Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Rio

Moradores da Rocinha fazem terceiro protesto contra falta de água

Jornal do BrasilDavison Coutinho

A luta pelo direito à água, na Rocinha, mobilizou os moradores da comunidade, pela terceira vez em menos de dois meses, em busca do abastecimento regular. O governador Luiz Fernando Pezão esteve no local há quase dois meses e prometeu melhorias, mas as promessas só ficaram, uma vez mais, nos discursos e na ilusão de quem acreditou.

Durante a manifestação desta sexta-feira, lideres comunitários manifestaram suas indagações com o governo atual e com as falsas promessas em tempos de eleição. Foram criticados também as obras do PAC 1, ainda não concluídas, e do PAC 2, que contemplam a construção de um teleférico, enquanto a favela precisa de saneamento básico e urbanização.

Rocinha sofre com o abastecimento irregular de água
Rocinha sofre com o abastecimento irregular de água

O líder comunitário William de Oliveira criticou a atuação do governo na Rocinha e reclamou que na comunidade existem diversos moradores formados em várias áreas, mas que nas obras da Rocinha só são chamados para trabalhar no 'pesado', cavando buracos e fazendo o trabalho braçal. 

Oliveira reiterou que toda a poluição da praia de São Conrado se origina pela falta de saneamento na Rocinha. Segundo lideranças, a Cedae abasteceu a comunidade, nesta semana, depois de dois meses, como forma de impedir que os moradores descessem para reivindicar seus direitos. Os moradores reclamam que se não falta água em São Conrado e na Gávea, bairros vizinhos, "por que temos que ficar sem água na Rocinha?".

Durante a manifestação, presenciamos uma senhora sendo carregada com muita dificuldade em uma cadeira improvisada, nos becos e escadas. A senhora estava passando mal e não pôde ser socorrida em sua casa, porque não temos ruas de acesso. 

O presidente da Associação do Laboriaux, José Ricardo Duarte, criticou as obras do Pac e afirmou que o projeto não seguiu o plano diretor criado para a Rocinha. Segundo ele,em dias de chuva na Rocinha as ruas viram valas e as valas viram ruas, e daí começam todas as doenças, inclusive a tuberculose, que tem o maior índice do estado dentro da favela.

Os gritos e desabafos eram pelo pedido de igualdade, pela busca de se tornar parte integrante da cidade. Não podemos mais aceitar que as favelas não sejam tratadas como integrantes da cidade. Nossa busca é por justiça e igualdade e não vamos nos calar!

Tags: abastecimento, Atos, comunidade, protestos, rocinha

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