Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Rio

Polícia investiga redes sociais na busca por aliciadores de manifestantes

Portal Terra

Não se sabe se a declaração de Jonas Tadeu Nunes, o advogado que defende Fábio Raposo e Caio Silva de Souza - os dois suspeitos de acender o artefato que matou o cinegrafista Santiago Andrade -, de que ambos recebiam dinheiro para integrar as manifestações, tem algum tipo de interesse pessoal ou político. O fato é que, bem antes de Tadeu Nunes dar esse depoimento à GloboNews, a própria Polícia Civil do Rio de Janeiro já investigava essa possibilidade - desde que a violência tomou conta de boa parte dos atos na capital fluminense. E a internet é uma ferramenta fundamental nesse processo.  

“O que eu posso dizer é que a polícia tem interesse em apurar esse tipo de motivação. Não basta identificar o autor do disparo do rojão que vitimou um profissional da mídia. A gente tem que ter convicção se aquele ato teve início, meio e fim na ação do Fábio e do Caio, ou se está embutido em outro contexto”, explicou o chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso.  

É uma espécie de força-tarefa dentro da corporação, na qual diversos setores, de acordo com Veloso, “dão e recebem informações processadas pela coordenadoria de inteligência e retornam a medida que esses dados vão auxiliar naquela investigação específica”. E é claro que, neste contexto, o monitoramento das redes sociais, tendo em vista que muitas das manifestações são agendadas pelo Facebook, por exemplo, “é algo bastante importante”.  

“Não há dosagem matemática, mas é importante em diferentes aspectos, e não tenha dúvida de que isso está sendo feito. O quanto isso é feito, como isso é feito, por quem é feito, de forma alguma eu diria”, disse o chefe da Polícia Civil.

Na acusação do advogado dos suspeitos, cada integrante receberia de partidos políticos rivais do atual governo, ou com interesses futuros em novas eleições, a quantia de R$ 150 para promover um quebra-quebra nos atos. E nas redes sociais, quanto mais páginas fossem criadas na tentativa de divulgar de forma maciça o manifesto, mais dinheiro entrava no “caixa virtual”.

Se o inquérito pela morte do cinegrafista da TV Bandeirantes está encerrado e será entregue à Justiça na próxima sexta-feira, os detalhes do caso, porém, continuam a levantar mais dúvidas no que diz respeito à esta suposta rede de manipulação.  “Ele disse que vendeu o celular”, explicou o delegado responsável pelas investigações, Maurício Luciano, titular da 17a DP (São Cristóvão), em coletiva de imprensa nesta manhã, no que teria sido a explicação para como Caio Silva de Souza comprou uma passagem para deixar o Rio de Janeiro rumo ao Ceará, numa tentativa desesperada de fuga.  

“Ele é de família muito pobre, a mãe é desempregada, vive em condições terríveis, é de cortar o coração”, analisou Maurício Luciano. Trabalhando como auxiliar de serviços gerais no hospital estadual Rocha Faria, em Campo Grande, na zona oeste, Souza receberia incentivo em dinheiro, uma vez que foi flagrado em outras imagens de arquivo da polícia participando de outros atos violentos.  

“Dentro do contexto de manifestação nós podemos ter diferentes motivações. Podemos ter pessoas única e exclusivamente por ideologia, porque querem melhorar a situação do País, podemos ter pessoas com motivação criminosa, e outras com motivação política. Eu não posso agora prematuramente afirmar uma coisa e nem outra”, explicou Veloso.  

“É um fenômeno ainda muito completo. É preciso de uma visão muito mais ampla. Será que é legítimo dar o direito a alguém de se manifestar usando máscara? A polícia não vai poder usar o seu poder de as pessoas usarem o poder legítimo mostrando a sua cara? É o momento de se discutir isso, mas esta investigação ampla ainda não tem data de entrega”, finalizou. 

Tags: acusado, band, cinegrafista, morte, rojão

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