Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Rio

Carnaval: a festa e o transtorno para a cidade

Riotur garante o sucesso da organização, mas anuncia mudanças.

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

A Secretaria de Turismo/Riotur optou por diminuir o número de blocos autorizados a participarem do Carnaval de 2014. Para esse ano, são esperados 5.070.500 foliões, espalhados entre os 457 blocos regulares – 35 a menos em relação a 2013 –, sendo 144 deles na Zona Sul da cidade. Ainda assim, organização do evento preocupa os moradores, que reclamam da superlotação dos bairros e dos danos ao patrimônio público.

Segundo a presidente da associação de moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, as principais reclamações registradas são relativas à sujeira e à grande quantidade de pessoas no bairro. “Chega uma hora que o bairro não comporta mais tanta gente. Os pais ficam preocupados com os filhos porque alguns se perdem e isso gera um transtorno”, relata. As obras do metrô também preocupam os moradores. Evelyn ressalta que “o Leblon está passando por uma série de obras. Existe uma preocupação com a manutenção dos canteiros e com a preservação dessas áreas”.

Para Aldo Gonçalves, Presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (Sindilojas) e do Clube de Diretores Lojistas (CDL), o Carnaval não costuma apresentar entraves para o funcionamento do comércio. “Os blocos na Zona Sul ficam concentrados na orla. Já no Centro, quando os blocos saem, as lojas já estão fechadas”, explica Aldo.

A Riotur anunciou a instalação de oito postos médicos, sendo três localizados no Centro, outros três em Ipanema e dois em Copacabana. Ainda segundo a secretaria, haverá, em relação a 2013, um aumento de 33% no número de banheiros químicos. Já o trânsito, que, segundo a Riotur, “não passa por transtornos em época de carnaval”, será organizado por 1.500 controladores de tráfego. Para evitar o comércio ilegal, cinco mil vendedores ambulantes foram cadastrados pela Dream Factory e estarão identificados e credenciados.

O policiamento no carnaval será realizado pela Guarda Municipal e pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Segundo a PMERJ, o planejamento de segurança ainda está sendo definido e será divulgado na semana que antecede o carnaval. Alguns blocos, porém, investem em uma equipe própria para cobrir as baterias e evitar tumultos. Rita Fernandes, presidente da Sebastiana (Associação Independente de Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro), conta que “a organização da equipe de apoio varia de acordo com o tamanho dos blocos, mantendo uma média de 40, 70 e 120 para os pequenos, médios e grandes, respectivamente”.

A limpeza da cidade também preocupa. No ano passado, foram recolhidas 637 toneladas de lixo nas ruas onde passaram os blocos, 14% a mais do que em 2012. Para esse ano, a Comlurb está preparando uma megaoperação de limpeza, mas ainda não divulgou os detalhes da ação.

Para evitar transtornos, a Riotur pede para que os foliões participem da festa de forma ordeira e que não sigam blocos de carnaval não autorizados. No ano passado, durante o bloco do Bola Preta, um tumulto por pouco não causou uma grande tragédia:  Uma emissora de televisão colocou grades para cercar as câmeras e os foliões que estavam próximos acabaram prensados. A secretaria afirma não ter responsabilidade no acidente e pede para que situações como essa sejam evitadas.

*Do projeto de estágio do Jornal do Brasil

Tags: Blocos, Carnaval, comlurb, pmerj, Rio de Janeiro, riotur

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