Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Rio

Rio: mesmo com determinação do TRT, 40% dos ônibus circularam no 2º dia de greve

Desembargadora do TRT determinou que 70% da frota voltasse a circular sob pena de multa diária

Jornal do BrasilCláudia Freitas

O secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão, disse que na manhã desta quarta-feira (14/5) um número maior de ônibus estava circulando nas ruas. Mas por volta das 12h, a prefeitura divulgou que apenas 40% da frota de coletivos que atende a capital estava circulando. O percentual é menor do estipulado pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ), que determinou nesta terça-feira (13) que 70% da frota do Rio voltasse a circular sob pena de multa diária de R$ 50 mil ao Sindicato dos Rodoviários. 

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De acordo com a assessoria de comunicação do TRT (RJ), a multa só será aplicada ao Sindicato dos Rodoviários após ser analisada no processo aberto para investigar a greve e a sua legitimidade. A cobrança ainda depende de uma notificação oficial do Rio Ônibus, com os percentuais de coletivos que rodaram na cidade no período de paralisação. O mesmo processo será adotado para os possíveis casos de demissão dos grevistas. 

Com o aumento de ônibus nas ruas da cidade, a prefeitura suspendeu uma das medidas do plano de contingencia adotado para o período de 48 horas de paralisação dos rodoviários. A circulação de carros particulares voltou a ser proibida nas faixas exclusivas para ônibus nos corredores BRS e na faixa seletiva da Avenida Brasil. Apesar das ameaças de paralisação dos rodoviários na noite de terça (13), a circulação dos coletivos na Baixada Fluminense foi praticamente normal, com cerca de 4 mil ônibus atendendo os seis municípios na manhã desta quarta (14).  

Na Central do Brasil, a movimentação dos ônibus ainda era menor do que nos dias normais. As linhas que fazem os trajetos para a zona sul da cidade foram as que mais saíram do terminal. O plano de contingência da prefeitura vai permanecer até o final da paralisação dos rodoviários, até às 23h59. O funcionamento especial para os horário de pico nos outros modais - trens, metrô e barcas - foi ampliado para às 21 horas. 

Segundo a SuperVia, a movimentação foi normal nesta terça (13), já que parte da população não saiu de casa e os alimentadores (ônibus, vans, kombis e barcas) não funcionaram como previsto. A SuperVia está mantendo o esquema especial de funcionamento para atender aos seus usuários e opera com capacidade máxima. A concessionária prevê uma oferta de 1 milhão e 620 mil lugares durante esta quarta (14), como aconteceu no dia anterior. Desde às 4h30, os trens circulam com intervalos de horário de pico.  

O Metrô e Barcas s anunciaram que vão seguir com as operações especiais. Esses modais estão recebendo o reforço das linhas de ônibus que estão circulando, pelo sistema de integração. 

No Terminal Américo Fontenele, próximo à Rodoviária Novo Rio, ponto de partida dos ônibus que atendem as zonas sul e norte da cidade, a movimentação era reduzida e os coletivos saiam com um intervalo maior. Os motoristas que estavam trabalhando não fizeram uso de uniformes, com medo de represália dos grevistas. 

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB) disse neste segundo dia de paralisação que não vai interferir no caso. O presidente da Rio Ônibus, sindicato que representa as empresas de ônibus da capital, Lélis Teixeira, disse que a greve mantida por um grupo de dissidentes do Sindicato dos Rodoviários tem motivação política e também pelo período de realização da Copa do Mundo. Já os representantes do Sindicato dos Rodoviários disseram que a liminar expedida na tarde desta terça (13) pelo Ministério Público do Trabalho do Rio (MPT-RJ), estipulando uma multa de R$ 50 mil para o sindicato da categoria, caso 70% da frota de ônibus não estivesse circulando nesta quarta (14), foi uma surpresa. O sindicato justificou que o movimento de paralisação partiu de um grupo de dissidentes e que seria difícil obriga-los a cumprir a determinação judicial.     

Hélio Teodoro, um dos líderes do movimento grevista, afirmou que somente 20% dos ônibus estão rodando na cidade nesta quarta (14). Teodoro explicou que houve um rodízio entre os trabalhadores - "quem trabalhou ontem não está rodando hoje". Na quinta-feira (15), será realizada uma assembleia na Candelária, a partir das 16h, para decidir os rumos do movimento. Segundo Teodoro, a greve pode ser prolongado por mais  24h ou até 48h. 

Ameaça de greve foi frustrada na Baixada 

Cerca de 80% da frota de ônibus que atende os seis municípios da Baixada Fluminense estava circulando na manhã desta quarta (14). Na noite desta terça (13), um grupo de rodoviários da região ameaçaram entrar em greve como forma de apoiar o movimento da categoria na capital. Motoristas das linhas intermunicipais avisavam aos passageiros que eles não iriam trabalhar no dia seguinte e seria difícil a população chegar ao Centro da cidade. 

Segundo o Sindicato dos Rodoviários de Nova Iguaçu, o movimento foi deflagrado por um grupo de dissidentes e há uma negociação em andamento com o sindicato patronal das regiões de Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo e Mesquita, o Transônibus. "Não estamos a frente dessa paralisação. Isso é coisa de quem não tem o que fazer. Ainda estamos negociando com o sindicato patronal e não vamos tomar nenhuma atitude antes da nossa assembleia", disse a segunda secretária do Sindicato dos Rodoviários de Nova Iguaçu, Delma Fernandes. De acordo com Delma, está prevista para a próxima semana uma reunião entre os sindicatos e os tópicos da pauta serão mantidos em sigilo para evitar qualquer tipo de "engano" ou "comentários".   

 

Os prejuízos da greve

Mais de R$ 500 milhões é o calculo previsto do prejuízo que o comércio carioca teve com a paralisação dos rodoviários. A contabilidade é do .... Os trabalhadores também tiveram que colocar a mão no bolso para tentar se deslocar pela cidade. Sem os ônibus, a principal opção foi o transporte alternativo, que por sua vez aproveitou para cobrar preços abusivos e trafegar com superlotação. 

Na manhã desta quarta (14) um homem foi detido em Rio das Pedras, na zona Oeste, fazendo transporte irregular. O motorista não tinham nem carteira de habilitação. 

Tags: coletivos, contingência, paralisação, Plano, Rio

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