Jornal do Brasil

Sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Rio

Santa Teresa: Governo culpa "um pequeno grupo de pessoas" pelo atraso nas obras

Moradores fazem protesto no Largo dos Guimarães e um artista plástico termina preso

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

Uma nota divulgada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro criticou o que chamou de “boicote” dos moradores de Santa Teresa: “O Governo foi surpreendido com a atuação de um pequeno grupo de pessoas, que está tentando boicotar a realização das obras, com o nítido propósito político de inviabilizar o cumprimento do prazo de conclusão da reformulação do sistema de bondes de Santa Teresa”. Ainda segundo o governo, “o objetivo dessas pessoas é claramente o de fazer com que o Estado não cumpra o prazo prometido, com a finalidade de causar aos administradores públicos responsáveis pelas obras prejuízos políticos, com vistas às eleições deste ano”.

Dois anos e sete meses após o acidente com o bonde de Santa Teresa, que deixou cinco mortos e mais de 50 feridos, o governo do Estado do Rio de Janeiro ainda não finalizou as obras no trecho da Rua Joaquim Murtinho, principal via de acesso ao bairro. Insatisfeitos, moradores realizaram um protesto nesta quinta-feira, no Largo dos Guimarães. O resultado foi a prisão do artista plástico Luis Delgado Zorraquino, retirado à força da rua com um golpe conhecido como “mata-leão”, aplicado por um policial à paisana. Diante do descaso do governo, o diretor de transportes da Associação de Moradores de Santa Teresa, Jacques Schwarzstein, critica: “essa obra está sendo feita em área urbana, mas o governo age como se estivéssemos em um deserto”.

Segundo Jacques, “a vida dos moradores virou de cabeça para baixo”. Ele conta que as viagens de ônibus estão mais longas e os itinerários sofrem alterações cada vez que uma nova mudança é anunciada para o andamento do projeto. O fato é que as obras começaram no dia 11 de agosto do ano passado, segundo Jacques, com a promessa de ser finalizada em quatro meses. Pouco mais de três meses depois, os moradores ainda convivem com os canteiros de obras. “Prometeram a entrega de um trecho de aproximadamente 2.400 metros, em quatro meses. Até agora, cerca de 400 metros foram entregues”, contesta o diretor de transporte da Associação.

Para Jacques, as obras começaram prematuramente: “O governo está enfrentando problemas porque está despreparado e não tem estrutura”. Entre as reclamações dos moradores, estão problema de mobilidade, atraso na entrega das obras, buracos no meio da rua e máquinas bloqueando os percursos. “Nós não temos transporte público, temos flagelo público. Também está difícil para dirigir carros de passeio”, constata Jacques. Ainda segundo o diretor de transportes, os moradores estão saturados e, por isso, têm realizado os protestos.

De acordo com Jacques, a Associação de Moradores já procurou ajuda do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio de Janeiro (CREA), para saber o parecer dos engenheiros sobre o andamento das obras. “A rua inteira se transformou em um canteiro de obras. Obras geram transtornos, mas eles podem ser melhorados. Só que aqui nós não vemos um esforço, então fica difícil aceitar esses transtornos”, diz.

Procurado para comentar as declarações da Associação de Moradores, o governo do Estado ainda não se pronunciou. Ainda segundo a nota divulgada pela Secretaria da Casa Civil, “o Estado do Rio de Janeiro está cumprindo a sua promessa de realizar a total reformulação e modernização do sistema de bondes de Santa Teresa, o que inclui a aquisição de 14 novos bondes, a troca de todos os trilhos e rede aérea dos 16 km de vias e a construção da nova subestação elétrica para fornecimento de energia do sistema”.

*Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: acidente, bonde, Obras, santa teresa, secretaria da casa civil, transtorno

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