Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Rio

Carioca busca alternativas para driblar transtornos no Centro da cidade

Impactos das mudanças inconsequentes da Prefeitura ainda são verificados na rotina da população

Jornal do BrasilCláudia Freitas

Na tarde desta quarta-feira (19/2), terceiro dia após as mudanças no trânsito no Centro do Rio de Janeiro, feitas pela Prefeitura, o carioca ainda busca alternativas para driblar os impactos causados pela intervenção. Os engarrafamentos continuam causando transtornos, principalmente nas vias próximas ao Mergulhão da Praça XV, que foi fechado ao tráfego, e nas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco, que tiveram alterações na direção dos veículos. As maiores queixas dos pedestres e motoristas dizem respeito à sinalização confusa e falta de informação à população. Já a maior preocupação do trabalhador é com os seguidos atrasos inevitáveis, em função dos congestionamentos, que podem terminar até numa demissão ou advertência dos empregadores.

Os passageiros dos ônibus ainda encontram dificuldades para achar os pontos de parada das linhas que utilizam. O auxiliar administrativo Alexandre Oliveira, de 35 anos, desceu na Avenida Rio Branco, após enfrentar um longo engarrafamento no seu trajeto pela Avenida Brasil, Leopoldina e Presidente Vargas, o que resultou em um tempo muito maior de deslocamento da sua casa até o local de trabalho. "Simplesmente estou atrasado uma hora. Essa semana eu conversei com o meu patrão e expliquei o motivo dos atrasos, mas de qualquer forma permanece uma preocupação. Eu acho que o governo não está dando as informações necessárias à população e, por isso, temos aí esse trânsito caótico e todo mundo perdido pelas ruas", contou Alexandre.

JB flagrou vários pedestres driblando a fiscalização
JB flagrou vários pedestres driblando a fiscalização

Para o empresário Sérgio Pogea faltou por parte da prefeitura uma estratégia de orientação aos pedestres, especialmente. Ele acredita que o governo deveria ter investido em propagandas antecipadas, informando sobre as mudanças mais importantes no Centro, através dos veículos de comunicação, assim evitaria de as pessoas ficarem perdidas, correndo risco de atropelamento e ainda chegando todos os dias atrasadas nos seus compromissos. "Da forma que está acontecendo essa bagunça, parece que é algo oportunista, somente em função da Copa e desfavorece a classe trabalhadora. Nem os agentes da prefeitura estão em condições de dar informações", afirmou a assistente social Tânia Regina Bezerra, de 56 anos.

Nas análises dos economistas Paulo Cesar Patriota e Ronaldo Tavares, a confusão no Centro do Rio é o resultado de falta de planejamento do poder público, que deveria ter projetado cada fase do projeto de mudança antes de implantá-lo. "Uma alternativa viável seria um sistema do tipo radial, ligando os extremos do Centro às outras regiões periféricas, integrado ao sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) circulando pelas vias principais. Assim ficaria muito mais eficiente para o trabalhador, até porque as passagens também seriam integradas, como acontece hoje com o Bilhete Único", comentou Paulo Cesar. Já Tavares, considera que, por enquanto, a melhor saída para o carioca é optar pela caminhada. "O tempo que se perde procurando um ponto de táxi ou de ônibus, é melhor andar de um ponto a outro das avenidas", diz ele.

Os economistas Paulo Cesar Patriota (esquerda) e Ronaldo Tavares criticam a falta de planejamento
Os economistas Paulo Cesar Patriota (esquerda) e Ronaldo Tavares criticam a falta de planejamento

E foi isso que as amigas Elaine Almeida, analista de RH, e Vanessa Lacerda, advogada, fizeram na tarde desta quarta. "Eu tentei pegar um táxi da Zona Norte até o Centro e não consegui, porque os taxistas estão evitando o Centro da cidade. Tive que ligar para uma cooperativa. Agora, estou tentando entender esse monte de cavaletes colocados no meio das vias para impedir a passagem dos pedestres. Alguns estão em cima das faixas de pedestres, e aí? Vamos passar por onde?", reclamou Vanessa.

O Jornal do Brasil flagrou nesta quarta várias pessoas passando pelas áreas isoladas pela prefeitura, na Avenida Rio Branco, após andarem longos trechos procurando por uma ligação entre os dois lados da via. "O governo começou muito tarde essas mudanças e agora a pressa está causando esse caos. A gente espera que todo esse sacrifício não seja em vão. Será que vamos ter benefícios à altura? Será que eles vão conseguir concluir todas as obras antes da chegada dos turistas para a Copa?", questionaram as amigas Laura Portela, psicóloga, e Luciene Portela, musicista.

Laura Portela (esquerda) e Luciene Portela esperam que o sacrifício não seja em vão
Laura Portela (esquerda) e Luciene Portela esperam que o sacrifício não seja em vão

Mas não foi apenas o trânsito que mudou no Centro do Rio. O cenário no 'coração financeiro' está refletindo o caos que se instalou na cidade. Uma enorme tropa de agentes contratados pela prefeitura, caracterizados por um colete na cor verde, toma conta dos cruzamentos e áreas de desvio do tráfego, que tentam orientar os pedestres e motoristas por meio de estridentes apitos. Equipamentos de sinalização estão espalhados por todos os cantos da cidade, mas mesmo assim não conseguem impedir as pessoas de se arriscarem na travessia das ruas mais movimentadas. "A gente não sabe se presta atenção no agente de trânsito ou no sinal, porque eles estão em sincronia. O sinal fecha, mas o agente manda passar, ou o contrário. Está tudo muito confuso ainda e, com isso, com certeza corremos o risco de atropelamento", reclamou o gari Antônio de Oliveira, de 57 anos.

O gari Antônio de Oliveira alerta para o risco de atropelamento
O gari Antônio de Oliveira alerta para o risco de atropelamento

 

Mais um dia de engarrafamento e prefeito diz que vai racionalizar ônibus

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou nesta terça-feira (18) mais uma mudança que deve impactar a rotina da população: a racionalização dos ônibus que circulam pelo Centro. Segundo ele, os técnicos da prefeitura observaram que os coletivos estão transitando com um número pequeno de passageiros. O secretário de Transportes, Carlos Roberto Osório, disse que vai fazer uma avaliação até o carnaval e tomar as medidas necessárias. Atualmente, a cidade conta com cerca de três mil ônibus, de acordo com a Secretaria Municipal de Transportes. 

Na manhã desta quarta-feira, algumas áreas do Centro já conhecidas pelos constantes congestionamentos, continuaram praticamente com o trânsito parado. A Rua Benedito Hipólito, paralela à Presidente Vargas e acesso ao Túnel Santa Bárbara, serviu de 'rota de fuga' dos motoristas e, por volta das 10h, ficou engarrafada, provocando reflexos nas vias próximas, especialmente no acesso ao Santa Bárbara.

As mudanças nos itinerários dos ônibus causaram outro problema de infraestrutura urbana. Muitas vias estreitas são impróprias para veículos grandes, tendo que passar apenas um por vez. Resultado: engarrafamento. É o caso da Rua Evaristo da Veiga, no acesso à Lapa e Cinelândia. A situação caótica se estende para outros meios de transporte. O Metrô Rio e as Barcas S.A estão operando na capacidade máxima. Na segunda-feira, a concessionária aumentou em 10% a frota do Metrô na Superfície. Nesse dia, a empresa que costuma receber diariamente cerca de 690 mil usuários, registrou 803 mil passageiros, um recorde na história da companhia.

Tags: caos, pedestres, Rio, Trânsito, Transportes

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