Jornal do Brasil

Quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Rio

Hotéis caros e altas temperaturas espantam turistas

Violência das manifestações também contribui para queda

Jornal do BrasilCamila Funare*

Ao que tudo indica o calor e os preços exorbitantes não estão sendo criticados apenas pelos moradores da "cidade maravilhosa". Os turistas também têm pensado duas vezes antes de passar as férias no Rio.

Segundo o presidente da Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), Alexandre Sampaio, o índice de ocupação da alta temporada no Rio de Janeiro, que vai de dezembro de 2013 a março de 2014, não conseguiu atingir a meta prevista. Na temporada anterior, de 2012 para 2013, o turismo atingiu 82% da ocupação disponível, índice que caiu para 79% neste ano. Para o presidente da federação, a porcentagem é aceitável, mas especula-se que alguns fatores sociais, econômicos e até mesmo climáticos tenham contribuído para essa queda no turismo carioca.

“Acredito que os altos preços na hotelaria, as notícias de violência envolvendo manifestações, a possibilidade de um ajuste cambial e o calor excessivo tenham contribuído para a queda do turismo no Rio. Os turistas brasileiros, que representam 60% do total de visitantes, têm optado pelo Nordeste, onde o clima está mais ameno. Já os próprios cariocas, têm subido para a região serrana, a fim de fugir do calor", explicou Alexandre Sampaio.

Já os turistas estrangeiros, de acordo com o presidente da FBHA, têm planejado férias mais econômicas, uma vez que o perfil desse visitante é de 19 a 32 anos e de escolaridade de média a superior. "Esse turista estrangeiro gasta em torno de US$ 120 por dia com transporte, alimentação, lazer e compras. Eles procuram economizar nas acomodações, substituindo os hotéis por albergues, para gastar com gastronomia e lazer, frequentando bares e restaurantes", disse.

Vários fatores contribuem para afugentar os turistas
Vários fatores contribuem para afugentar os turistas

"Esse tipo de turista é interessante para o país, porque eles propagam a imagem da cidade na web. Eles são formadores de opinião, então costumam postar relatos da sua estadia no Rio em redes sociais, o que acaba nos favorecendo", acrescentou Sampaio.

Ainda segundo o consultor, o setor gastronômico tem atingido recordes de consumo devido ao horário de verão, que propicia lugares de lazer. Para Alexandre Sampaio, a atividade econômica neste setor terá um movimento médio de 10% a mais do que na temporada anterior.

Sobre o carnaval, que de acordo com o presidente da FBHA é um período atípico, o turismo não deve ser prejudicado. "Não temos muitos concorrentes aqui no Brasil. O único que pode concorrer com o carnaval carioca é Salvador, mas devido a uma forte onda de violência especificamente nas áreas turísticas, creio que não seja uma ameaça", afirmou Sampaio.

Do outro lado da gangorra, a Empresa de Turismo do Município do Rio (RIOTUR) fez uma estimativa positiva para o verão carioca. Nela, a “cidade maravilhosa” receberia 3.256 milhões de pessoas na alta temporada, pelos quais seriam arrecadados US$ 2.605 bilhões. Índice maior do que o registrado em 2013, que recebeu 3.192 visitantes com uma renda de US# 2,363 bilhões.

Ainda segundo a nota da Secretaria Municipal de Turismo, no ano novo, por exemplo, a estimativa foi de que 767 mil pessoas tenham optado pelo Rio, gerando uma renda de US$ 614 milhões. Proporção muito além dos números relativos ao período anterior, que recebeu 752 mil pessoas, das quais houve uma arrecadação de US$ 557 milhões.

Para o carnaval, a expectativa do órgão é que 918 mil foliões venham assistir os espetáculos na Marquês de Sapucaí e circulem pelos blocos de rua. Com isso, a economia da cidade contará com a entrada de US$ 734 milhões, enquanto em 2013 os números foram de 900 mil foliões e US$ 665 milhões.

* Do projeto de estágio do Jornal do Brasil

Tags: Carnaval, Copa, hotéis, Rio, turistas, verão

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