Jornal do Brasil

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

Rio

Investimento em segurança focado nas UPPs deixa outros bairros abandonados 

Moradores reclamam de ausência de policiamento nos bairros. Taxa de roubos e furtos segue aumentando

Jornal do BrasilRafael Gonzaga *

A violência no Rio de Janeiro tem aumentado mês a mês. Os dados mais recentes do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro mostram que, comparando janeiro de 2013 com o mesmo período deste ano, o índice de roubos, furtos e os registros de ocorrência aumentaram. Moradores do Rio reclamam da falta de efetivo policial nos bairros, já que que todo investimento em segurança na cidade é direcionado para as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

É possível perceber as variações de um mês para o outro. Em novembro de 2013, os dados do ISP revelaram que foram registrados 11.335 roubos, 14.014 furtos e 63.448 registros de ocorrência no Rio de Janeiro. Em dezembro, os números subiram para 11.973 roubos, 14.494 furtos e 65.138 registros de ocorrência. Os dados mais recentes, de janeiro, mais uma vez apresentam um crescimento alarmante: 13.876 roubos, 17.284 furtos e foram feitas 76.238 ocorrências.

Mendigos se proliferam no Aterro do Flamengo
Mendigos se proliferam no Aterro do Flamengo

Para Regina Lúcia Chiaradia, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab), o que tem sido vivido pela população carioca é um aumento gritante da sensação de insegurança. “O batalhão está desfalcado de um modo que nunca esteve antes porque todos os policiais incorporados hoje em dia são mandados para as UPPs. Os batalhões dos bairros ficam desfalcados e acontecem muitos assaltos nas passagens subterrâneas, nos ônibus”, se queixa a moradora de Botafogo, Zona Sul do Rio.

Para Regina, essa crise na segurança é algo generalizado nos bairros da Zona Sul do Rio e se a reorganização dos batalhões não for repensada, o problema não vai ser resolvido. “Acho que esse é o pior momento em termos de segurança pelo qual estamos passando. O comando e o Beltrame só priorizam UPP, que  acabou não tendo um resultado eficiente porque os policiais não foram bem preparados. Ou seja: a favela está insatisfeita com os policiais despreparados e o asfalto está insatisfeito com a falta de policiais”, diz.

Colégio MV1, na Tijuca: alunos são alvos constantes de assalto
Colégio MV1, na Tijuca: alunos são alvos constantes de assalto

O vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos do Flamengo (Flama), Luiz Antonio Melo, também considera a questão da criminalidade um problema complicado. Segundo Luiz, a associação está sempre em contato com as autoridades de segurança, mas eles dizem estar constantemente de mãos atadas porque muitos dos assaltos são cometidos por menores de idade. “Enquanto isso, continua havendo bastante assalto, as gangues continuam aterrorizando a região”, lamenta.

No site oficial das UPPs, a informação divulgada é a de que o governo do Rio estaria investindo R$ 15 milhões na qualificação da Academia de Polícia para que, até 2016, cerca de 60 mil policiais estivessem formados no Estado. Os dados, contudo, estão desatualizados, dado que a última estimativa de policiais enviados para as UPPs data o ano de 2010.

Estudantes sofrem com violência

O problema da insegurança na cidade é sentido até mesmo na porta das escolas. É o caso dos alunos da unidade da Rede MV1 de Ensino localizada na Rua Barão de Mesquita, no bairro da Tijuca, Zona Norte do Rio.  A auxiliar de coordenação Isabela Vieira reclama que o índice de violência na região está realmente alto. “Essa semana duas alunas foram assaltadas no entorno do colégio. A gente sempre entra em contato com a polícia, eles vêm e perguntam para aos alunos sobre os assaltantes”, contou.

O coordenador de ensino médio Miguel Bastos disse que há cerca de duas semanas, dois policiais estiveram no colégio dizendo que estaria havendo uma tentativa de reativar e reforçar o quadro da ronda escolar. “A questão é uma só: pouca gente para atender uma quantidade gigantesca de colégios. A informação que a gente tem é que o batalhão lida com falta de efetivo policial e que todas as escolas na região reclamam do mesmo problema. Para dar uma solução nisso, seria preciso ter uma viatura em cada porta de escola”, disse.

Por conta desse efetivo insuficiente para a demanda, nem sempre a ajuda policial é capaz de chegar de imediato quando é contatada. Miguel contou também que no último mês ocorreu um caso onde dois alunos foram assaltados e conseguiram assistência da polícia. “Um taxista viu o que estava acontecendo e, por sorte, vinha uma viatura da PM logo atrás. Pararam o sujeito e levaram para a delegacia. Por sorte esse caso foi resolvido, porque lamentavelmente não é isso que a gente tem presenciado”, contou.

* Do projeto de estágio do JB

Tags: assaltos, furtos, Polícia Militar, Rio de Janeiro, Roubos, segurança, unidade de polícia pacificadora, violência

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.