Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Rio

Volta, Alice, em Laranjeiras, deve mudar de local em 2015

Com grande número de foliões, ruas ficaram lotadas nesta segunda-feira

Jornal do BrasilCamila Funare*

Com uma comissão de frente de dar inveja a qualquer desfile, o bloco Volta, Alice reuniu mais de 10 mil foliões, na manhã desta segunda-feira (3), em Laranjeiras, zona sul do Rio. Malabaristas e acrobatas divertiram a multidão, enquanto a bateria “verde e amarela” garantiu a camisa nota 10 ao bloco, com sambas de própria autoria.

O clima era de paz no Volta, Alice. Crianças pequenas e idosos se misturaram em meio aos foliões mais jovens. Catadores de lixo vigiavam qualquer latinha que caia ao chão e membros do bloco, por sua vez, preocupados com o calor no local, borrifavam água no público. Contudo, o único e talvez predominante problema do desfile foi o endereço, que deu nome ao bloco.

Para muitos foliões, a estreita e pequena Rua Alice não comporta o número de pessoas que acompanham o desfile, que começou no n° 1 e foi até o cruzamento com a Rua Mario Portela. A niteroiense Viviane Aquino, de 28 anos, fez sua crítica à localização. “É o primeiro ano que eu vou, porque moro em Niterói e o bloco começa muito cedo, então é difícil acordar [brincou]. Mas acho que o Volta, Alice poderia ser um bloco parado e em um lugar mais amplo, porque a rua é estreita e acaba ficando lotada”, disse.

Em meio à multidão, o Jornal do Brasil conseguiu encontrar a “Alice perdida” do bloco, a estudante Carolina Machado, de 22 anos, que há três anos se caracteriza como a personagem principal do desfile. Para a foliã, a multidão impede que o bloco dê o seu melhor. “O bloco é muito grande para essa ruela. Nessa multidão fica difícil até chegar aos banheiros, que por sinal também são poucos. A proporção de pessoas chegou ao limite no desfile desse ano”, afirmou a jovem.

Sobre o crescimento do bloco, a diretora Paula Barreto, de 37 anos, disse que pretende resolver o problema de fluxo do Volta, Alice, no carnaval de 2015. “No ano que vem teremos que tomar uma atitude sobre a circulação de pessoas aqui [Rua Alice]. Ou passamos a data do bloco para o pré-carnaval, o que vai atrair um menor número de foliões, ou vamos ter que escolher outro lugar para desfilar, que comporte de forma agradável a todos”, explicou.

Já sobre a infraestrutura do Volta, Alice, que inclui banheiros químicos e segurança, Barreto garantiu que todo ano a diretoria do bloco pede à prefeitura uma maior atenção. “A gente implora para que a prefeitura coloque banheiros suficientes. Eles colocam, mas não nos informam quantos e nem onde. Mas sobre a segurança, não podemos reclamar. Não pela patrulha que a prefeitura disponibiliza, mas porque o perfil dos foliões do Volta, Alice é bem familiar, geralmente são moradores da rua ou de ruas adjacentes, ou pessoas com gosto muito específico para samba, já que são de própria autoria do bloco. Em dez anos nunca tivemos problema com brigas”, argumentou a diretora.

Durante o percurso do desfile, o carro de som do bloco alertou os foliões sobre a possibilidade de furtos de pessoas fora do bairro. “Celular e carteira no bolso da frente, pessoal. Quem quiser roubar, que roube um beijo ou um coração”, disse o vocalista do Volta, Alice. Já no final do bloco, o carro de som voltou a fazer indicações, dessa vez aos foliões que haviam perdido documentos. “Quem perdeu cartão de crédito, documentos e carteiras, compareçam ao carro de som ao término do bloco, pois nos foram passados alguns pertences”, informou.

Para a operadora de caixa, Francisca Kelly Soares, de 27 anos, moradora do bairro, o clima no bloco era de paz e alegria. “Acho o Volta, Alice muito tranquilo. Realmente só vêm os moradores do bairro. Eu consegui trazer meu filho de 2 aninhos e já vi muitas outras crianças por aqui também. Já frequento o desfile há 3 anos e nunca vi uma confusão”, contou.

Já a idosa Lucia Vera, de 69 anos, disse que o bloco é marcante por abranger todas as idades. “Esse bloco é só alegria. Vim a primeira vez para acompanhar uma amiga, pois o filho dela é porta-bandeira do Volta, Alice. Depois disso nunca mais consegui deixar de vir. Já estou há seis anos desfilando, e pretendo continuar, pois é um bloco muito tranquilo e familiar”, explicou.

A comissão de frente também tem seu papel de responsabilidade social no bloco. Há 10 anos em parceria com o Volta, Alice, os artistas da ONG Se essa rua fosse minha, fizeram a diversão do público com malabarismos e acrobacias. Segundo Ana Paula Bastos, de 40 anos, coordenadora da ONG, o papel dos artistas é dar visibilidade ao trabalho social realizado com crianças e adolescentes, na cidade do Rio.

“Nosso objetivo aqui é chamar o bairro para o trabalho social, nem que seja através de pequenas doações. Fazemos a ponte entre os dois mundos: comunidade e o restante da cidade. Tentamos estreitar, ao máximo, as relações entre os bairros, e é isso que estamos promovendo e comemorando hoje aqui, 10 anos de trabalho artístico e social com o bloco”, disse a coordenadora da ONG.

A Riotur não soube informar quantos banheiros havia na região, mas segundo a contabilidade do Jornal do Brasil, cerca de 10 banheiros químicos foram disponibilizados para os 10 mil foliões, ou seja, uma proporção de mil pessoas por banheiro. De acordo com a Secretaria de Ordem Pública, até as 16h 38 mijões haviam sido encaminhados para a delegacia. Segundo a Guarda Municipal, 30 guardas, entre agentes de controle urbano e ordenamento de trânsito, fizeram o patrulhamento do bloco.

* Do projeto de estágio do Jornal do Brasil

Tags: alice;, bloco;, carnaval;, Laranjeiras, rio;, rua;

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