Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Rio

Rodoviários decidem não entrar em greve, pelo menos até o dia 27

Vigilantes mantêm greve e policiais civis param por 24 horas

Jornal do BrasilGisele Motta *

Os rodoviários decidiram em assembleia na tarde desta terça-feira (20) não entrar em greve, pelo menos até a próxima terça-feira (27), quando acontece uma nova audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O grupo de trabalhadores que não aceitou o acordo feito entre o Sindicato dos Rodoviários do Rio e o Rio Ônibus afirma que mais de 50% dos rodoviários não estão satisfeitos com a negociação 

Nesta terça, três líderes dos grevistas foram chamados para prestar depoimento à Polícia Civil. Hélio Teodoro, Luis Fernando Mariano e Luis Cláudio tiveram que falar sobre os danos causados durante a paralisação do dia 8, quando mais de 500 ônibus foram depredados. 

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Segundo Maria Lúcia Gonçalves, cobradora e integrante do movimento que não aceita o acordo, os rodoviários não estão sendo recebidos pelo Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de ônibus do Rio. “Só tivemos uma audiência no Ministério do Trabalho e nada resolvido. Também fizemos uma carta com as irregularidades que acontecem nas empresas de ônibus e entregamos lá”, completa. 

Lúcia diz que motoristas e cobradores ficam até 15 horas sem ir ao banheiro e sem beber água. Ela ainda afirma que é obrigatória uma Comissão Interna de Prevenção de Acidente (Cipa), mas que isso não existe. “Trabalho como rodoviária desde 1999, e nunca vi uma eleição. É obrigado a ter, mas nunca vi um ‘cipeiro’”, denuncia. 

Ela relembra as lutas da categoria: aumento de 40%, fim da dupla função de motorista e cobrador e aumento do vale-refeição. Sobre a possibilidade dos motoristas fazerem protesto através da “catraca livre”, a posição dos rodoviários, pelo menos por enquanto, é  negativa. “No momento a catraca livre não entrou em discussão”, afirma.

Vigilantes continuam em greve na cidade do Rio

Os vigilantes enfrentam o mesmo problema dos rodoviários: a falta de negociação com o sindicato das empresas que os contratam. Segundo Antonio Carlos de Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Vigilantes do Estado do Rio de Janeiro, o Sindicato das Empresas de Vigilância Privada (Sindesp) cancelou a reunião que tinha marcado. “Eles estão pouco se importando com a greve”, comenta. Eles vão continuar paralisados, trabalhando cada agência com apenas um vigilante.

Ainda segundo ele, por causa da falta de negociação, eles procuraram o Ministério do Trabalho. “Procuramos ontem o MPT, que entendeu a situação de dificuldades para discussão e agendou para quinta feira, às 15h, uma reunião com o sindicato das empresas e o sindicato dos trabalhadores”, completa.

O Sindesp afirma que assinou acordo com diversos sindicatos que estavam em greve: de Petrópolis, Caxias, Niterói e Itaguaí. Em nota, afirma que a partir do próximo pagamento os vigilantes receberão aumento de 8%, além de 30% de adicional de periculosidade e vale-refeição de R$ 13. Afirma ainda que os dias de paralisação serão descontados. Segundo informações do Sindicato dos Vigilantes, eles queriam reajuste de 10% e que o vale-refeição passasse de R$10,10 para 20,50, além do pagamento da diária de R$180 para quem trabalha em eventos.

Segundo Antônio Carlos, vice-presidente da instituição, a decisão do Sindesp não é obrigatória. “No estado do Rio de Janeiro, temos 15 sindicatos dos vigilantes, cada o município tem um. Cinco sindicatos assinaram isso, especialmente nos pequenos municípios. Mas nós não somos obrigados a aceitar esse acordo, foi uma atitude arbitraria, autoritária e não é o que pedimos”, critica. 

Policiais civis param por 24 horas 

Na paralisação de 24 horas que os policiais civis farão nesta quarta feira (21) os policiais darão prioridade a autos de prisão em flagrante e casos que envolvam violência e grave ameaça à ordem pública. Segundo nota enviada pelo Sindicato dos servidores da Policia Civil (Sinpol), nos casos de furto, perda e extravio de documentos ou objetos, a população será orientada a retornar à delegacia de polícia no dia seguinte. Os policiais ainda afirmam que, aqueles que trabalham em locais de crime, como os papiloscopistas e peritos, somente utilizarão os materiais próprios fornecidos pela própria Polícia Civil. 

Ainda haverá um ato, às 10h, em frente a Chefia de Polícia Civil, no Centro do Rio. As principais reivindicações da categoria são a incorporação das gratificações “Delegacia Legal” e “Core” ao vencimento, plano de cargos e salários reduzindo a distância com os vencimentos dos delegados e reajuste de 100% no tíquete refeição e vale transporte, atualmente R$ 13 e R$ 100 respectivamente.

 “Vamos paralisar as atividades a partir do primeiro minuto de quarta-feira até o último minuto do mesmo dia. Respeitaremos a lei, que determina um efetivo de, no mínimo 40% nas delegacias, já que se trata de atividade essencial”, ressaltou Fernando Bandeira, presidente do Sinpol.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que não haverá greve dos militares.

 

Tags: assembléia, greve, Polícia Cívil, Polícia Militar, Rio de Janeiro, rodoviários, vigilantes

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