Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Rio

Servidores denunciam estado de calamidade no Hospital Barata Ribeiro

Segundo funcionários, diretores não cumprem escalas de plantão e unidade está abandonada

Jornal do BrasilCláudia Freitas

A possível transferência do Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG) para as dependências do Hospital Municipal Barata Ribeiro, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio de Janeiro, é motivo de críticas dos funcionários das duas instituições. Servidores do Barata Ribeiro denunciam as precárias condições de trabalho e atendimento na unidade da prefeitura e afirmam que os seus diretores não cumprem as suas escalas de serviço, deixando o hospital entregue ao setor administrativo, que reveza os plantões com a chefia de infraestrutura e até com o faturamento. 

Segundo os servidores que pediram sigilo das suas identidades, as instalações do Hospital Barata Ribeiro estão a cada dia mais "depredadas" e "impróprias para o atendimento", oferecendo riscos de infecção para os pacientes. Com os preparativos para receber o IGG, os funcionários contam que a unidade está diminuindo a sua área de atendimento, dividindo os consultório de ortopedia para dar uma parte ao IGG e destruindo os banheiros reservados aos funcionários para alocar o setor administrativo do hospital. "Isso sem levar em conta que o IGG tem idosos que são asilados. Com certeza, não há espaço para acomodá-los com o conforto que eles estão acostumados, fora os internados", disse uma das enfermeiras.

As denúncias são mais contundentes quanto o cumprimento da escala de trabalho pela própria diretoria da unidade médica. Segundo os servidores, um antigo diretor, que deixou o cargo em março para se aposentar, enquanto era responsável pelo hospital também atuava em outras unidades particulares e sua jornada de trabalho no Barata Ribeiro era bem menor que a exigida por lei. O mesmo acontecia com outros que ocupavam cargo de chefia. 

"Quando eles aparecem por aqui é na parte de manhã, por duas horas, no máximo. E na parte da tarde ficamos por conta da diretoria administrativa, que agora também reveza com a chefia de infraestrutura e do faturamento. 

Os funcionários afirmam que, em função desse abandono do hospital pela sua diretoria, os setores estão sujos e as empresas terceirizadas de limpeza que deveriam iniciar os seus trabalhos na unidade às 7h, só chegam por volta das 8h30. A situação não é diferente no serviço de vigilância. Com os seus salários em atraso, os seguranças fazem os seus próprios horários de trabalho e sem qualquer compromisso com as normas legais. "Porque não tem ninguém ali para colocar um controle na parte da manhã e o hospital é um barco à deriva", compara a servidora. 

Essa mesma funcionária denunciou uma outra irregularidade que vem acontecendo diariamente no Barata Ribeiro. Segundo ela, um ex-diretor autorizou duas empresas que vendem o seguro obrigatório DPVAT (Danos Pessoal causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) a abordar os pacientes de acidentes de trânsito para solicitar o serviço do governo. "Isso fez com que o pedido por cópias de prontuários pelos pacientes tivesse um aumento significativo, trazendo à unidade mais gastos de papel e xerox. Antes ele havia colocado estas empresas para trabalhar na sala do Serviço Social e só tirou porque um dos pacientes em atendimento pelas assistentes sociais se aborreceu com a falta de privacidade e ameaçou denunciar à imprensa", conta ela. 

As denúncias ainda dão conta que a diretora do IGG exigiu recentemente da prefeitura a colocação de telas no terceiro andar do hospital, que supostamente será ocupado pelo órgão. A direção do Barata Ribeiro atendeu ao pedido prontamente. "O que é contraditório é que nos outros andares onde estão internados os pacientes do hospital continuam sem tela e sem segurança, como vimos no caso do estupro, no ano passado", disse a funcionária que fez a denúncia, enumerando outras deficiências graves e o estado de depredação do hospital, como as velhas camas que ficam os idosos, ainda sem oxigênio em suas cabeceiras.

Secretaria de Saúde responde às denúncias

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que está elaborando um projeto de reforma e readequação do Instituto de Geriatria e Gerontologia Miguel Pedro (IGG), em Vila Isabel, e para a execução da obra será necessária a transferência dos pacientes para outro endereço. "Eles serão acomodados no terceiro andar do Hospital Municipal Barata Ribeiro (HMBR), na Mangueira, que passou por obras e teve o espaço otimizado para receber os 60 leitos do IGG. Todo o corpo clínico (médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, etc) do Instituto de Geriatria será também realocado para o novo endereço, onde permanecerá acompanhando os pacientes do IGG", diz o texto.

De acordo com a SMS, o Hospital Municipal Barata Ribeiro é especializado em ortopedia e cirurgia plástica, conta atualmente com 70 leitos, que continuarão funcionando no segundo andar do prédio. "Não haverá perda de leitos e o corpo clínico do HMBR permanecerá atendendo exclusivamente aos seus próprios pacientes", garante a SMS através do comunicado.

Já quanto os salários em atraso dos agentes de vigilância, a SMS diz que é de responsabilidade somente das empresas de segurança terceirizadas. "A SMS desconhece a atuação de seguradoras no HMBR e vai apurar a denúncia", afirma o comunicado quanto a denuncia de que empresas de seguro estão vendendo seus planos nas instalações do Barata Ribeiro, para pacientes vítimas de acidente de trânsito.

Tags: dependencias, depredadas, geriatria, Hospital, prefeitura, Rio

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.