Jornal do Brasil

Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Rio

Ex-alunos da Gama Filho e da UniverCidade reclamam das novas instituições

Agência Brasil

Salas lotadas, disciplinas sem ementas, falta de aulas práticas e perda de bolsas de estudo são alguns dos problemas relatados à Agência Brasil por ex-estudantes da Universidade Gama Filho e do Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), descredenciados pelo Ministério da Educação (MEC) no início do ano. "Na quinta-feira, fizemos prova e tinha cadeira pra fora da sala. Faltam ementas de disciplinas, não tem como o aluno se preparar", relata a estudante de medicina Ana Flávia Hissa, ex-diretora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Gama Filho.

Ana Flávia optou pela transferência assistida e estuda na Universidade Estácio de Sá. O maior problema do curso de medicina, segundo ela, é a falta de prática. "Estamos esperando uma decisão há um mês. O que nos dizem é que não tem hospital que comporte todos os alunos", diz. "Chegaram a propor que a prática seja de 15 em 15 dias. Na Gama Filho, tinha matéria com prática diária. Não dá para fazer medicina e só tocar um paciente de 15 em 15 dias".

Estudante da Veiga de Almeida, Domingas Pimentel, que cursa fisioterapia, queixa-se das dificuldades em acompanhar as aulas. "As [turmas] que nos colocaram têm aulas desde fevereiro, desde antes de entrarmos. Prometeram reposição das aulas, mas até agora não foi agendada. Tenho que me virar".

Juntas, as instituições descredenciadas tinham 10,8 mil alunos. O Ministério da Educação lançou editais para selecionar universidades que incorporassem os estudantes. Foram escolhidas a Universidade Estácio de Sá, Universidade Veiga de Almeida e Faculdade de Tecnologia Senac Rio (Fatec). Os editais previam uma série de condições construídas com os ex-alunos. Entre elas, a prática de medicina, o aproveitamento de matérias cursadas e a manutenção das bolsas de programas federais e institucionais.

O estudante de jornalismo da Veiga de Almeida Rafael Lima era bolsista integral na Gama Filho. Na nova instituição, recebeu dois boletos com o valor R$ 1.250 e o nome não consta nas listas de chamada dos professores. "Meu pai era funcionário e eu tinha bolsa de 100%. A Veiga prometeu continuar com as bolsas. Já levei meus documentos duas vezes e sempre dizem que vão analisar."

Os estudantes reclamam também que estão tendo que cursar disciplinas que já fizeram, porque não têm os documentos que provam o histórico. Para buscar melhorias, um grupo de estudantes deve chegar a Brasília na quinta-feira (22), para tentar se reunir com o MEC e com parlamentares.

Em nota, a Veiga de Almeida diz que todas as bolsas estão sendo mantidas, conforme o acordado com o MEC e que, em caso de dúvidas, o estudante pode solicitar esclarecimentos pelo e-mail transferenciaassistida@uva.br.

A Estácio de Sá diz que a organização das turmas "está sendo aperfeiçoada com a contratação de novos docentes e a conclusão das obras de infraestrutura do campus". Sobre as aulas práticas, diz que estão sendo feitos "grandes esforços e tratativas com os órgãos de saúde nas esferas federal, estadual e municipal para receber o grande quantitativo de alunos, o que implica grande complexidade e alguma demora no processo".

Procurado pela Agência Brasil, o MEC diz que uma comissão de acompanhamento monitora permanentemente a transferência assistida e que uma comissão de especialistas faz avaliações nos locais. “[Quando há problemas], o Consórcio vencedor da licitação é acionado, para que seja verificada a origem das dificuldades e possibilidades de solução. Vale registrar que muitos desses problemas são decorrentes da falta de documentação acadêmica dos alunos, que ainda não foi disponibilizada pelos antigos mantenedores", informa a pasta.

Sobre a questão da entrega dos documentos, o MEC diz que está adotando "as medidas cabíveis para que todo o acervo acadêmico seja entregue às instituições receptoras dos estudantes".

Tags: faculdades, gama filho, reclamações, transferência, univercidade

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