Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Rio

Reconstituição do caso DG é adiada por causa de greve da polícia

Portal Terra

A reconstituição da morte do dançarino Douglas Rafael da Silva Pereira, conhecido como DG, que iria ocorrer nesta quarta-feira, foi adiada para quinta em função da paralisação de 24 horas decretada pelos policiais civis do Estado. Segundo o presidente do Sindicado dos Policiais Civis do Rio de Janeiro (Sinpol), Fernando Bandeira, apenas casos de urgência estão sendo atendidos e cerca de 60% da categoria está paralisada.

Bandeira explicou que casos como a reconstituição e outros serviços que não têm urgência foram reagendados. Pelas contas do sindicado, apenas 40% dos profissionais trabalham nas delegacias a fim de manter o atendimento básico aos cidadãos. “O pessoal está operando em sistema de plantão, com a equipe reduzida, atendendo apenas flagrantes, homicídios, casos de sequestros, entre outras prioridades. O que pode ficar para o dia seguinte foi deixado para depois”, afirmou.

O sindicato aguarda uma posição do governo até o final do dia e se reúne novamente com a categoria em assembleia na segunda-feira para decidir os rumos da paralisação. “O Fernando Veloso (chefe da policia civil no Estado) aceitou nos receber na segunda à tarde, mas queremos conversar com quem tem a chave do cofre e pode nos apresentar uma proposta concreta em cima das nossas reivindicações”, disse.

Dentre os itens da pauta de reivindicações estão plano de saúde, reajuste de 100% do vale-alimentação e do vale-transporte, criação de um plano de cargos e salários, incorporação das gratificações e reajuste de 50% no piso dos agentes para diminuir a discrepância com os vencimentos de delegados. Segundo Bandeira, dos cerca de 11 mil policiais, mais de 90% são policiais civis que ganham entre R$800 e R$900, sem as gratificações. Menos de 10% são delegados e ganham em torno de R$ 20 mil.

"O salário só vai a R$1,5 mil com as gratificações e aumenta um pouquinho mais nas Delegacias Legais na Core (Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais). Então é um jogo de salário de acordo com o local onde se está trabalhando," declarou o sindicalista. "Os policiais ficam com medo do delegado titular tirá-los de onde estão e eles perderem a gratificação. Isso cria até divisão entre nós", disse ele.

Ainda segundo Bandeira, cerca de 20% dos agentes têm mais de 60 anos e não se aposentam para não perderem a gratificação. O sindicalista explicou que os agentes em serviço farão operação tartaruga e vão atender somente flagrantes e casos graves como homicídios, latrocínios, assaltos, estupros e danos ao patrimônio público e privado.

A Chefia de Polícia Civil informou que mantém diálogo aberto com os representantes da categoria e que as negociações estão em andamento. A instituição garantiu que está monitorando o funcionamento de todas as delegacias do estado para adotar medidas necessárias para o bom atendimento à população. O órgão informou também que o cidadão pode pré-agendar o registro de ocorrência pela internet pelo site. Apenas crimes de roubo de carro e homicídio não podem ser pré-registrados.

Bandeira disse que se até o início da Copa do Mundo, o governo do Estado não tiver aberto um caminho de diálogo, os policiais civis podem fechar os braços durante o evento.

Tags: civis, dançarino, morte, paralisação, Rio

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