Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Rio

Rio de Paz faz ato em apoio aos parentes de PMs mortos na guerra do tráfico

Agência Brasil

A organização não governamental Rio de Paz promoveu na noite de hoje (17), na Cinelândia, Centro do Rio, um ato de solidariedade aos familiares dos policiais militares mortos nos últimos anos nas favelas da cidade. Segundo a entidade, uma das motivações do ato é a certeza de que é necessário, por parte do Estado, a  implementação de politicas públicas como forma de complementação do processo de ocupação e pacificação das comunidades ocupadas pelas Unidades de Policia Pacificadoras (UPPs).

Durante o ato público, os manifestantes vestiram camisas pretas, conduziram velas acesas, ostentaram 140 cartazes com cruzes desenhadas e pintadas de preto que simbolizaram o número de policiais militares mortos entre 2007 e 2014 nas favelas e morros da cidade. A manifestação foi pacífica, silenciosa e teve como objetivo cobrar respostas imediatas do Poder Público em relação à morte dos “muitos policiais que tombaram nos becos e vielas em defesa do povo do Rio de Janeiro”.

“O que nós queremos com este ato é que o Estado manifeste amplo e imediato apoio aos familiares dos policiais mortos em ação e que inicie urgentemente o processo de implementação de políticas públicas nas comunidades pobres ocupados pelas forças de segurança. Conceito de direitos humanos verdadeiro deve incluir todos os cidadãos. Os policiais e seus familiares não podem ser esquecidos por nós. Todos queremos a paz e a temos como bem excessivamente valioso, mas poucos estão pagando o preço. A pergunta é: o que tem sido feito por eles, os policiais mortos? Quanto de sangue ainda terá que ser derramado para que compreendamos que pacificação sem inclusão social do pobre não é pacificação, mas ilusão?", questionou Antônio Costa, fundador e presidente do Rio de Paz.

Ele disse que a ideia da manifestação surgiu na semana passada durante o enterro do tenente Leidson Acácio, subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro, assassinado por traficantes com um tiro de fuzil na cabeça.

“Naquela oportunidade, vendo a esposa e a mãe do policial acariciando a sua cabeça destroçada por um tiro de fuzil, nos chamou a atenção o sofrimento da família. Vendo a dor daquela família, destroçada pela mesma bala que matou o policial, ficamos a pensar: o que o Estado está realmente fazendo por esses familiares? Eles estão sendo amparados adequadamente do ponto de vista psicológico e financeiro?”

O presidente do Rio de Paz disse que a decisão pela manifestação foi a forma encontrada para dar voz a essas muitas famílias vítimas da “guerra do tráfico”. “É preciso que elas tenham por parte do Estado todo o apoio necessário. E também que o Estado faça tudo o que for necessária para evitar mais mortes – não só de policiais, mas também de civis na intensidade que vem ocorrendo nas favelas do Rio de janeiro”.

Costa é categórico: “A pacificação sem a inclusão social do pobre não vai levar a lugar nenhum. Então nós estamos aqui reivindicando essas duas providencias por parte do Estado: o amparo às famílias que estão pagando um preço altíssimo pela pacificação e que esse mesmo Estado faço a sua parte – que é a implementação de politicas publicas”.

Para Costa, se o Poder Público não marcar a sua presença com educação, saneamento, emprego, qualificação profissional, ações voltadas para as crianças - com esporte, lazer e cultura - não chegará a lugar nenhum. "É uma sociedade de consumo que cria produtos para os consumidores e consumidores para os produtos, mas que é profundamente desigual em suas relações. São desiguais vivendo lado a lado. E tudo isto adubado pela guerra do tráfico - das drogas. É um cenário altamente explosivo e profundamente desumano”, avalia.

Para o presidente e fundador do Rio de Paz, não há nada mais importante para a pacificação do que a implementação de ações que ganhem o coração dos moradores das comunidades ocupadas - especialmente o coração das mães que habitam os casebres que geralmente compõem o cenário cotidiano dos morros e favelas ocupados.

“Você entra ali com cheche, com lazer, moradia e saneamento básico - e ainda por cima retirando as ratazanas que lá exercem o seu domínio – e estará ganhando o coração da comunidade. Só aí ela vai ficar ao lado do Poder Público. E isto não acontece hoje - porque os moradores se sentem abandonado e só veem a força do poder de polícia. E é esse policial que tem que pagar o preço pela falta de visão do Poder Público”, acredita.   

Tags: comunidades, militares, mortes, policiais, unidades

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