Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

Rio

Protesto em favor das religiões afro-brasileiras acontece nesta quarta-feira

Denúncia de vídeos ofensivos é rejeitada por juiz que afirmou que doutrinas não são religiões

Jornal do BrasilGisele Motta*

Na próxima quarta-feira (21), às 17h, acontecerá um ato contra a sentença judicial emitida pelo juiz federal Eugenio Rosa de Araújo, da 17ª Vara Federal do Rio. A manifestação acontece em frente a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no centro do Rio. O juiz negou a retirada de vídeos do youtube considerados ofensivos às religiões afro-brasileiras e ainda afirmou que “as manifestações religiosas afro-brasileiras não se constituem em religiões”.

O protesto foi organizado, em conjunto, pela Associação Nacional de Mídia Afro (Anmo)e pela Comissão de Combate a Intolerância Religiosa(CCIR). Ambas as instituições repudiaram a decisão do juiz. “Ele fere a constituição e, além de tudo, fere a lei antirracista do Brasil, porque ele da uma opinião extremamente preconceituosa, mostrando também uma ignorância com as religiões afro”, declarou Ivanir dos Santos, babalaô e interlocutor da Comissão.

Babalaô Ivanir dos Santos, parte da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa
Babalaô Ivanir dos Santos, parte da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa

Segundo Ivanir, as igrejas anglicana, luterana, católica, além de budistas, muçulmanos, entre outros estarão presentes mostrando seu apoio. Ainda segundo ele, a  CCIR e a Anmo pretendem entrar com uma queixa junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o juiz.

A Anmo surgiu com o  objetivo de servir como fonte par jornalistas que tem pautas ligadas a temática, esclarecendo a respeito de conceitos sobre as religiões afro. Ela foi autora da denúncia, que levou o Ministério Público Federal (MPF) a entrar na justiça para retirar os vídeos. Primeiramente  o MPF pediu para o site vetar os vídeos e, como isso não aconteceu, entraram com uma ação. Segundo o presidente da Anmo, Márcio de Jagun, vídeos discriminatórios são comuns e encontrados facilmente “Nós descobrimos esses vídeos por acaso, na verdade são centenas. Selecionamos 17, que fundamentaram a denúncia do MPF”, completa.

Ele diz que recebeu a sentença do juiz com surpresa e indignação “A decisão foi lamentável em todos os aspectos, foi assustadora, porque ele acaba por se manifestar acerca de uma questão que nos sequer levantamos. Ninguém pediu par ele reconhecer religiosidade afro”, completa. 

*Do programa de Estágio do JB

Tags: anmo, candomblé, ccir, juíz, protesto, religião, religiões afro, Rio, umbanda

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