Jornal do Brasil

Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Rio

Movimento M15 reúne categorias em greve em frente à Prefeitura do Rio

Jornal do Brasil

Os profissionais de setores em greve no Rio de Janeiro se uniram à população na tarde desta quinta-feira (15/5) para protestar contra a Copa do Mundo da Fifa e reivindicar melhores condições de trabalho, valorização das categorias e investimentos públicos. O ponto de encontro dos manifestantes foi o Centro do Rio. Por volta das 17h30, rodoviários inciaram uma caminhada da Candelária para se unir aos profissionais da Educação em frente à Prefeitura, na Cidade Nova, além de garis e vigilantes. No entanto, os rodoviários decidiram dispersar o movimento, temendo atos violentos de ativistas contra a Copa. 

Os motoristas e cobradores marcaram uma nova assembleia para terça-feira (20) para decidir os rumos da greve. Com a alegação de que os governos estadual e municipal estão descumprindo os acordos firmados para o fim da greve dos profissionais do ensino em 2013, o Sindicato dos Profissionais de Educação do Rio de Janeiro (Sepe) promoveu mais uma passeata pelas ruas da cidade nesta quinta-feira (15/5), após assembleia que decidiu pela manutenção do movimento unificado das redes, que teve início na última segunda-feira (12). 

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Manifestação do 15 de Maio no Rio de Janeiro
Manifestação do 15 de Maio no Rio de Janeiro

Os cartazes exibidos pelos ativistas dos diversos setores traduziam em poucos palavras os motivos dos protesto. As mensagens dos manifestantes traçam um comparativo entre os gastos com as obras para a Copa do Mundo e os investimentos públicos que poderiam ser feitos com essa quantia destinada ao mundial. "A gente esta na rua não para protestar somente contra a Copa. Nesse momento o Brasil é o centro do mundo pelos grandes eventos esportivos, no caso a Copa do mundo, a gente tem que mostrar para a sociedade e para o mundo que a educação, saúde, ou seja, setores ligados à infraestrutura e formação da economia estão abandonados. Nas escolas públicas, por exemplo, temos alunos em excesso na sala de aula, salas quentes e não arejadas, sofremos assédio moral dentro das escolas, somos obrigados a aplicar provas externas de empresas terceirizadas que consomem muito dinheiro público, perdemos a autonomia pedagógica. E na rede estadual o abandono é maior, deixado pelo governo Cabral e agora com o Pezão. Não querem negociar com as categorias, eles marcam e não são propositivos nas reuniões, afirmam que já negociaram, o que é uma grande farsa, tanto que estamos em greve.", justificou a professora de História da rede pública do Rio, Luciana Dias. 

Um professor que não quis se identificar completou que "o dinheiro que era para ser investido na educação, saúde, transporte público, moradia, é desviado para lucrar a Fifa e favorecer a empresários e políticos corruptos". "É contra essa vergonha, essa corrupção, contra a 'Copa do roubo' que temos que protestar e queremos saúde e educação padrão Fifa.", disse o profissional. Como nas manifestações anteriores, os professores usaram músicas para chamar a atenção sobre o tema do protesto. "Não tô de bobeira, quem esta ganhando nessa copa é empreiteira. E a Fifa", cantavam durante o ato nesta quinta (15). 

O protético Eron Moraes de Mello, de 33 anos, assíduo frequentador das manifestações no Rio de Janeiro e conhecido pela fantasia do Batman, acredita que, em primeiro lugar, a população quer "saúde e educação de qualidade, chamado padrão Fifa". "Porque é um absurdo pegar bilhões de reais dos cofres públicos, dinheiro dos nossos impostos, investir num mundial que nada traz ao brasileiro e só favorece à políticos, a Fifa e empreiteiras e empresários. Enquanto isso, estamos carente de saúde, moradia, educação, segurança pública. Essa Copa o Brasil já perdeu", afirmou o protético. Já outro manifestante, Onório Oliveira, disse que o ato é para denunciar os gastos da Copa, como a construção de estádios e obras faraônicas.

"São investimento que somam algo em torno de 30 bilhões de reais, enquanto sabemos que a saúde, a educação do Brasil são de péssima condições , entre as piores do mundo. O povo brasileiro está com uma situação financeira muito complicada e eles [governantes] gastaram em obras que não vão ter retorno nunca, como o caso do estadio de Manaus, que vai precisar de 1.247 anos para se pagar e de outros que somente beneficiaram as empreiteiras e políticos. Se roubou muito nessa Copa e o povo está numa situação de vida cada vez pior.", disse Onório. Ele ainda complementou que quem deveria financiar a Copa era a inciativa privada e o governo ter outras prioridades.  

Thais Coutinho, professora da rede pública do Rio, comentou sobre a greve da categoria e justificou a paralisação pelas péssimas condições de trabalho. "Temos problemas desde o nosso salário até as condições de qualidade de ensino para os nossos alunos. Funcionários também sofrem muito com o descaso do governo, porque eles [governo] não estão chamando os concursados, não reconhecem a função de cozinheira. São vários problemas. E a gente observa que no nosso município e estado a verba existe, falta interesse para investir. Olha o que gastaram com a Copa do Mundo. Então, tem que ter prioridade. Da copa a gente abre a mão.", afirmou a professora.  

  

As manifestações do 15 de Maio

Um grupo formado por mais de 1.000 professores, que participaram mais cedo de uma assembleia, saiu do Clube Municipal, na Tijuca, Zona Norte da cidade, em direção à prefeitura, passando antes pela Central do Brasil. A manifestação interditou a Rua Hadock Lobo, na altura da Rua Campos Salles, que foi liberada ao trânsito por volta das 16h. A categoria está prevendo mais uma passeata no dia 21 de maio, que deve ter concentração na Praça XV e seguir em direção à Cinelândia. Os professores do estado estão reivindicando uma matrícula por escola, tempo para planejamento de aulas, redução de 40 para 30 horas de trabalho, entre outros pontos enumerados pela classe em assembleias desde o ano passado.

A concentração da manifestação contra a Copa aconteceu na Central, por volta das 16h. Um grupo de pessoas gritavam palavras de ordem:  "Ei, Fifa, volta para a Suiça". A Avenida Presidente Vargas chegou a ser interditada no sentido Candelária, onde os rodoviários já estavam reunidos, e os motoristas tiveram que desviar pela Avenida Paulo de Frontin. Por volta das 17h, também foram interditados os acessos a Avenida Francisco Bicalho e Praça da Bandeira para a Avenida Presidente Vargas. Os acessos das estações do Metrô na Cidade Nova e Central (em direção ao Terminal Rodoviário e Campo de Santana) foram fechados. Em frente ao prédio da prefeitura, mascarados se infiltraram na manifestação pacífica, ignorando a lei proíbe o uso de disfarce em atos públicos.

Por volta das 19h40, um grupo pequeno de manifestantes tomou uma das pistas da Avenida Presidente Vargas, na altura do prédio da prefeitura, que havia sido liberada aos veículos. Uma correria começou no local e a PM revistou alguns manifestantes. Na altura da Central da Brasil PMs chegaram a usar Spray de pimenta para dispersar um grupo de manifestantes em um princípio de tumulto.  

Os protestos do Dia Internacional de Lutas contra a Copa, que ficou conhecido como 15 de Maio - 15M, acontece em diversas capitais do país nesta quinta (15), e foram programados no início do mês durante o Encontro dos Atingidos – Quem Perde com os Megaeventos e Megaempreendimentos, organizado pela Associação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop). As cidades-sede da Copa confirmaram participação nos atos convocados pela internet no decorrer do mês.

As manifestações ocorrem também no Distrito Federal, Fortaleza, Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, além de Vitória, no Espírito Santo e, Santiago, no Chile. As confirmações pelo Facebook passavam das 12 mil até a noite de ontem (14).

Os manifestantes tomam as ruas, como ocorreu em junho do ano passado, quando uma série de atos mobilizou milhares de brasileiros durante a Copa das Confederações. Em manifesto, ativistas e movimentos que convocaram o 15M apresentam 11 reivindicações, dentre as quais, o arquivamento dos projetos de lei que tipificam crime de terrorismo ou ampliam penas para danos causados durante manifestações. Os atos também cobram a desmilitarização das polícias, pensão vitalícia para as famílias dos nove operários mortos trabalhando na construção de estádios da Copa, bem como a responsabilização das construtoras.

Os movimentos também reivindicam o fim dos despejos e das remoções forçadas, a realocação de todas as famílias atingidas e a garantia de moradia digna. Defendem a democratização dos meios de comunicação, com ênfase nas transmissões dos jogos, que será feita com exclusividade pela Rede Globo, e investimentos em transporte público de qualidade, além da tarifa gratuita nos transportes públicos – pauta que movimentou o país, no ano passado.

Tags: categorias, Copa, manifestação, motoristas, professores, protesto, reivindicação, Rio

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