Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Rio

Após paralisação, rodoviários do Rio fazem manifestação no Centro

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O grupo de rodoviários que participou da paralisação de ônibus no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (8/5) fazem na tarde desta sexta (9) uma manifestação e assembleia a partir das 16h, na Candelária, no Centro. A categoria vai caminhar pelas principais ruas da região até o Ministério Público do Trabalho. Segundo um dos representantes da comissão, Hélio Tenório, não há previsão de nova paralisação, mas a decisão vai depender do direcionamento que o MPT vai dar ao caso. 

Na manhã desta sexta (9) os ônibus circulavam normalmente pela cidade. Cerca de três milhões de pessoas foram afetadas pela greve dos rodoviários, que praticamente parou a cidade. O acordo firmado entre o Sindicato dos Rodoviários (Sintraturb) e o Rio Ônibus garante um aumento salarial de 10%, enquanto a classe reivindica um reajuste de 40%, além de cesta básica de R$ 400 e fim da dupla função do motorista. A negociação entre sindicatos elevou os vencimentos dos motoristas para R$ 1.957 e do cobrador para R$1.080,39.

O rodoviário Hélio Tenório afirma que participou da primeira assembleia realizada para discutir a questão, no dia 11 de março, antes da assinatura do contrato, e quando a categoria exigiu do sindicato maior participação dos trabalhadores nas decisões. "Depois disso, o sindicato aprovou com a Rio Ônibus o reajuste, sem qualquer participação dos rodoviários, como havíamos combinado na primeira assembleia. O conselho formado pela Rio Ônibus é composto por pessoas que não conhecemos e nem sabemos qual o cargo delas atualmente. Consideramos que elas não nos representam", disse Tenório.    

O vice-presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus (Sintraturb) do Rio de Janeiro, Sebastião José da Silva, informou que entregou hoje ao Ministério Público do Trabalho (MPT) documentação que comprova que o acordo com as empresas de ônibus de aumento salarial foi fechado dentro da legalidade, visto que o grupo que liderou a paralisação havia feito denúncia no MPT contra o sindicato.

Ele informou que 90% dos rodoviários da cidade compareceram ao trabalho, mas não saíram das garagens por medo da violência. "Algumas empresas não deixaram os ônibus saírem da garagem. Então não podemos concordar que estes funcionários tenham seu dia descontado, uma vez que foram ontem, cumprir com suas obrigações", declarou o sindicalista. "Se as empresas têm medo da segurança, devem pedir segurança ao governo. Os funcionários não podem pagar por isto", disse ele ao apontar envolvimento de milicianos nos atos de violência.

As empresas de ônibus do Rio de Janeiro entraram hoje com ações para responsabilizar criminalmente os líderes dissidentes responsáveis pela paralisação dos ônibus na capital fluminense que teve um saldo de 460 ônibus depredados e pelo menos 6 rodoviários que trabalhavam ficaram feridos, segundo o sindicato das empresas de ônibus, Rio Ônibus. O presidente do Rio Ônibus, Lélis Teixeira, informou que os prejuízos materiais foram de pelo menos R$ 2 milhões, além de R$ 18 milhões pelas passagens que deixaram de ser faturadas pela falta de passageiros.

“As empresas que tiveram enormes prejuízos, resolveram processar as lideranças e estão dando entrada nas delegacias das áreas com pedido de apuração de crimes contra o patrimônio, e os rodoviários que sofreram violência”, contou ele ao informar que o sindicato entrou com ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ontem, para que a paralisação fosse considerada abusiva. Entretanto, o pedido foi indeferido pelo TRT nesta sexta-feira.

No Ministério Público, o sindicato entrou nesta manhã com pedido de reparação pelos prejuízos gerados com as depredações. A  Associação Comercial da cidade comunicou ter tido prejuízo de mais de R$250 milhões pelo fechamento dos estabelecimentos.

O empresário ressaltou que não haverá renegociação de salários e que as empresas tomarão todas as medidas preventivas para que não ocorra nova paralisação. Além das ações, o sindicato informou que atuará em parceria com a Polícia Militar para rastrear veículos que perseguirem ônibus que estejam funcionando em uma futura paralisação. “Até segunda-feira (12), devemos um  ter plano de contingência com a prefeitura para evitar que a população seja prejudicada”.

TRT-RJ nega pedido das empresas de ônibus

Em decisão liminar divulgada nesta sexta-feira, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Rio de Janeiro negou pedido das empresas de ônibus do Rio para considerar abusiva a greve dos motoristas e cobradores de ônibus da cidade, ocorrida na quinta-feira. O desembargador do TRT Nelson Tomaz Braga recusou a ação impetrada pelo sindicato das companhias de ônibus, Rio Ônibus, em que os empresários pediam para a greve ser considerada ilegal.

A ação, chamada dissídio coletivo de greve, foi interposta contra o Sindicato Municipal dos Trabalhores Empregados em Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município do Rio de Janeiro, que foi contrário à greve. A Rio Ônibus queria que a Justiça determinasse o imediato retorno dos grevistas ao trabalho, sob pena de multa diária e que, preventivamente, o TRT considere ilegais futuras greves que possam ocorrer nos próximos dias.

O argumento era de que não é razoável um movimento grevista que começou quando está em vigor norma coletiva referendada em assembleia da categoria profissional. Em abril, a Rio Ônibus e o sindicato dos profissionais assinaram uma convenção coletiva reajustando os salários dos rodoviários em 10% e aumentando em 40% o vale-refeição. Porém, um grupo dissidente do sindicato decidiu entrar em greve. No pedido, é mencionado também que a paralisação ocorreu com atos violentos e vandalismo nas garagens das empresas.

Apesar de reconhecer os transtornos causados pela greve, o desembargador Nelson Tomaz Braga entendeu que ela foi promovida aparentemente por razões políticas por um grupo que não representa oficialmente os rodoviários e não pelo sindicato da classe, réu na ação. O magistrado afirmou que o que ocorreu foi uma paralisação de 24 horas em caráter de advertência e não uma greve. "Caso realmente houvesse uma greve deflagrada pela entidade sindical representativa da categoria profissional dos rodoviários, dúvidas não teria em deferir a liminar pleiteada, haja vista o flagrante prejuízo gerado à população, às empresas concessionárias do serviço de transporte e à própria atividade econômica da Cidade", disse o desembargador. O magistrado afirmou que, por enquanto, não é possível "saber o que realmente há por trás do movimento".

* Com Agência Brasil e Portal Terra

Tags: assembléia, Centro, coletivos, paralisação, Rio

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