Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Rio

Polícia prende suspeito de atacar delegacia e UPP da Rocinha, no Rio

Agência Brasil

Policiais da Delegacia da Rocinha (11ª DP), na zona sul da cidade, prenderam suspeito de coordenar o ataque a bases da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade, no dia 16 de fevereiro deste ano Tânia Rêgo/Agência Brasil

Policiais da Delegacia da Rocinha (11ª DP), na zona sul da cidade, prenderam hoje (11) um suspeito de coordenar o ataque a bases da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade, no dia 16 de fevereiro deste ano. A polícia cumpriu mandado de prisão por associação para o tráfico, tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o suspeito, de 44 anos, também tinha anotações criminais por homicídio e roubo. Na madrugada de 16 de fevereiro, criminosos armados atacaram as bases e carros da UPP. O ataque foi seguido de intenso tiroteio na comunidade, que deixou ferido o próprio comandante geral das UPPs, coronel Frederico Caldas.

O oficial feriu a cabeça e o olho ao tentar se abrigar dos tiros na comunidade, que foi ocupada pela Polícia Militar em novembro de 2011 e ganhou uma UPP em setembro de 2012. Algumas comunidades, consideradas pacificadas pelo governo do Rio de Janeiro, têm enfrentado problemas nos últimos meses.

Além de manterem o controle armado de alguns pontos dessas favelas, criminosos, muitas vezes equipados com fuzis, têm atacado bases e policiais das UPPs. Desde agosto do ano passado, seis policiais militares foram mortos em comunidades consideradas pacificadas.

Além da Rocinha, os complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, têm enfrentado muitos problemas. Os dois conjuntos de favelas tiveram seu grande território dividido em oito Unidades de Polícia Pacificadora, instaladas entre abril e agosto de 2012.

Em janeiro deste ano, criminosos atacaram a recém inaugurada Delegacia do Complexo do Alemão (45ª DP) e bases locais da UPP. No início de fevereiro, a soldado Alda Rafael Castilho, de 27 anos, foi morta na área da UPP do Parque Proletário, na Penha. No final daquele mês, o soldado Wagner Vieira Cruz, de 33 anos, foi baleado no rosto enquanto patrulhava a Vila Cruzeiro, na Penha.

Ele morreu uma semana depois, no mesmo dia em que mais um soldado, Rodrigo de Souza Paes Leme, era baleado e morto na área da UPP da Nova Brasília, no Alemão. Ontem (10), a Polícia Civil chegou a desencadear uma operação para prender os suspeitos de atacar a delegacia e as UPPs e de matar o soldado Rodrigo.

Sete suspeitos de atacar a delegacia foram presos. Um adolescente de 17 anos foi detido em flagrante, depois de ter sido reconhecido por policiais como um dos envolvidos na morte do soldado Rodrigo.

Já recuperado dos ferimentos da madrugada de 16 de fevereiro, o coronel Frederico Caldas reconhece que há dificuldades em manter o controle dessas comunidades.

“Esses locais [Rocinha e Alemão/Penha] eram o coração das duas principais facções do Rio de Janeiro. O comércio [de drogas] que se movimentava nesses locais era algo extraordinário. A presença das UPPs nessas comunidades fez com que houvesse uma queda drástica do comércio de drogas. Tanto é que hoje esta droga é vendida de forma dissimulada, em pequena escala”, disse em coletiva de imprensa ontem. 

Apesar de dizer que o lucro do tráfico foi atingido pela UPP, investigações realizadas pela Polícia Civil na Rocinha, em julho do ano passado, mostraram que o negócio envolve milhões de reais. Segundo a Delegacia da Gávea (15ª DP), que realizou o inquérito, mesmo com a UPP, o tráfico de drogas na comunidade movimentava R$ 6 milhões por mês.

Frederico Caldas disse que problemas também são enfrentados nas favelas do São Carlos (no centro da cidade) e do Pavão-Pavãozinho (na zona sul). Nesta última, tiroteios têm sido rotineiros e policiais civis que tentavam fazer perícia desses tiroteios foram alvos de tiros de criminosos. Eles tiveram que ser resgatados pela unidade de elite da Polícia Civil. “Continuamos correndo riscos [nestas favelas]”, disse Caldas durante a coletiva.

Segundo Caldas, o trabalho de pacificação não vai parar, mas será preciso fortalecer os locais onde têm problemas. 

Os militares foram responsáveis pela ocupação da comunidade durante quase dois anos (de novembro de 2010 até meados de 2012), antes que as UPPs fossem instaladas.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral  confirmou hoje que  a próxima UPP será implantada na Vila Kennedy, zona oeste da cidade. A ocupação da favela para instalação da 38 ª UPP será feita nesta semana.

Tags: ação, crime, polícia, Rio, rocinha, upp

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