Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Rio

Moradores podem processar empreiteiras por cratera em Ipanema

Queiroz Galvão, Odebrecht e Carioca Engenharia causaram danos a prédios da Rua Barão da Torre

Jornal do BrasilGisele Motta *

As obras do consórcio Linha 4, formado pelas construtoras Odebrecht Infraestrutura, Carioca Engenharia e Queiroz Galvão, provocaram fissuras em prédios da Rua Barão da Torre, em Ipanema, depois que uma cratera foi aberta no último domingo (11). Diversas rachaduras podem ser observadas nos prédios localizados nas proximidades do buraco. Moradores se reuniram na última terça-feira (13) com a concessionária para discutir providências e prometem uma nova reunião no próximo sábado (17), onde tentarão reunir os síndicos dos prédios prejudicados e demais moradores para possíveis providências. 

>>Defesa Civil e consórcio vão apresentar plano de emergência após cratera

Segundo Fernando Azevedo, engenheiro do Projeto de Segurança de Ipanema (PSI), um grupo formado por moradores para discutir diversas demandas do bairro afirmou que alguns condomínios estão pensando em acionar a justiça. “Nessa reunião teremos um advogado especialista no assunto, para saber como agir. O PSI já tem avisado que alguma coisa iria acontecer. Temos avisado que do jeito que vem sendo feita a obra, o prazo político na frente do prazo técnico, algo daria errado. Agora vamos ver como agir”, comenta. Ele reclama da falta de confiança dos moradores nas informações passadas pelas empreiteiras e governo, e por isso precisam se organizar: “Eles falam que vão pagar pelos danos para acalmar a situação, mas muitas vezes isso é esquecido, e acaba não acontecendo”.

Todas as empresas são alvo de inquéritos da operação Caixa Preta da Polícia Federal, que aponta superfaturamento em obras de aeroportos. Outras polêmicas também envolvem as construtoras: o Ministério Público Federal (MPF) em Volta Redonda (RJ) moveu uma ação, em 2013, contra a Queiroz Galvão e políticos da cidade. Segundo a ação, eles causaram um prejuízo de R$ 16 milhões aos cofres públicos na realização de obras superfaturadas da Rodovia do Contorno. A mesma empresa também foi acusada, em 2009, pelo diretor financeiro do Departamento de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Sérgio Pimentel, de ter sido favorecida no pagamento de dívidas pelo ministro dos transportes Anderson Adauto. A Carioca Engenharia também é uma das líderes em doações a candidatos de São Paulo.

Consuelo Barros mora em uma casa na rua onde a cratera surgiu e esteve presente na reunião com o consórcio. Segundo ela, os moradores estão exigindo um laudo da concessionária e da Defesa Civil atestando que os prédios estão seguros e dando mais informações, até o final desta semana: “A nossa preocupação é que não temos uma posição do metrô. Estamos esperando até sexta feira uma posição porque não dá para ir jogando para a frente, alguns prédios estão trincados, temos que saber o que está acontecendo”.

Ainda segundo Consuelo, durante a reunião de terça-feira, o consórcio se responsabilizou pelos danos. “Eles pediram um tempo para analisar a situação. Eles estão cientes dos locais que têm rachadura, tem fotos, etc”, completa. Segundo ela, na reunião esta semana, haverá uma grande conversa com os moradores para, antes de tudo, tentar entender com especialistas, o que está acontecendo.

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do RJ (Crea) informou que sua função é fiscalizar o exercício profissional e que somente em alguns casos faz relatórios, como deve ocorrer nessa situação. Segundo a entidade, um relatório foi feito ontem (14), mas somente sobre exercício profissional, onde tudo consta correto. Não haverá relatórios sobre a obra ou danos nos prédios vizinhos. 

O consórcio Linha 4 informou que o objetivo do encontro foi esclarecer as dúvidas dos moradores da Rua Barão da Torre e tranquilizá-los: “os síndicos receberam um documento assinado pela RioTrilhos, informando que não há risco para a estabilidade das edificações do entorno e que o monitoramento continua”. Ainda segundo a assessoria de imprensa da empresa, as causas do assentamento de solo ocorrido estão sendo analisadas e que “qualquer dano que, porventura, venha a ser causado pelas obras da Linha 4 do Metrô será reparado pelo consórcio construtor”.

* Do programa de estágio do JB

Tags: carioca engenharia, cratera, empreiteira, escândalos, ipanema, Metrô, odebretch, queiroz galvão, Rio

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