleia para decidir sobre a adesão à greve. Segundo Denise, a paralisação não prejudica serviços essenciais, como o atendimento de emergência e a distribuição de medicamentos. “É uma mobilização crescente, pois os servidores não aguentam mais esse arrocho”.

Os rumos do movimento serão debatidos amanhã (22), às 11h, em assembleia. Segundo a diretora sindical, o governo marcou para sexta-feira (23) uma reunião entre representantes dos trabalhadores com o secretário Estadual de Saúde, Marcos Esner Musafir.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o órgão recebeu, no dia 7 de maio, a notificação de estado de greve e, desde então, os trabalhadores foram recebidos duas vezes por representantes das secretarias de Saúde e de Planejamento, bem como uma vez por representante da Secretaria de Estado da Casa Civil. A SES alega que, por decisão judicial, não pode negociar com o Sindsprev, mas tem feito as reuniões com representantes do comando de greve formado pelos servidores da saúde.

A SES informa ainda que, até o momento, não houve alteração no atendimento à população em unidades estaduais de saúde. “Todos os hospitais gerais, Institutos e UPAs funcionam normalmente nesta quarta-feira. Apenas no Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, há 10 servidores em estado de greve”. A secretaria também esclarece que o modelo de administração de unidades adotado desde 2012 tem o objetivo de “melhorar a gestão e oferecer cada vez mais atendimento de qualidade à população”. Ela descarta que se trate de privatização.

Os servidores federais da saúde no Rio de Janeiro também anunciaram que vão entrar em greve por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira (26). Eles reclamam do desrespeito à jornada de 30 horas semanais e da intenção de mudança na gestão dos hospitais federais, com a criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), em 2011, empresa vinculada ao Ministério da Educação, que tem o objetivo de recuperar os hospitais vinculados às universidades federais.

Segundo o Sindsprev, o Instituto de Cardiologia de Laranjeiras e os hospitais federais Cardoso Fontes, dos servidores do Estado e Hospital Federal de Ipanema já aprovaram a adesão à paralisação. Assembleias ainda serão feitas nos hospitais federais do Andaraí, de Bonsucesso e da Lagoa. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) já estava em greve e continua parado, enquanto no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into) a greve deve atingir os médicos da unidade.

O núcleo do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro informa que a pasta mantém uma mesa permanente de negociação e só poderá avaliar a situação na segunda-feira, diante da adesão e dos impactos que a greve venha a provocar.

Tags: hospitais, paralisação, profissionais, RJ, SAÚDE

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