Jornal do Brasil

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Rio

Após ataques a UPPs, Bope ocupa Complexo da Maré

Outras comunidades da Zona Norte também recebem operações especiais

Jornal do Brasil

Cerca de 120 homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) ocupam, desde a noite desta sexta-feira, as favelas Parque União e Nova Holanda, no Complexo da Maré, Zona Norte do Rio. A operação ocorre após os ataques a sedes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em Manguinhos e Camarista Méier, quando dois PMs ficaram feridos, incluindo o comandante da UPP Manguinhos, capitão Gabriel Toledo. 

Os policiais já apreenderam sete quilos de maconha e dois quilos de cocaína, um fuzil AK 47 e uma granada, no Parque União. Também foram apreendidos 50 litros de gasolina, que poderiam ser usados para a fabricação de coquetéis molotov. A ocupação é por tempo indeterminado.

As operações policiais ocorrem também em outros pontos da Zona Norte. No Morro do Juramento, policiais militares do 41º Batalhão (Irajá) fazem buscas e, no Juramentinho, há uma operação da Polícia Civil. No morro do Chapadão, o Batalhão de Choque da PM faz uma operação de busca. Um homem foi detido, três motos roubadas foram recuperadas, e 100 cápsulas de cocaína e 300 trouxinhas de maconha apreendidas.

Na comunidade Para Pedro, em Colégio, dois homens morreram durante troca de tiros com policiais do 41º Batalhão (Irajá). Três homens foram detidos e um menor, apreendido.

A operação também apreendeu um fuzil, uma metralhadora, duas pistolas e uma granada de uso exclusivo das Forças Armadas. Cápsulas de cocaína, tabletes de maconha, celulares, rádiotransmissores e munições também foram encontrados e levados para a 39ª Delegacia de Polícia, assim como R$ 191 em espécie.

A Coordenadoria das Unidades de Polícia Pacificadora (CPP) informou que todos os policiais militares estão de prontidão, por tempo indeterminado. A decisão é do Comando da Polícia Militar. Todos os policiais que estão de serviço não vão sair em seus horários, como de costume. Quem chega para o novo turno se junta aos policiais que já estavam de serviço. O expediente foi prorrogado. Com isso, houve aumento nas equipes de patrulha e a atenção está redobrada. 

A CPP destacou que quem está de folga permanece de folga, ou seja, os agentes não terão que se apresentar nas unidades onde servem. As folgas não foram canceladas. Os policiais que estão de serviço é que permanecem trabalhando e se juntam a eles os que estão chegando para o serviço, seguindo a escala já determinada. Dessa forma, o efetivo policial das 37 unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) já instaladas está dobrado. O reforço no número de policiais empregados não foi divulgado por questões estratégicas.

Nesta sexta-feira, após encontro com o governador Sérgio Cabral, a presidente Dilma Rousseff determinou o envio de tropas federais para o Rio de Janeiro, diante da onda de ataques a sedes de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). 

Os ministérios da Justiça e da Defesa não detalharam quais serão as tropas federais nem a quantidade de homens que serão enviados. De acordo com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, as informações são mantidas em sigilo por motivo de segurança.

Cabral elogiou o apoio recebido da União. "A marginalidade tenta ocupar territórios, desmoralizar a nossa polícia. Mas o estado é um só, e tem que se mostrar unido e capaz de se mobilizar", afirmou o governador.

>> Sérgio Cabral se reúne com Dilma após ataques a UPPs

>> Rio pedirá ajuda das Forças Armadas após ataques a UPPs

>> Ordem para ataques no Rio partiu de presídio, diz Beltrame

>> Violência em Manguinhos deixa 4 mil alunos sem aulas

>> Comandante de UPP de Manguinhos continua internado

“Espero que possamos na segunda-feira avançar e, quem sabe, já materializar o que faremos em conjunto. O fato é que teremos das forças federais o apoio que nunca nos faltou. A presidente Dilma nunca nos faltou com apoio e solidariedade”, garantiu Cabral.

O encontro com a presidente, no Palácio do Planalto, teve também a presença do vice governador, Luiz Fernando Pezão, do secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, do comandante-geral da Polícia Militar do Rio, coronel José Luís Castro, e do chefe da Polícia Civil do Estado, Fernando Veloso. 

Segundo o governador, a decisão de solicitar reforço ao governo federal foi tomada junto com o comando da segurança pública do estado. “O gabinete de crise se reuniu para fazer uma análise da situação da criminalidade, que tem como finalidade enfraquecer a política de pacificação. O Rio vai responder como sempre fez: unindo forças. A população pode ter certeza de que vamos responder", disse Cabral em nota.

Tags: ataques, onda, pacificadora, polícia, unidades

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.