Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Rio

Rio: ação de reintegração no Horto termina com feridos

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A operação de reintegração de posse do Clube Caxinguelê, no Horto, Zona Sul do Rio, terminou na manhã desta segunda-feira (5) com pelo menos três feridos, supostamente por balas de borracha atiradas por policiais. Bombas de efeito moral também foram utilizadas pelos agentes. Duas pessoas também teriam passado mal. A ação que contava com um total de 135 PMs e ainda agentes da PF.

O clube faz parte de uma vila que abriga casas com mais de 500 famílias de moradores. A operação de desocupação acabou em confronto quando um grupo de moradores tentou voltar para o clube. A polícia lançou bombas de efeito moral. 

Os dois moradores que passaram mal foram socorridos por ambulâncias e encaminhados para o Hospital Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul do Rio.

De acordo com a Polícia Federal, a desocupação do clube atende a decisão da 17ª Vara Federal do Rio, em uma ação que se arrastava há quase 20 anos. 

Para tentar impedir a ação, cerca de 60 moradores que moram no terreno do Jardim Botânico ocuparam a área do clube.  De acordo com a instituição, o lugar onde funcionava o clube, "além de ser um sítio histórico de extrema relevância para a história do jardim e da cidade, lá também está localizada uma importante nascente que deve ser protegida e conservada".

O clube teria sido ocupado pelas forças policiais por volta de 10h45. Balas de borracha e bombas de efeito moral foram usadas pelos PMs e um cordão de isolamento foi feito para conter os maradores que se concentravam no local.

Cerca de 60 moradores fizeram uma passeata pela Rua Pacheco Leão e por volta de 12h20 interditaram a via. A pista no sentido Gávea permaneceu ocupada até cerca de 13h55.

Escoltado por um carro da PM, os moradores voltaram a ocupar, por volta das 15h, uma faixa da Rua Jardim Botânico durante 20 minutos. Após os protestos, um engarrafamento se estendeu pela via.

Em nota, a presidenta do Instituto Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Samyra Crespo, detalhou a reintegração do terreno. A dirigente lembrou que o processo de devolução à instituição da área de sua propriedade, "ocupada indevidamente ao longo de décadas", começou em maio do ano passado, completando agora um ano. Em abril último, conforme a nota, a União passou oficialmente as terras ao Jardim Botânico e encaminhou a decisão para registro em cartório.

"Há um plano organizado para a saída de moradores e de instalações não compatíveis com a destinação da área diversas vezes divulgado. Nesse plano cabe à SPU – Secretaria de Patrimônio da União - dar assistência aos moradores e cabe à administração do Jardim planificar a requalificação ambiental do espaço", explicou a dirigente. A retirada do clube da área da instituição, informou, faz parte desse processo.

De acordo com a nota, a desocupação da área conhecida como Caxinguelê, onde estava instalado o clube, foi decidida pela Justiça há mais de um ano, após quase 20 anos de litígio. "O clube está dentro do arboreto [coleção de plantas] tombado pelo Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional], próximo a um dos monumentos históricos mais importantes do Jardim, o Aqueduto da Levada, construído em 1853, e que tinha por função trazer a abundante água que vinha do Maciço da Tijuca", informou a instituição.

No lugar reintegrado ao Jardim Botânico, a direção anunciou que haverá a instalação de uma nova estufa de orquídeas, "expandindo nossa coleção científica hoje bastante acanhada por falta de espaço, e em um futuro próximo iniciaremos obras para a recomposição paisagística e recuperação do monumento que ali se encontra".

Com Agência Brasil

Tags: ação, confronto, desocupação, jardim botanico, morador

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