Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Rio

"Era só o nosso pai", diz filho de coronel assassinado no Rio

Portal Terra

O corpo do coronel de reserva Paulo Malhães chegou às 12h10 ao Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. No velório, apenas seis pessoas o acompanham. Magalhães foi assassinado nesta quinta-feira em seu sítio em Cabuçu, no município de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Em depoimento à comissão há cerca de um mês, o coronel confessou ter participado de sessões de torturas durante a ditadura militar.

"A gente sabe o que era para vocês, mas para a gente ele era só o nosso pai", afirmou um dos filhos do coronel, Paulo Magalhães, de 28 anos. Ele disse que não sabia de ameaças ao pai. "Ele não chegou a comentar nada, a gente não sabe de nada. Estamos tão perdidos quanto vocês."

De acordo com o delegado Fabio Salvadoretti, nenhuma hipótese está descartada. O corpo do coronel, de 77 anos, foi encontrado no quarto do casal pela viúva, Cristina Batista, 36, por volta das 22h de quinta-feira. Segundo a polícia, Malhães aparentava ter sido asfixiado, já que estava deitado no chão, de bruços e com o rosto num travesseiro. A casa foi invadida e a esposa do coronel e o caseiro foram feitos reféns. "A investigação está muito preliminar ainda. Pode ter sido um latrocínio, uma vingança ou um crime relacionado com o depoimento prestado por ele à Comissão Nacional da Verdade", disse.

Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade no dia 25 de março, Magalhães falou sobre o desaparecimento dos restos mortais do deputado federal Rubens Paiva. Também informou que agentes do Centro de Informação do Exército (CIE) mutilavam corpos de vítimas da repressão na Casa da Morte (Petrópolis) arrancando arcadas dentárias e pontas dos dedos para impedir sua identificação.

Tags: comissão, ditadura, malhães, regime, verdade

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