Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Rio

Cariocas se queixam de um mês marcado por graves distúrbios urbanos

Jornal do BrasilCláudia Freitas

Neste sábado (1/3), dia em que a cidade do Rio de Janeiro comemora 449 anos, os cariocas ainda se recuperam de um mês de profundas mudanças na infraestrutura urbana e das consequências desastrosas da falta de planejamento do governo municipal. Os problemas que tornaram a rotina da população um verdadeiro tormento tiveram como ponto de partida a demolição do primeiro trecho do Elevado da Perimetral, em novembro de 2013, e culminaram com as alterações no sistema de transporte público e trânsito, especialmente no Centro, na última semana de janeiro. 

No dia 20 de fevereiro, após dias consecutivos de longos engarrafamentos, uma pane no sistema de sinais de trânsito tornou a vida do carioca ainda mais caótica e transitar pela cidade parecia uma tarefa quase que impossível. O Centro de Operações da prefeitura informou que foram identificadas falhas de comunicação nas centrais semafóricas da Zona Sul, Centro e Zona Norte. A CET-Rio e a Guarda Municipal foram acionadas para orientar o transito nessas regiões, mas com alguns sinais apagados e outros em pane, os veículos bloqueavam cruzamentos e os congestionamentos foram inevitáveis durante uma manhã inteira. Quatro dias após, um acidente inusitado parou a Zona Sul. Um cratera foi aberta nas esquinas da Rua Miguel Lemos com Barata Ribeiro, em Copacabana, em decorrência do rompimento de uma tubulação da Companhia de Água e Esgoto (Cedae). Mais uma vez o trânsito deu um nó na região, com o fechamento de importantes ruas próximas ao vazamento. A Cedae demorou dois dias para entregar a obra e a secretaria de Transportes liberar as vias interditadas. 

"Eu já estou me sentido cansada desses últimos dias de estresse no trânsito. Para visitar a minha mãe que está internada numa clínica na Zona Sul, tenho que subir uma ladeira enorme. Antes das mudanças o ônibus me deixava na porta da clínica. Isso depois de encarrar um grande engarrafamento. A solução foi pedir ajuda para um sobrinho que tem moto e sempre que ele pode, vem me trazer aqui no Centro", contou a dona de casa Suely Osório, de 54 anos. E como não bastasse os dias de inferno astral, o carioca ainda ficou refém de mais um protesto que fechou completamente a Avenida Francisco Bicalho, um dos principais acessos da Avenida Brasil para o Centro, na Zona Portuária, na manhã da última quarta-feira (26). 

Uma das pistas da avenida ficou interditada por mais de duas horas. Um grupo de aproximadamente 200 moradores de um prédio abandonado na Avenida Francisco Bicalho protestou contra a desapropriação do imóvel pela prefeitura. O prédio pertencia à Caixa Econômica Federal,que fez uma negociação de construção no local de cinco prédios do empresário americano Donald Trump.  De acordo com moradores que ocupavam o imóvel, a prefeitura entregou um cheque de R$ 1,2 mil como forma de indenização para que eles saiam do prédio abandonado, mas não apresentou nenhuma garantia de transferência para outros imóveis de programas sociais, como o Minha Casa Minha Vida. Mesmo com o fim do ato, o trânsito permaneceu complicado por mais uma hora, com reflexos nos túneis Rebouças e Santa Bárbara. 

Nesse mesmo dia, um grupo de marginais promoveu um arrastão na Linha Vermelha, via expressa que liga a Baixada Fluminense ao Centro, também na parte da manhã. Na quinta-feira (27), policiais do 17o. Batalhão de Polícia Militar (Ilha do Governador) realizaram uma blitz de rotina no horário do rush da manhã, provocando mais de oito quilômetros de congestionamento na Linha Amarela. "Falta de planejamento, é isso que está acontecendo com o Rio de Janeiro. Como pode fazer tantas mudanças ao mesmo tempo?", questiona a paisagista Dalva Alves, de 55 anos. A professora Fátima Hadad, de 60 anos, se assustou com a nova sinalização no Centro e disse que não há motivos para comemorar o aniversário da cidade. "Realmente parece um inferno astral. Tudo muito confuso, as pessoas estão perdidas e andam pelas ruas sem saber como chegar ao seu destino. Os pontos de ônibus em locais diferentes, e quando vai atravessar uma rua, não sabe se olha para o agente de trânsito ou para o sinal", descreveu ela.

Tags: demolição, infraestrutura, mudanças, onibus, perimetral, Urbana

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