Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Rio

Datafolha: Cariocas apoiam protestos, mas são contra máscaras e vândalos

Maioria dos entrevistados classifica a PM como "pouco eficiente" ou "ineficiente" nos atos

Jornal do BrasilCamila Funare*

A maioria dos cariocas apoia os protestos, defende a necessidade do aviso prévio dos atos à polícia e é hostil ao uso de máscaras e violência, seja por parte da polícia ou dos manifestantes. Os dados foram divulgados pelo Instituto Datafolha, na última sexta-feira (14).

O estudo foi publicado quatro dias após a morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido por um rojão enquanto registrava um protesto contra o aumento da tarifa de ônibus, na central do Brasil, no último dia 6.

Segundo a pesquisa, 56% dos cariocas são favoráveis às manifestações, outros 40% são contrários aos protestos, enquanto 3% da população se diz indiferente aos movimentos. Para o Datafolha, este é o menor índice de apoio as manifestações, desde julho do ano passado. Contudo, de acordo com o instituto, não é possível se chegar a um número preciso, já que as pesquisas anteriores não foram feitas somente na cidade do Rio.

No levantamento, quase todos os entrevistados (95%) são contrários as práticas de vandalismo, na qual a pergunta incluía a ação do grupo “Black Bloc”, que atua nas manifestações depredando patrimônios públicos e privados. A ampla maioria (90%) também reprova o uso de máscaras nos protestos. Apenas 1% dos cariocas defendem que ativistas sejam autorizados a portar fogos de artifícios ou porretes.

De acordo com a pesquisa, 85% dos cariocas defendem a tese de que os organizadores das manifestações devem avisar a polícia com antecedência sobre o ato. Outros 12%, contudo são contrários a esse aviso prévio. Ainda na esfera da organização, 53% dos entrevistados condenam o bloqueio de ruas para que as manifestações ocorram, enquanto 44% apoiam o fechamento das principais vias de acesso da cidade.

Em meio à denúncia do advogado de defesa dos dois manifestantes suspeitos de atirar o rojão no profissional, na qual ele afirma que os membros do grupo “Black Blocs” recebem uma “bolsa-protesto” de partidos políticos para depredarem patrimônios públicos e privados, o Datafolha também perguntou aos cariocas se eles acreditam que há envolvimento de partidos políticos nos protestos.

Protesto contra o reajuste das tarifas de ônibus, no centro do Rio
Protesto contra o reajuste das tarifas de ônibus, no centro do Rio

Segundo o Datafolha, 84% dos adultos acreditam que há envolvimento político, mas 68% não souberam mencionar quais seriam os partidos.  Desses 16% restantes, 7% mencionaram o PT e outros 7% o possível envolvimento do PSOL. Outros 5% indicaram influência do PSTU e apenas 1% mencionou o PMDB. Vale ressaltar que a pesquisa não fazia ligação entre os partidos políticos e manifestantes integrantes da tática “Black Bloc”.

Sobre a atuação policial nas manifestações, somente 8% dos cariocas avaliaram a PM como “muito eficiente”. Quase metade dos cariocas, ou seja, 49% dos entrevistados classificaram a polícia como “pouco eficiente”, enquanto outros 40% afirmaram que a PM não é eficiente nos atos.  Além disso, a maioria defende que a polícia não use balas de borracha (68%), bombas de efeito moral (59%) ou gás lacrimogêneo (66%), contudo 71% defendem o uso de jatos d’água.

De acordo com o Datafolha, de cada 10 entrevistas apenas um disse ter participado de algum ato em 2013, percentual que dobra na faixa etária de 16 a 24 anos. Como o município tem 6,3 milhões de habitantes, o dado indica que, pelo menos, 600 mil cariocas participaram das manifestações. O instituto ouviu 645 moradores do Rio, com 16 anos ou mais, entre os dias 13 e 14 de fevereiro. Vale ressaltar que a margem de erro da pesquisa é de quatro pontos para mais ou para menos.

* Do projeto de estágio do Jornal do Brasil

Tags: cariocas, Datafolha, manifestações, pesquisa, Rio, violência

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