Jornal do Brasil

Domingo, 26 de Outubro de 2014

Rio

Garis continuam em greve e fazem novos protestos no Rio

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Cerca de 500 garis em greve voltaram às ruas do Rio, nesta sexta-feira, pedindo aumento do salário e dos benefícios sociais. A manifestação começou por volta das 11h, em frente à Prefeitura, na Cidade Nova, e transcorreu de forma pacífica. No início da tarde, os trabalhadores seguiram em passeata pelas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco em direção à Cinelândia. Em seguida, os garis interditaram a Rua Araujo Porto Alegre e caminharam em direção ao Ministério do Trabalho.

Os líderes do movimento informaram que a greve, que já dura sete dias, vai continuar até que o prefeito Eduardo Paes os receba para negociar.

Porta-voz do movimento, Célio Viana, negou que o motivo da greve seja político. "Nunca foi político. O que queremos é melhores condições de trabalho e um salário decente. Nesses dias todos não houve nenhuma baderna ou quebra-quebra", disse ele. "Queremos negociar sem o sindicato, diretamente com o prefeito", disse.

Há um ano e meio na companhia, a gari Lia Nicolau aderiu à greve ontem. "Trabalhei todo o carnaval e resolvi entrar para greve ontem, pois vi muita covardia contra os garis", disse. "Tenho medo sim de perder o emprego, mas não podia ficar calada", contou. Segundo ela, a maioria dos trabalhadores da região onde ela trabalha, em Campo Grande, zona Oeste da cidade, está de braços cruzados.

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Outra gari, que trabalha na Ilha do Governador, zona norte, e não quis se identificar, afirmou que na sua gerência ninguém está trabalhando. "Muitos aderiram na segunda-feira. Trabalhar como a gente trabalha, de sol a sol, fim de semana, feriado, catando bicho morto, encontrando até gente morta. A gente merece ganhar muito mais que R$ 874", argumentou.

A paralisação parcial dos garis ocorre desde o sábado (1°) de carnaval. Na manhã desta sexta, diversas vias do Rio ainda apresentavam lixo acumulado. Na Rua do Rezende, no Centro, móveis velhos incrementavam a sujeira e bloqueavam a calçada em torno de 10h30. "A gente tem que ficar andando no meio da rua, sem contar as moscas que ficam rondando né", contou Altino Pereira Reis, comerciante.

Nas ruas Presidente Barroso, na Cidade Nova, esquina com Avenida Salvador de Sá, também havia uma pilha de lixo. Por volta de 10h10, no entanto, a região da Lapa, também no Centro, apresentava cenário diferente, com pouco lixo na região.

Na Tijuca, Zona Norte da cidade, no entanto, em torno de 10h40, havia entulhos na Avenida Heitor Beltrão. Sacos de lixo ocupavam a entrada da praça do local.

Já na Zona Sul, na orla de Ipanema, ainda era possível ver lixo acumulado em torno de 10h. A areia e o calçadão estavam repletos de lixeiras e algumas delas estavam lotadas.

A orla de Copacabana contava, por volta deste horário, com o trabalho de várias equipes da Comlurb. Ainda era possível ver lixo e sentir o mau cheiro, mas havia bem menos sujeira do que no sábado (1º), quando a paralisação de um grupo de garis começou. 

O presidente da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), Vinícius Roriz, afirmou no começo da noite desta quinta-feira (6) que as ruas do Rio estarão limpas em dois dias. Segundo Roriz, nesta quinta, com escolta privada acompanhando os caminhões da Comlurb, foi coletado 65% do lixo que estava espalhado nas ruas. Isso equivale a 6 mil toneladas de resíduos, de acordo com ele. Roriz enfatizou que a limpeza urbana estará normalizada em toda a cidade entre sábado (8) e domingo (9).

Com Agência Brasil

Tags: Limpeza, lixo, paralisação, Rio, ruas

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