Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Setembro de 2014

Rio

Tiro matou mulher arrastada por carro da PM, diz atestado de óbito

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Atestado de óbito mostra que a auxiliar de serviços gerais Cláudia da Silva Ferreira, que teve o corpo arrastado por 350 metros por uma viatura da Polícia Militar, domingo (16), no Morro da Congonha, em Madureira, na Zona Norte do Rio, foi morta por um disparo de arma de fogo. A informação é da Polícia Civil e foi noticiada nesta terça-feira pela GloboNews.

Segundo o documento, a mulher morreu por conta da "laceração cardíaca e pulmonar de ferimento transfixante do tórax por ação perfurocortante". Cláudia foi atingida por uma bala durante troca de tiros entre policiais e traficantes. Socorrida, ela foi colocada no porta-malas da viatura policial. Um pouco adiante, a porta abriu e o corpo da mulher caiu e foi arrastado por cerca de 350 metros.  

Presa ao porta-malas do veículo por um pedaço de roupa, a vítima teve parte do corpo dilacerado. Por conta disso, cresceu a suspeita de que este poderia ser o motivo da morte. Os três policiais que participaram do socorro à vítima foram presos e podem ser expulsos da corporação.

A Polícia Civil já convocou os três PMs para prestar novos depoimentos na delegacia de Madureira (29ª DP), na Zona Norte da cidade. O delegado responsável pelo caso enviou nesta terça-feira (18/3) ofício ao Batalhão de Rocha Miranda (9º BPM), onde os policiais são lotados, explicando a necessidade das novas oitivas. 

Um novo vídeo divulgado nesta terça revela que Cláudia já estava sendo arrastada por pelo menos cem metros antes da filmagem da viatura da PM. Pelos dados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, os subtenentes Rodney Miguel Archanjo e Adir Serrano Machado já responderam a inquéritos por homicídio qualificado e simples, respectivamente. 

No sistema do Tribunal consta que o processo de Rodney Archanjo foi arquivado em fevereiro de 2014 pela Vara Criminal de Magé, na Baixada Fluminense. Já o de Serrano, em fevereiro de 2005, pela 1º Vara Criminal de Madureira.

O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, declarou por meio de assessoria de imprensa que repudia a conduta dos policiais. Informou ainda que Inquérito Policial Militar foi instaurado e que a Polícia Civil também investiga o caso.

Em seu perfil no Twitter, a presidente Dilma Rousseff se pronunciou sobre o trágico episódio. "Cláudia da Silva Ferreira tinha 4 filhos, era casada havia 20 anos e acordava de madrugada para trabalhar em um hospital, no Rio. A morte de Claudia chocou o país. Nessa hora de tristeza e dor, presto a minha solidariedade à família e amigos de Cláudia", disse Dilma em suas postagens. 

>> Moradora baleada e arrastada por carro da PM é sepultada no Rio 

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que os três policiais do 9º Batalhão da Polícia Militar (BPM) que atiraram contra Cláudia da Silva Ferreira, durante operação no Morro da Congonha, em Madureira, zona norte da cidade, na manhã de domingo, e depois arrastaram o corpo pendurado na mala de um camburão, "agiram de forma repugnante, desumana e vão responder criminalmente pela barbárie cometida".

Cabral ressaltou que a atitude dos policiais contraria os princípios básicos que devem nortear o comportamento da polícia e, por isso mesmo, eles não ficarão impunes. “O que nós vimos ali foi uma atitude completamente desumana: do atendimento à forma como ela foi colocada na viatura. A barbaridade da queda - enfim uma cena completamente abominável. E eles vão responder por isso. Não haverá impunidade. Eles já estão presos e vão responder pela barbaridade”.

Depois de ver as imagens de televisão, o governador disse ter ficado com “uma sensação de choque, repugnância e perplexidade". Ele enfatizou que os policiais estão presos e vão responder pela barbárie, mas falou da necessidade de lembrar a todos que "a esmagadora maioria da polícia é contrária a ações desse tipo, e nós, nesses sete anos e três meses juntos, estamos fazendo grande esforço para pacificar comunidades e reduzir os índices de criminalidade”.

Tags: claudia, comunidade, Madureira, morte, PMs, prisão

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