Jornal do Brasil

Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Rio

Ex-moradores da Favela da Telerj planejam passeata para esta segunda

Jornal do BrasilGisele Motta 

Depois de uma reunião infrutífera entre ex-ocupantes da Favela da Telerj, que foi desocupada na última sexta-feira (11), manifestantes que estão em frente à Prefeitura do Rio de Janeiro prometem realizar uma passeata pacífica na próxima segunda-feira (13). Eles pretendem fechar a Av. Presidente Vargas, no trecho em frente à Prefeitura, por volta das 8h.

>> "Daqui não saímos",diz ex-ocupante do prédio da Oi

Ex-moradores da favela dizem que, durante a reunião entre o secretário municipal de Assistência Social, Adilson Pires, "nada foi resolvido". Segundo Washington Luís de Souza, que está acampado desde sexta-feira, eles não pretendem sair do local. A prefeitura ofereceu o quartel da Guarda Municipal, em São Cristóvão, na zona norte, como centro para o cadastramento das famílias, mas eles recusaram a oferta. 

Ex-moradores da Favela da Telerj estão acampados desde sexta-feira em frente à Prefeitura
Ex-moradores da Favela da Telerj estão acampados desde sexta-feira em frente à Prefeitura

"Vamos continuar aqui, isso é o que sabemos. Por que eles querem que a gente saia daqui para fazer cadastramento? Aí quando sairmos e quisermos voltar vai estar tudo cercado", desconfia Washington.

Maria José Silva, que faz parte do grupo Dez Mulheres Organizadas, mesmo não morando na ocupação, ajudou na organização no prédio da Oi. Conforme declarou à Agência Brasil, o simples cadastro não resolve o problema de moradia das pessoas e muitas delas já são cadastradas em programas sociais da prefeitura.

“Eles a princípio ofereceram para as pessoas irem para São Cristóvão, para se alimentarem, tomar um refresquinho, usar o banheiro e fazer um cadastro. Só que as pessoas não aceitaram, porque estão desenganadas com esse cadastro. Faz o cadastro e continua no descaso, são esquecidas”, observou.

Outra reunião teria sido anunciada pelo secretário para a próxima quinta-feira (17). Ele ainda informou que as pessoas querem uma solução imediata, mas que não há casas para elas. A Secretaria de Desenvolvimento Social oferece abrigo para as pessoas em frente à prefeitura, mas elas já declararam que não querem ir para os abrigos.

A reintegração de posse da Favela da Telerj, como ficou conhecida a ocupação no prédio da Oi, em Engenho Novo terminou em cenas de violência. Moradores acusam a Polícia Militar de truculência. Pelo menos 18 pessoas ficaram feridas durante a desapropriação. De acordo com a polícia, 21 pessoas foram presas. Não houve confirmação de mortes pelas autoridades, mas os ocupantes alegam que pelo menos três crianças morreram.

Polícia vai investigar lideranças de ocupação de terreno

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai investigar a ocupação do terreno da Oi, no Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro, alvo de ação de reintegração de posse na última sexta-feira, de acordo com informações do Portal Terra. Um inquérito foi instaurado na 25ª DP com o objetivo de identificar as lideranças do movimento.

*Do Programa de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: desapropriação, engenho novo, favela da telerj, ocupação, oi, telerj

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.