Jornal do Brasil

Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Rio

Terceirizados do Hospital Salles Netto reclamam de atraso do salário

Jornal do BrasilGisele Motta *

Depois da revolta de moradores envolvendo a transformação do Hospital Salles Netto, especializado em pediatria, em um Centro Municipal de Saúde, outra questão envolve o hospital. Funcionários terceirizados reclamam do atraso de salários e de benefícios como vale-refeição e a falta de pagamento de hora extra. 

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Segundo funcionários, a empresa Facility, que contrata os vigilantes, teria avisado que esse mês o salário iria atrasar. “É o segundo mês que acontece isso. Mês passado o salário só caiu depois de vinte dias, já no final do mês. E ainda estamos aqui com fome, porque aconteceu algum problema com os tíquetes de refeição” reclama João Valério, vigilante do hospital. Ele ainda afirma que a empresa não dá nenhuma justificativa quando isso acontece. "Eles só falam que vai atrasar e que não tem previsão. Nos dois anos que eu trabalho aqui isso já aconteceu pelo menos umas cinco vezes", conta o vigilante. 

Segundo ele, a plataforma online do tíquete de refeição informou que os funcionários tinham acesso liberado, mas depois este aviso sumiu. A Facility alega que a questão dos vales foi um problema técnico e esclarece que ele foi regularizado na quarta-feira (2). Eles ainda ressaltam que o salário do mês não irá atrasar “estando previsto para o 5º dia útil do mês”.

A Secretaria Municipal de Saúde enviou nota informando que o pagamento dos funcionários de empresas terceirizadas não é de responsabilidade do governo: "Os salários de funcionários das prestadoras de serviços para o município são de responsabilidade de cada empresa, não estando vinculados à quitação das faturas respectivas pela Secretaria Municipal de Saúde. O pagamento das faturas pela SMS ocorre conforme programação estabelecida, o que é de conhecimento das direções das empresas."

Vigilantes contratados pela Facility em frente ao hospital Salles Netto 
Vigilantes contratados pela Facility em frente ao hospital Salles Netto 

Contudo, para Valério, a empresa atrasa quando a prefeitura não paga em dia. Ele ainda completa: “Como a prefeitura quer criar uma O.S. aqui se nem consegue pagar as empresas que terceiriza?” Segundo a empresa, o atraso dos salários se deve a outra falha técnica, desta vez "no processamento da folha, devido à terceirização do serviço”.

O Sindicato dos Vigilantes do Estado do Rio de Janeiro questiona a versão da Facility. Segundo o vice-presidente da instituição, Antônio Carlos de Oliveira, a própria prefeitura já admitiu o atraso várias vezes. “Isso acontece com muitas empresas, especialmente aquelas contratadas por órgãos públicos. Muito pouco tem sido feito pela prefeitura para fiscaliza esses problemas. Ela faz o repasse das verbas sem regularidade nenhuma”, denuncia Oliveira.

O sindicato acrescenta que tentará o diálogo com as empresas e também com a prefeitura. Se nada for feito, serão formuladas ações trabalhistas, como já foi feito mais de uma vez contra a empresa em questão. Segundo ele, a Facility está entre as empresas mais problemáticas: “Mês passado foram 20 dias de atraso de salário. Nós fizemos paralisação e um protesto em frente à empresa e eles se comprometeram a não atrasar novamente esse mês”. 

Oliveira explicou que a empresa alegou que tinha sido comprada por um grupo holandês e estava tendo dificuldades para pagar os salários. "É complicado essa situação. Empresas estrangeiras vêm para cá e não cumprem o direito do trabalhador brasileiro. O pior é que isso não é incomum". 

Outro grande problema para os trabalhadores do Salles Netto é o não cumprimento de da súmula 444 do Tribunal Superior do Trabalho, que assegura a remuneração em dobro dos feriados trabalhados. “Nós incorporamos na convenção coletiva essa decisão do TST e ela tem que ser cumprida por todas as empresas do estado”, explica Oliveira. Segundo os vigilantes, os plantões de feriado nunca foram contados como hora extra.

*Do projeto de estágio do Jornal do Brasil

Tags: atraso, Rio de Janeiro, Salário, salles netto, vigilantes

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