Jornal do Brasil

Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Rio

Trens da SuperVia: presidente da Autcan denuncia perigo

Waldir Cardoso afirma que passageiros estão em risco e que poderá recorrer à Justiça.

Jornal do BrasilAna Luiza Albuquerque*

Após novo acidente envolvendo um trem da SuperVia nesta quarta-feira, próximo às estações Barros Filho e Costa Barros, no Subúrbio do Rio, Waldir Cardoso, presidente da Associação dos Usuários de Transportes Coletivos de Âmbito Nacional (Autcan), destaca que os usuários estão em perigo. "Estão em perigo, sim. Por exemplo, os trens andam com a porta aberta porque o sistema automático não funciona. Se o trem está lotado, os passageiros podem ser lançados para fora", aponta.

"Além disso, não tem conforto, existe superlotação e mulheres são abusadas. O trem para e o trabalhador não consegue chegar no seu destino. O patrão conta com um empregado para trabalhar. Como fica? Não pode continuar essa bagunça", diz Cardoso. "Há anos a SuperVia promete trocar os trens e nada acontece. Não acredito muito que vão chegar novos trens para as Olimpíadas", supõe.

Descarrilamento em Deodoro no dia 10 de março.
Descarrilamento em Deodoro no dia 10 de março.

O presidente da Autcan garante que tomará providências. "Na segunda-feira vamos pressionar a Gestamp, responsável pela concessão e fiscalização. Se não nos responderem, faremos uma representação ao Ministério Público, daí vai gerar um processo. Enquanto não formos à justiça não funciona", conclui.

De acordo com Alexandre Roujas, engenheiro especialista em Transportes e Mobilidade da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), a explicação para os recorrentes problemas nos trens da SuperVia, como interrupção da viagem e descarrilamentos, é a histórica falta de investimentos. "A SuperVia ficou mais de 50 anos sem investimento adequado. Só recentemente é que tem sido feito algum investimento. Os trens são muito antigos, têm mais de 60 anos. Por mais que seja feita manutenção, o conjunto é ruim. Os trilhos já estão bastante gastos e o sistema de integração é antigo também. Isso favorece o acidente", explica. 

Roujas diz não ter sido aceitável o choque ocorrido nesta quarta-feira, entre uma composição da SuperVia e um trem de carga da MRS. "A sinalização deveria ter protegido os trens, eles não poderiam ter se chocado. Os sistemas de controle das duas empresas deveriam ter percebido a existência do trem no local errado", assegura. Segundo ele, ainda não é possível apontar culpados, mas a responsabilidade do erro teria sido exclusivamente de uma das duas empresas envolvidas, cujo trem estaria no trilho errado.

Contatada, a SuperVia admitiu que não recebia investimentos há décadas, mas observou que nos últimos três anos foram investidos R$ 600 milhões em revitalizações da frota e da infraestrutura. Disse, ainda, que ampliou a própria parte no contrato de Concessão com o Governo do Estado após conseguir um financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, recebendo um adicional de R$ 900 milhões. 

As melhorias em andamento estariam contemplando, também, o reforço no novo sistema de sinalização, o novo centro de controle operacional, um novo sistema de sonorização e reformas de estações. A empresa garantiu que realiza manutenções nos trens e demais equipamentos ferroviários e ações integradas com a Polícia, Corpo de Bombeiros e SAMU. Em caso de falhas, a SuperVia afirmou que aciona equipes técnicas da concessionária para pronto atendimento.

*Programa de Estágio JB

Tags: acidente, Choque, passageiros, segurança, supervia, transporte, trens

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