Jornal do Brasil

Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

Rio

Quartel do Exército será demolido para dar lugar à Transolímpica, no Rio

Agência Brasil

O Exército e a Casa Civil da Presidência da República devem definir, ainda neste semestre, os valores que a prefeitura do Rio de Janeiro terá que pagar aos militares como indenização pelo quartel da Polícia do Exército (PE), que será demolido para dar lugar ao corredor de ônibus Transolímpica, na ligação entre Barra da Tijuca e Deodoro, zona oeste da cidade. A estimativa foi feita hoje (24), em entrevista do  secretário municipal de Obras do Rio, Alexandre Pinto.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Comando Militar do Leste (CML) confirmou à Agência Brasil que o Exército participa, no momento, de negociações com a prefeitura carioca  para viabilizar o empreendimento, “considerando a operacionalidade das tropas na Vila Militar e o bem-estar das famílias que vivem na região; inclusive as [famílias] de militares”.

O CML informou que a Vila Militar é uma área de valor histórico e operacional para a instituição. “A obra da Transolímpica, corredor que incluirá faixa exclusiva de BRT (sigla em inglês para trânsito rápido de ônibus), faz parte das melhorias de mobilidade urbana para o Rio de Janeiro, e também atenderá aos Jogos Olímpicos de 2016, quando a região da Vila Militar, em Deodoro, concentrará parte das competições”, explicou a assessoria.

De acordo com o CML, mais informações sobre o assunto serão divulgadas após a conclusão das tratativas em curso, “pautadas pelas normas que regem a administração de imóveis da União jurisdicionados ao Exército".

O secretário Alexandre Pinto esclareceu que está acordado com o Exército que “aquilo que for necessário demolir será reconstruído”. As negociações foram iniciadas há cerca de dois anos, disse. “O Exército teve muita parcimônia conosco, principalmente com a comunidade de Magalhães Bastos, de fazer a cessão das áreas para a construção da Transolímpica. Caso contrário, nós teríamos muitas desapropriações naquele bairro”. Segundo o secretário, o acordo com o Exército impediu que mais de 600 moradias fossem desapropriadas.

De imediato serão derrubadas 24 residências de soldados e cabos, cujas famílias serão remanejadas para dois novos prédios que a prefeitura vai construir na Estrada do Camboatá, também em área militar do próprio Exército, em Deodoro.

O trajeto da Transolímpica prevê ainda a demolição de algumas instalações do 25º Batalhão Logístico, do Parque Regional de Manutenção e da Escola de Equitação do Exército. Alexandre Pinto acrescentou que, em relação a essas unidades, a prefeitura está finalizando os projetos executivos e analisando os valores de indenização com o Exército, “para fazer o pagamento das contrapartidas”. Explicou que serão contrapartidas físicas, uma vez que a prefeitura reconstruirá tudo que for derrubado, “com as novas concepções militares”. Advertiu, porém, que as demolições serão feitas à medida que o Exército for liberando.

O presidente da Associação de Moradores de Magalhães Bastos, Rogério Silva, defendeu a demolição de  mais unidades militares na região, “para liberar mais áreas”. Rogério indicou que há  ali muito espaço e pouca capacidade de utilização. “A gente reclama que é muito espaço que o Exército tem e para o povo só resta um pedacinho”, acrescentou.

A principal preocupação da associação, entretanto, diz respeito à Igreja de São José e à preservação da casa paroquial, que correm risco de serem derrubadas, disse Silva.  Por isso, ele advoga a demolição de mais instalações do Exército para evitar a derrubada dessas construções. Segundo explicou, o projeto entregue pela prefeitura prevê a demolição da igreja e da casa paroquial, e reclamou que “a prefeitura, como sempre, só fala em cima da hora, e não dá tempo de a gente se organizar”.

O secretário municipal de Obras garantiu que o templo religioso não será demolido. Já em relação a um galpão anexo, que os moradores da região usam como salão de reuniões e festas, e é usado parcialmente pela igreja, Alexandre Pinto informou que será derrubado e reerguido em área cedida pelo Exército. “Isso tudo, na verdade, já foi apresentado à comunidade pelo prefeito Eduardo Paes. Todos eles  sabem, inclusive a igreja, o que vai ser reconstruído”.

A demolição dos quartéis do Exército impedirá a derrubada de 160 casas em Magalhães Bastos, estimou Rogério Silva.

Tags: demolido, exército, indenização, militares, Paes

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.