Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Rio

Esquecidos pelo poder público, desabrigados recebem almoço da Igreja

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

“É a sensação de servir”, resume Carlos Lima, que há 25 anos trabalha na Pastoral que serve um almoço de Páscoa para moradores de rua, com apoio da Catedral do Rio de Janeiro, há 18 anos. Neste ano, conta, “foi um pouco diferente”. Mesmo com as portas do templo católico fechadas, o tradicional almoço foi servido às 12h deste domingo (20). Uma fila foi organizada em frente à Igreja e 1.200 quentinhas foram distribuídas para cerca de 800 moradores de rua. “As outras 400 foram para quem quis repetir. Isso é bom, né? Nossa feijoada estava gostosa.”

Mil e duzentas quentinhas foram distribuídas para cerca de 800 pessoas
Mil e duzentas quentinhas foram distribuídas para cerca de 800 pessoas

As celebrações de Páscoa que acontecem todos os anos na Catedral do Rio de Janeiro, neste ano, foram realizadas em outras Igrejas. No site oficial, a Arquidiocese explica a medida: “A Catedral permanecerá fechada. O Sr. Cardeal, em solidariedade a todos os necessitados, realizará as celebrações pascais em comunidades que experimentam a pobreza aguda e que serão informadas oportunamente. A Arquidiocese do Rio de Janeiro reafirma sua intenção inicial de servir como mediadora entre os necessitados e o poder público, para encontrar uma saída”. Diante das mudanças, o almoço chegou a ser cancelado, mas, com aval de Monsenhor Joel, a Pastoral pôde seguir a tradição.

“Não houve a benção inicial de Dom Orani, mas o Padre Gustavo deu a benção junto à população de rua. Foi um pouco diferente, mas, graças a Deus ocorreu tudo bem”, conta Carlos. Na manhã de hoje, o Cardeal celebrou a Missa de Páscoa na Igreja Maria Mãe da Igreja e São Judas Tadeu, em Padre Miguel, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Emocionado, Carlos conta: "É a sensação de servir"
Emocionado, Carlos conta: "É a sensação de servir"

Para Carlos, a realização do almoço é uma forma de “cumprir o que o Senhor pediu”. Emocionado, ele explica a sensação de ajudar os moradores de rua no dia da Páscoa: “É a sensação de servir. Deles a gente só recebe ‘obrigado’. O retorno é a gratidão, o ‘valeu’, o ‘poxa, a feijoada estava boa’. Não tem um convite para ir a casa deles almoçar, é esse agradecimento que vale a pena. Ouvir: ‘Muito obrigado! Ano que vem tem de novo?’. A Páscoa é a data principal do cristianismo, que é a ressurreição de Cristo e isso torna as coisas ainda mais bonitas. São 18 anos e continuamos a fazer até hoje”.

Há 12 anos na Pastoral, Tania comemora a realização do almoço
Há 12 anos na Pastoral, Tania comemora a realização do almoço

Tania Maria Ramos também ajudou a organizar o almoço para os mais de 800 moradores de rua. Ela explica que o ato faz parte de uma série de trabalhos sociais realizados durante o ano e, por isso, tem grande importância para os desabrigados. 

“O nosso maior objetivo é que eles entendam os seus direitos e que, assim, eles possam se reintegrar a sociedade. Nosso trabalho tem o objetivo de mostrar para essas pessoas que elas podem ter uma segunda chance e que isso depende da vontade delas. Todos os anos fazemos esse almoço e nos outros dias, também levamos a palavra de Deus para essas pessoas”, conta.

* Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: almoço, desabrigados, favela da telerj, moradores de rua, oi, páscoa

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