Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Rio

Complexo da Maré será ocupado domingo

Jornal do Brasil

O RJTV, da Rede Globo, informou nesta sexta-feira que o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, será ocupado neste domingo (23). A operação será realizada pelas tropas federais, em conjunto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Batalhão de Choque (BPChoque) e Batalhão de Ações com Cães (BAC). 

Segundo o telejornal, a Polícia Federal vai fazer o serviço de inteligência e a Polícia Rodoviária Federal vai auxiliar no cerco aos acessos.

Na manhã desta sexta, a Marinha realizou o reconhecimento da região. Já a polícia manteve as ações de busca a criminosos que atuam na região. Há uma semana, homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) ocupam as comunidades de Nova Holanda e Parque União. Quase 60 suspeitos já foram presos. Hoje, no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, foram apreendidos 100 quilos de maconha. Um homem foi preso com uma pistola e um rádio transmissor.  

Anúncio de ocupação causa apreensão entre moradores

"O que vai acontecer quando deixarmos de ser manchete de jornal?", questiona Carlos Alberto, presidente da associação de moradores do Parque União, uma das 16 comunidades que compõem o Complexo da Maré, uma das maiores favelas do Rio de Janeiro. Ao todo, 130 mil pessoas vivem no bairro, que se espreme entre a Avenida Brasil e a Linha Vermelha, às margens da baía de Guanabara, e deve ser ocupado em breve pelo Exército

Caminho para o aeroporto internacional do Galeão e vizinha ao centro da cidade, a Maré é considerada prioritária pelo governo. No local se misturam facções de tráfico rivais e milicianos, em um desafio à política de segurança pública do Estado.

A preocupação de Carlos se materializada nos camburões estampados com caveiras do Bope (Batalhão de Operações Especiais) que percorrem a comunidade desde a sexta-feira à noite em preparação para a chegada das Forças Armadas. O Exército, por sua vez, dará lugar à instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, e chega depois de uma série de ataques a UPPs ter levado o governo do Estado a pedir ajuda à Presidência da República.

Na terça-feira pela manhã, era possível perceber o clima tenso da comunidade. Por volta das 11h, na altura da passarela 9, na avenida Brasil, a reportagem ouviu fogos e o som de rajadas de tiros. Os moradores evitavam falar com a imprensa e agentes do Bope revistavam moradores e ônibus em busca de suspeitos.

“A gente sabe que as ocupações não tem sido bem administradas e a população não sabe o que esperar. O único lugar em que as coisas parecem estar indo bem é o Santa Marta. Nos outros, continua a mesma coisa. No começo é lindo, tem aquela euforia, vem reportagem, Light, Cedae, mas e depois?”, desabafa Carlos.

Para ele, a população não consegue ver a polícia como um órgão de defesa em virtude do tratamento e da relação que a PM criou com a comunidade ao longo dos anos - em junho do ano passado, uma operação policial em represália a morte de um sargento do Bope na favela Nova Holanda, vizinha ao Parque União, deixou nove mortos.

O fotógrafo Naldinho Lourenço, que mora na comunidade, reclama da relação dos policiais com os moradores. “Como você quer ter uma polícia de pacificação se está na rua com fuzil na mão? Assim só se reproduz a lógica do tráfico”, diz.

Com Portal Terra

Tags: instalçao, maré, pacificadora, polícia, unidade

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