Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Rio

Greve dos rodoviários: 74 ônibus depredados, sete presos e abuso das vans

Jornal do BrasilCláudia Freitas

O secretário municipal de Transportes do Rio de Janeiro, Alexandre Sansão, divulgou por volta das 11h30 dessa terça-feira (13/5) que cerca de 18% da frota dos 8.749 ônibus urbanos estavam circulando pela capital fluminense. No início da manhã, Sansão disse que apenas 10% dos coletivos estavam nas ruas. Para o secretário, esse número é insuficiente para atender cerca de 2 milhões de usuários e garantiu que o plano de contingência da prefeitura vai permanecer até o final da greve dos rodoviários. Até às 12 horas, 74 ônibus haviam sido apedrejados e sete pessoas presas em atos de vandalismo, segundo a assessoria de imprensa da Rio Ônibus, que representa a classe patronal.

A greve dos rodoviários favoreceu o transporte alternativo e muitos motoristas de vans estavam cobrando preços abusivos em diversos pontos da cidade. O itinerário da Zona Oeste para o Centro podia custar acima de R$ 10, como denunciava alguns passageiros. O secretário Sansão disse que a prefeitura está fiscalizando os pontos tradicionais de transporte alternativo. "É inadmissível que pessoas se aproveitem de uma situação como essa. Estamos identificando os locais onde os abusos estão sendo praticados e tomando providências", contou Sansão. 

Segundo Sansão, o plano de contingência da prefeitura priorizando as linhas responsáveis pela integração com outros modais, como trens, metrô e barcas, que estão operando em capacidade máxima e com horário de pico antecipado desde o início da manhã desta terça (13). Os intervalos de circulação desses meios de transporte também será mínimos durante todo o período de paralisação dos motoristas e cobradores. As linhas de transporte expresso, como o BRT Transoeste, estão operando apenas com o eixo principal.

A prefeitura colocou em operação somente a ligação entre o terminal Alvorada, na  Barra da Tijuca, e Santa Cruz, com apenas 20% da capacidade. Os veículos particulares também foram liberados para transitar pelos corredores expressos do BRS (Bus Rapid Transit) e da Avenida Brasil. Sansão disse que a prefeitura está fazendo a sua parte, exigindo dos consórcios que coloquem nas ruas um número máximo de veículos para facilitar o esquema de integração com outros modais. "A secretaria está acompanhando de perto a negociação entre os rodoviários e as empresas, mas não nos cabe intervir diretamente", afirmou o secretário. A CCR Barcas registrou um movimento de cerca de 4 mil passageiros no trajeto entre o Cocotá, na Ilha do Governador, e a Praça XV, no Centro, até às 11h30. 

Pelos números apresentados pela Rio Ônibus, até às 12h cerca de 74 coletivos tinham sido apedrejados e sete pessoas presas e encaminhadas para delegacias. Dez ônibus da empresa Jabour, em Senador Vasconcelos, na zona Oeste, foram depredados por pessoas que participavam de um piquete. 

O sindicato de Lojistas do Rio de Janeiro e do Clube de Diretores Lojistas acreditam que o setor deve ter um prejuízo de até 60%, com perda de aproximadamente R$ 250 milhões, em função da paralisação. 

Motivos da greve

Em abril desse ano, o Sindicato dos Rodoviários firmou um acordo com a Rio Ônibus, que representa as empresas, concedendo um reajuste salarial de 10% para a categoria e aumento do Ticket Alimentação de R$ 120 para R$ 150 com desconto de R$ 10. No entanto, a comissão de greve reivindica um reajuste salarial de 40% e ticket alimentação no valor de R$ 400. O grupo de dissidentes do sindicato alegam que a negociação foi feita sem a participação dos trabalhadores. Os grevistas revindicam ainda melhorias nas condições de trabalho e o fim da dupla função do motorista, que muitas vezes desempenha a função de cobrador. 

Nesta segunda-feira (12/5) foi realizada uma audiência no Ministério Público do Trabalho da capital com a presença de representantes da Rio Ônibus, do sindicato da categoria e dos grevistas, para tentar um acordo entre as partes. Porém, o encontro não teve sucesso. No início da tarde desta terça (13), a assessoria jurídica da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), que apoia o movimento, marcou uma entrevista coletiva para às 16 horas - "para prestar esclarecimentos à população a respeito da greve dos rodoviários da capital", disse em nota.

Já o Sindicato dos Rodoviários afirmou nesta terça (13) que não pretende negociar com o grupo dissidente, a não ser que eles consigam legitimidade na Justiça. Segundo o sindicato, continua valendo o acordo feito com a Rio Ônibus. 

Grevistas entram com ações no Ministério Regional e no Ministério Público do Trabalho

O advogado Aderson Bussinger, do departamento jurídico da Conlutas e representante dos rodoviários grevistas, informou que os grevistas ingressaram com ações no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-RJ) e também no Ministério Público do Trabalho da capital (MPT-RJ), pedindo a dissidência do dissídio e uma nova negociação coletiva. Bussinger, que vai dar uma coletiva na tarde dessa terça (16) para esclarecer os objetivos do movimento, disse que o MPT abriu dois procedimentos, um para mediar a greve e outro para apurar as denuncias dos grevistas de uma possível fraude na assembleia que aprovou o acordo entre os sindicatos. 

"Na ação estamos pedindo a investigação das comissões formadas pelo sindicato da categoria para votar os acordos, a legitimidade dos atos sindicais e das regras utilizadas na elaboração do termo do acordo coletivo", contou o advogado. Bussinger explicou que o MPT vai atuar em duas vertentes, apurando e mediando as negociações entre as partes. Segundo ele, a audiência realizada nesta segunda (12) não teve resultado porque as empresas mantiveram um ponto de vista desfavorável ao diálogo. "Como somos a favor do acordo, estamos entrando nessa tarde com um novo requerimento solicitando outra audiência", adiantou o advogado.  

Depois da declaração do Sindicato do Rodoviários considerando o movimento da classe ilegítimo e mantendo a negociação com a Rio Ônibus, Bussinger afirmou que mesmo assim os trabalhadores não querem excluir o sindicato das negociações que devem ser intermediadas pelo MPT e continuam abertos ao diálogo, que pode acontecer a qualquer momento. Para o advogado, o melhor caminho para resolver a questão seria um aditamento no acordo já assinado entre os sindicatos junto ao Ministério do Trabalho. 

"Enquanto o judiciário estuda a legitimidade da greve, vamos tentar novos acordos com o sindicato e com a Rio Ônibus. O sindicato devia rever a sua postura, até porque o mais importante agora é dar fim ao movimento, com o melhor resultado para todas as partes", disse Bussinger. 

Tags: cobradores, coletivos, paralisação, prefeitura, rodoviários

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